13 artistas dão voz à geração que está mudando o mundo – GQ

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Johnny Massaro, Luciano Ferrarezi, Breno Lenhard e Antonio Curti (o trio The Force), André Duvivier e Martha Pinel (o duo Croma DJ’s), Caio Prado, Daniel Chaudon e Diego Moraes (os três do Não Recomendados), Pedro Perdigão, Gabriella Garcia, Alexandre Furcolin e Bianca Caetano representam parte de um grupo que se engaja para mostrar outras percepções da música, do design, das artes plásticas e das identidades – sem deixar de ser pop.

É uma geração que tem onipresença, real e virtual, em variadas áreas – borradas, engendradas. Unir-se para eles é a tônica deste tempo de collabs indissociáveis. De concreto, há apenas um estado constante de mudança. “Penso como definitiva a ideia de que nada é definitivo. Tudo é caminho”, filosofa Massaro. 

Esses treze criadores usam ainda a moda como uma expressão de estilo. Aqui todos vestem Gucci. Sob o comando de Alessandro Michele, a marca traz em suas peças o mesmo questionamento de misturar para recriar e, assim, dar espaço ao novo. Tudo é permitido no closet da label de luxo que aposta em uma excentricidade retrô, abusa dos revivals, une alfaiataria com o street e usa a couture como look do dia. A grife italiana e sua inquietude faz um match perfeito com a atmosfera de renovação destes jovens no shooting que você vê a partir de agora. Have fun!

Daniel Chaudon, Diego Moraes e Caio Prado são os integrantes totalmente aprovados do trio Não Recomendados. Stars do YouTube, os cantores e performers fazem arte engajada, questionadora e com figurinos fun e glam – em total sintonia com os novos tempos. Questões de gênero, raça e liberdade têm protagonismo na narrativa sonora da trupe há cerca de 6 anos.

Música com propósito social é o lema deles contra qualquer retrocesso: “Afirmar o corpo como um ato político. Que tocasse o público de todas as maneiras, seja pela dança, pelas vestimentas ou como intérpretes”, define Caio. Sem medo de incomodar, os três seguem rompendo barreiras na arte (e também fora dela). Um novo EP do trio sairá do forno em breve. Nós recomendamos!!! 

A artista plástica Gabriella Garcia, dona do projeto COLLA GG, desenvolve pesquisa sobre ressignificação de objetos e imagens por meio de instalações, esculturas, vídeos e colagem. “Comecei a pensar as colagens em outras esferas e formas, quis sair do bidimensional”, comenta.

Novos (Foto: Pedro Dimitrow )

Por dois anos, ela foi artista visual residente da festa ODD, em São Paulo, projeto que hoje assina como curadora visual. Gabriella faz parte ainda da residência da Galeria Pivô e segue para Berlim com uma expo em outubro.

André Duvivier e Martha Pinel lançaram a Croma como marca de roupas pintadas à mão e viram seu universo tie-dye desdobrar-se em uma das festas mais concorridas do Rio de Janeiro. Eles já lançaram uma collab de mochilas e pochetes com a Ahlma e preparam também uma de sandálias com a Ipanema.

Novos (Foto: Pedro Dimitrow )

“A Croma Noite nasceu da vontade de colorir o mundo e transmitir essa energia alto-astral através da música”, explica Duvivier. Nos decks, a dupla aposta em um delicioso mix de Disco, Soul, House e Brazilian Boogie. “É música para dançar sorrindo”, completa Martha. 

Grande curador de pessoas, comportamentos e tendências, Pedro Perdigão é o corpo e a alma da Void – a brand que começou como revista, se tornou loja, plataforma de comunicação e que congrega comunidades e hoje é referência e ponto de encontro de uma galera jovem que está em sintonia com o que de mais novo acontece.

Novos (Foto: Pedro Dimitrow )

Presente do Leblon à Madureira, no Rio, recém-chegado a São Paulo, ele já prepara expansão inaugurando novo endereço. “A intenção é criar esses encontros e essa interação entre pessoas que vivem culturas marginais. Quero gerar discussão e fomentar a conversa entre esses grupos.”

Cantora, stylist e designer superarticulada, sua atuação faz um ponto de intersecção entre a moda e a música. Bianca desenvolve projetos para filmes comerciais, clipes e shows através de seu núcleo de criação, a Young Urban Professionals.

Novos (Foto: Pedro Dimitrow )

“Tudo o que envolve um set me interessa. Para mim é como um universo mesmo. Profissionalismo selvagem”, admite ela. Hi-lo, alta-costura e street: a jovem é pura finesse. 

Fotógrafo autodidata, Alexandre já foi do mercado financeiro e hoje transita entre a arte autoral e trabalhos remunerados, dualidade que faz parte do que é ser artista e jovem. “Já trabalhei só com galerias, o que foi um investimento para depois poder ter tempo para construir um espaço só meu.

Novos (Foto: Pedro Dimitrow )

Você precisa abrir mão de alguma coisa para alcançar outra”, resume. Fotografia, arte editorial, pintura, desenho, audiovisual e moda são suporte para a expressão do criador. Autor do livro BR Motels, o artista acumula quatro publicações no currículo.

The Force, coletivo de arte e tecnologia de Antonio Curti, Breno Lenhard e Luciano Ferrarezi, aposta no poder da pluralidade para criar soluções criativas e eficientes para clientes como Adidas, Coca-Cola, Itaú e Sesc. Eles ocupam agora um galpão em São Paulo que se tornou ponto de encontro dessa turma que quer que o espaço se torne um centro de cultura.

Novos (Foto: Pedro Dimitrow )

“Nossa felicidade é coletiva e utópica e passa longe da segurança que a família de comercial de margarina promete”, resume Ferrarezi. Empreendedores de ideias e negócios, o grupo já tem em pauta novos projetos como a arquitetura tecnológica de um museu esportivo, uma instalação artística na Europa e também um festival de tecnologia. 

“Temos de trocar o julgamento pelo entendimento. Julgar é fácil. Entender é muito mais complexo e mais bonito. Portanto, a gente vai ter que entender tudo junto. É muito interessante manter a ignorância das pessoas porque através dela existe o controle.” Com essa máxima, que poderia ser um discurso reconfortante caso Rodolfo, personagem de Massaro em Deus Salve o Rei, se reaproximasse de seus súditos na fictícia Montemor, o ator da novela das sete diz a que veio – para transformar. Pelo menos a fala dos outros e – por que não? – a sua própria.

Novos (Foto: Pedro Dimitrow )
Novos (Foto: Pedro Dimitrow )

Aos 26 anos, Johnny encontrou fora das telas e palcos o livro O Caminho da Autotransformação em uma banca próxima da sua casa, no Rio, e a obra de Eva Pierrakos mudou (quase) tudo para ele que já vinha pensando sobre a leveza de percorrer suas escolhas. “Você não pode só querer agradar. O artista que só quer agradar está morto, não movimenta nada”, comenta. “Calma”, diz a tattoo no antebraço, uma das seis que tem (escondidas aqui porque ele se cobre de Gucci), a qual soa como um conselho. “Agradeça”, se lê em seu outro braço.

Novos (Foto: Pedro Dimitrow )

Fonte oficial: GQ

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