7 verdades inconvenientes sobre a cerimônia do Oscar – GQ

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O Oscar chegou em sua 90ª edição neste domingo (4). Prometendo uma cerimônia inesquecível, o que vimos foi um grande festival de mais do mesmo. Fora dois grandes discursos (Frances McDormand e Guillermo del Toro), importantes, sobraram momentos monótonos – e o pior, previsíveis. Para chegar ao final da cerimônia, precisamos de doses extras de café.

Entre tantas cartas marcadas – atores e filmes que já vinham demonstrando seu favoritismo em outras premiações -, a cerimônia revelou algumas “verdades” que podem soar de modo inconveniente, ditas de forma brusca, em momento de discussão. Além de discutir se A Forma da Água deveria ou não ter vencido o Oscar de Melhor Filme, podemos discutir outros pontos sobre a cerimônia. Tais quais:

Meryl Streep deveria ser considerada hors concours

Ninguém discute o talento e a importância da atriz americana. Porém, convenhamos, o último personagem inesquecível da americana foi Miranda Priestly, em O Diabo Veste Prada, no longínquo ano de 2006. Depois de 21 indicações e três estatuetas na estante, a impressão que dá é que a diva maior do cinema é indicada automaticamente, mesmo quando o trabalho é completamente esquecível, como foi o caso de The Post. Não seria de bom tom homenageá-la de uma forma definitiva e dar espaço, a partir de agora, valorizar o trabalho de outras atrizes?

O prêmio de Melhor Ator ou “melhor transformação”?

Gary Oldman venceu a estatueta individual graças a um grande trunfo: a sua impressionante “transformação” física em Winston Churchill. Trata-se de um trabalho que parece perfeito para o Oscar; basta lembrar que, recentemente, Matthew McConaughey (pelo seu emagrecimento) e Eddie Redmayne (semelhança com uma personalidade famosa) também sagraram-se vencedores na categoria por méritos bem semelhantes. Atuações sutis, como Daniel Day-Lewis em Trama Fantasma, ou ricas de expressões como Daniel Kaluuya, em Corra!, parecem não ter vez neste grande jogo da imitação que é a categoria.

Kobe Bryant no Oscar 2018 (Foto: getty images)

Kobe Bryant melhor do que Jordan

Pelo menos no cinema. Mais aplaudido da noite, o eterno ídolo dos Los Angeles Lakers levou o Oscar de Melhor Curta de Animação com o seu Dear Basketball. Vale lembrar que Michael Jordan também tentou a sorte no cinema, mas não teve o mesmo sucesso (porém, admitimos: adoramos Space Jam).

Melhor roteiro original é o prêmio mais importante da noite

Todo mundo sabe que o Oscar costuma ser bem conservador na hora de escolher o Melhor Filme (o que, sejamos justos, não podemos falar sobre o vencedor deste ano – afinal, A Forma da Água envolve até uma cena de sexo de uma mulher com um peixe!). Por isso, muitos grandes filmes acabam ficando renegados a categorias melhores. O lugar dos clássicos parece ser a disputa pelo Melhor Roteiro Original. Alguns exemplos recentes? Pulp Fiction, Fargo, Encontros e Desencontros, Quase Famosos, Fale com Ela, O Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e, em 2018, Corra!.

Rubens Ewald Filho teve uma péssima noite

O crítico de cinema mais famoso do Brasil colecionou gafes na transmissão do TNT. No ápice da noite, criticou o prêmio dado a Francis McDormand na categoria de Melhor Atriz, destacando que “ela não é bonita” e “bebeu muito no Globo de Ouro”. Em outro momento, foi grosseiro ao dizer que a atriz transexual Daniela Vega “na verdade, é um rapaz”. Constrangedor.

Agnès Varda no Oscar (Foto: getty images)

Agnès Varda é tão grande que nem precisa de Oscar

Aos 89 anos, a cineasta belga radicada em Paris é uma lenda do cinema – sendo uma precursora do feminismo no cinema e da Nouvelle Vague, movimento que revelou Jean-Luc Godard e François Truffaut. No Oscar deste ano, acabou preterida na categoria Melhor Documentário com o seu sensível Visages, Villages. Até hoje, ela nunca venceu qualquer estatueta. Quer saber? Azar da Academia. Ela não precisa disso.

Frances McDormand venceu na categoria de Melhor Atriz e fez importante discurso (Foto: getty images)

Jimmy Kimmel não soube apresentar a cerimônia

Não rolou. Foi só constrangimento.

E a grande verdade da noite, por Frances McDormand

Em seu forte discurso em prol das minorias, a atriz vencedora do Oscar de Melhor Atriz concluiu toda a sua corrente de pensamento com duas palavras: “Inclusion rider”. Em entrevistas após a cerimônia, ela explicou que se trata de uma cláusula ignorada nos contratos de estúdios que podem mudar o cinema daqui em diante: “A todos que fazem negociações em filmes, sempre esteve disponível um ‘inclusion rider’, o que significa que você pode pedir, e/ou exigir, pelo menos 50% de diversidade não só no elenco, mas também na equipe [do longa]. Então o fato de eu ter descoberto isso depois de 35 anos na indústria cinematográfica… não vamos retroceder. Toda a ideia de mulheres serem tendência? Não. Mulheres não são tendência. Afro-americanos serem tendência? Não, não são tendência. Isso muda agora. E acho que essa cláusula terá algo a ver com isso.”

Fonte Oficial: GQ.

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