Djamila Ribeiro: muito além da musa – GQ

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Djamila Ribeiro é linda. Um mulherão. Seria uma belíssima musa, se isso não fosse tão pouco para ela. Djamila veio para explodir a noção da mulher bonita que enfeita silenciosamente a rotina dos homens pensantes do Brasil. Djamila é mais. É além.

A além-musa é uma referência inquestionável para quem se interessa pelos debates sobre política, em especial sobre desigualdade de gênero e raça. Foi secretária adjunta de direitos humanos da cidade de São Paulo e, recentemente, publicou o livro ‘O Que é Lugar de Fala?’.

Está nas livrarias, nas redes sociais e nos espaços públicos sempre disposta a comover plateias, sem deixar de desafiar a branquitude, o machismo e o classismo. Adapta-se magistralmente a qualquer interlocutor e modula as verdades de modo que não há quem saia imune da conversa. Tudo com uma elegância ímpar.

“Mas nem sempre foi assim”, ela conta. “Quando mais jovem, eu era bem faca na caveira. Foi um exercício que aprendi principalmente com as militantes mais velhas, que me falaram que eu precisava continuar militando, mas de um jeito menos destrutivo”, diz. “Porque, de fato, essas opressões vão minando a gente. Então busquei estratégias para não deixar isso me atingir. Uma delas é meditar. Outra é a minha religião, o candomblé, que mostra que existem coisas maiores que nós.”

DJAMILA RIBEIRO (Foto: Cassia Tabatini)

O militante, às vezes, tem a síndrome de achar que é o grande salvador.” A feminista norte-americana Gloria Steinem afirma em seu livro de memórias que há poder na proximidade, e aconselha: “Aproxime-se do problema pelo qual se interessa. Mude a narrativa. Mantenha a esperança. Esteja disposto a fazer coisas descartáveis”. Djamila incorpora a frase acima. E nos lembra do aqui e agora.

DJAMILA RIBEIRO (Foto: Cassia Tabatini)

Do machismo à brasileira, de nossa desigualdade vergonhosa. “Me formei em filosofia, mas não estudei (curricularmente) nenhuma filósofa nos quatro anos de graduação. Tive de ir atrás sozinha, com a ajuda de um orientador que nunca tinha estudado Simone de Beauvoir, mas se propôs a fazer isso para me orientar.

DJAMILA RIBEIRO (Foto: Cassia Tabatini)

No meu mestrado, também em filosofia, continuei os estudos sobre as filósofas. Mas não posso falar ‘filosofês’ com o público em geral. Eu sempre penso que quero que minha mãe entenda o que estou falando. Entendo a importância da linguagem, esse é um compromisso do feminismo.”

Os passos de Djamila Ribeiro vêm de longe. E nos levarão mais longe ainda.

Fonte Oficial: GQ.

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