Brasil domina NY com arte concretista – GQ

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Só dá arte brasileira em Nova York! Cabe dizer que este é “o ano” da arte concreta e neo-concreta brasileira em Manhattan. Para se ter uma ideia, dois dos principais museus da cidade dedicaram exposições a artistas brasileiros dessa geração nos últimos meses: Lygia Pape ganhou retrospectiva no MetBreuer (fechou dia 23 de julho) e Hélio Oiticica contiua em cartaz no Whitney Museum até 1 de outubro com a mostra To Organize Delirium. Isso sem contar Lygia Clark que foi tema de uma individual no MoMA, em 2014. Algumas das galerias mais consagradas da cidade, como a Galerie Lelong, aproveitaram o embalo e nos últimos meses apresentaram também obras dos grupos Frente e Ruptura – movimentos artísticos do Rio e de São Paulo, respectivamente, que culminaram no manifesto Neo-Concreto em 1959.

Agora, é vez de Mira Schendel receber o foco da atenção. A renomada galeria Hauser & Wirth, que tem duas unidades em Nova York além de várias locações ao redor do mundo, dedicou os três andares de seu espaço no Upper East Side em Manhattan ao trabalho dela. Entre desenhos em papel arroz, painéis em gesso e colagens, o curador Olivier Renaud-Clément selecionou excepcionalmente trabalhos em preto e branco.

Antes da abertura oficial da mostra, GQ teve a sorte de participar de um café da manhã intimista na galeria com a presença da filha da artista, Ada, e o neto, Max. Mira nasceu na Suíca em 1919, cresceu em Milão, e aterrissou em solo brasileiro em 1953 onde viveu até sua morte em 1988. “Por conta disso, minha mãe não tinha pátria. Ela falava diversas línguas, mas todas com sotaque. Italiano, português, francês”, conta Ada. Ainda assim, ela é considerada brasileira no mundo das artes.

A artista, que já tinha sido tema de exposição coletiva no MoMA em 2012, convivia com os artistas concretos e neo-concretos mas, de certa forma, encontrou um caminho independente, influenciada por outras áreas de seu interesse que iam além das artes plásticas, como filosofia – tema que estudou quando vivia na Itália –, poesia e física. “Enquanto seus colegas buscavam uma resposta ao modernismo europeu na América Latina, Schendel encontrou um caminho autônomo e criou sua própria resposta à abstração, ao desenho. Suas influências iam de física quântica a zen budismo”, explica o curador.

Ruptura na Luciana Brito Galeria (Foto: Reprodução/Instagram)

Já ao sul da ilha de Manhattan, em Tribeca, a galerista paulista Luciana Brito acaba de abrir um espaço e também pega carona na agenda concreta brasileira dos museus americanos. Para a inauguração do NY Project, a exposição apresenta mais de 50 desenhos, pinturas e esculturas de Geraldo de Barros, Waldemar Cordeiro e Luiz Sacilotto, entre outros, que faziam parte do Grupo Ruptura. Esta foi a segunda mostra focada nesse tema durante o verão nova iorquino.

Para os turistas brasileiros que planejam visitar a cidade em breve, Nova York se tornou um ótimo lugar para entender e sentir orgulho da arte brasileira da segunda metade do século 20. Dá gosto testemunhar esses re-descobrimentos do Brasil!

Serviço:

Mira Schendel – Sarrafos and Black and White Works
Até 21 de outubro
Hauser & Wirth
32 East 69th Street

Ruptura
Até 6 de novembro
Luciana Brito – NY Project
186 Franklin Street

Fonte Oficial: http://gq.globo.com/Cultura/noticia/2017/09/brasil-domina-ny-com-arte-concretista.html.

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