20 anos de Dreamcast: 4 games que mantêm vivo o espírito do último videogame da Sega – GQ

12

(Foto: The LIFE Images Collection via G)

Pergunte a qualquer fã da boa e velha arte interativa sobre o Dreamcast, e o tom da resposta vai ser de finalidade: último console da Sega, o Dreamcast foi o primeiro videogame moderno, destes capazes de se conectar à rede para partidas online, e ele morreu lenta e dolorosamente nas prateleiras. A causa mortis: poucos estúdios e publishers se interessaram em trabalhar com a plataforma devido a uma arquitetura complicada e uma gama obtusa de novidades (o que raios fazer com um cartão de memória que também era uma tela de cristal líquido?!). E do lado do consumidor, uma máquina que era apenas um videogame parecia um mau negócio quando você podia fazer do seu PlayStation 2 um DVD player perfeitamente viável.

+ Norman Reedus e Guillermo Del Toro estrelam novo trailer do game ‘Death Stranding’
+ Trilhas mais famosas dos games são tema de espetáculo regido por orquestra em SP
+ Lista GQ: 5 games para se sentir no espaço

Mas o mesmo fã talvez vá te lembrar de outra coisa: o Dreamcast era uma máquina a frente de seu tempo. E ele teria toda razão: sucesso comercial, afinal, nem sempre é sinal do impacto duradouro de algo. No caso do aparelho, sua influência vem desde 1999 correndo subterraneamente entre fãs, desenvolvedores e criativos. Aproveitando os 20 anos do lançamento do Dreamcast no ocidente, lembramos de algumas das grandes ideias lançadas pela Sega que estão vivas até hoje – você só precisa procurar em outros cantos.

A começar por:

Um mundo para habitar

Shenmue (1999) x Yakuza Remaster Collection (2019)

Shenmue, desenvolvido pelo estúdio AM2 (coração criativo da Sega) sob a batuta do designer Yu Suzuki, é talvez a história mais curiosa do Dreamcast. Muito porque ele foi o game mais caro de se produzir até então, com um custo na casa dos 70 milhões de dólares. Mas também pela ambição da equipe: Shenmue foi talvez o primeiro game a ser bem-sucedido na missão de te colocar na vida de outra pessoa, e plantar seus pés nas ruas digitais e amizades de faz de conta da trama. Cada personagem do game tinha nome e rotinas distintas, e cada dia do jogo respeita as mesmas condições meteorológicas dos mesmos meses de 1986 que a trama simula.

Com o avanço de microprocessadores e memória nos últimos 20 anos, uma ideia como a de Shenmue teve campo fértil para evoluir e… bom, isso nunca de fato aconteceu. Mas você pode encontrar o mesmo espírito de Shenmue com a série Yakuza, que não arrisca nos mesmos caprichos de simulação, mas traz um mundo explorável repleto de detalhes. Ao invés de apostar em grandes espaços urbanos como GTA, o time da Sega construiu uma versão digital em miniatura do red district de Tóquio, um punhado de quarteirões cheios até as bordas de bares munidos de cartas de uísque e sake, restaurantes, casas de apostas, minigames e personagens cativantes.

É uma boa hora para entrar no universo deste épico: a Sega vai lançar Yakuza 3, 4 e 5 remasterizados para PS4 em lançamentos individuais entre agora e o ano que vem – o que significa que você pode curtir a série inteira sem precisar ir atrás de velhos PlayStation.

Jogo online

Phantasy Star Online (2000) x Monster Hunter World: Iceborne (2019)

“Não só o combate é bem feito, mas havia coisas legais como obstáculos que requerem esforço em grupo para serem superados. Todo mundo na partida precisava trabalhar junto para prosseguir”, dizia uma prévia de Phantasy Star Online escrita pelo site IGN na virada do século. Lugar comum para quem ensaiou algumas partidas de videogame nos últimos anos, mas na época, elementos simples como estes eram inovadores – ainda mais se seus colegas de partida nem dividiam no mesmo sofá que você. Quando foi lançado em 2000 também pela Sega, PSO foi o primeiro RPG online para consoles.

Se você quer um gostinho hoje de como teria sido jogar PSO nos velhos tempos, uma boa aposta é Monster Hunter World: Iceborne. A dinâmica geral é a mesma: você e um grupo de outros 3 jogadores se reúnem online e participam de pequenas e discretas aventuras. No caso de Monster Hunter, a meta é caçar criaturas gigantes, e, como no velho PSO, espírito de equipe é importante para superar obstáculos – você pode colocar monstros para dormir, planejar o uso de barris explosivos e coordenar armadilhas com seus amigos.

Como em um desenho animado

Jet Set Radio (2000) x Lethal League Blaze (2018)

Se o Genesis, o PlayStation e o Nintendo 64 deram, cada um, os primeiros passos em direção ao 3D, muitos títulos do Dreamcast optaram por transformar a nova dimensão em arte. É o caso de Jet Set Radio, lançado em 2000 e cujos visuais eram uma tradução direta do street art para os games. Todos os personagens são montados através de cores gritantes e contornos grossos e angulares, e a Tóquio virtual do game era uma colagem de arquitetura improvável e paredes limpinhas prontas para seu próximo grafite. Isso sem nem falar da trilha sonora, que não envelheceu nem um segundo

Se você tem um PC, acesso à versão remasterizada do original é moleza. Mas se você quer ver algo novo respirar os mesmos ares, a dica é mesmo Lethal League Blaze. Uma espécie de queimada virtual em alta velocidade, o game tem o mesmo amor por marcar presença com estilo: note os traços radicais e animações exageradas.

Tetsuya Mizuguchi

Rez (2001) x Tetris Effect (2018)

Ok, Tetsuya Mizuguchi é um nome, não uma ideia. Mas o cara vem há anos desenvolvendo um conceito que começou com a Sega na época do Dreamcast, e está entre uma das sacadas mais bem-sucedidas de sua época: a sinestesia. Desde Rez, Tetsuya cria experiências digitais feitas para serem uma explosão sensorial interativa, com música, vídeo e jogabilidade influenciando um no outro.

É uma ideia que Tetsuya mais recentemente traduziu com sua versão de Tetris, chamada Tetris Effect. No processo, o designer criou talvez o único momento em que podemos confessar que o clássico jogo russo foi uma verdadeira viagem lisérgica.

Acompanha tudo de GQ? Agora você pode ler as edições e matérias exclusivas no Globo Mais,o app com conteúdo para todos os momentos do seu dia. Baixe agora!

Gostou da nossa matéria? Clique aqui para assinar a nossa newsletter e receba mais conteúdos.

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários