#GQporElas: BaianaSystem, uma banda de homens que respeita as mulheres – GQ

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Até bem pouco tempo atrás, o cartão de visitas do carnaval da Bahia exaltava a pegação nos trios elétricos. O que era visto como liberdade escondia uma realidade que os novos tempos não permitem mais. Russo Passapusso, que dá voz às afiadas e sagazes letras da BaianaSystem, uma das bandas mais instigantes da cena musical brasileira atual, nunca viu beleza nisso. “Eram homens agarrando mulheres à força, em rodinhas, obrigando-as a dar um beijo em cada um para sair da armadilha. Eu vomitava com aquilo”, diz o baiano.

A atitude – além, é claro, da música – atraiu fãs. “Durante muito tempo, as mulheres ficaram entregues às mãos de Deus, especialmente no carnaval. De repente, aparece uma banda que fala: ‘peraí, deixa as mulheres, deixa elas passarem, deixa elas sambarem’. Um show do Baiana é assim.

Você se diverte, mas volta com questionamentos”, diz Pamela Lucciola, jornalista cultural e mulher de Russo. O grupo foi atração em todos os principais festivais do país em 2017, como Rock in Rio e Lollapalooza, e ainda se apresentou no gigante Roskilde, na Dinamarca.

Nas apresentações da banda, o respeito à mulher é regra, mesmo nas intensas rodas de “pogo” que se abrem durante o show. Aquele aparente tumulto em frente ao palco, que na verdade é uma dança amigável (destinada aos homens) muito comum em shows de punk e hardcore, não só ganhou uma ostensiva presença feminina como tem, inclusive, um momento só delas.

Para a jornalista musical Patricia Palumbo, o BaianaSystem se destaca pela atualidade tanto do discurso quanto da atitude. “Não há mais como dissociar o artista do que ele ou ela são na vida real. O Baiana é uma banda de homens que respeita as mulheres”, afirma. “Se alguma delas se sentir ofendida, existe um líder que vai defendê-la. Isso é uma quebra de paradigmas necessária dentro de um universo tão machista.”

Com apenas um disco lançado, chama atenção a música-título Duas Cidades, que traz o trecho “as meninas de minissaia não conseguem respirar”, um grito contra a cultura do assédio. “Homem não pode dizer que já sabe, tem de abaixar a cabeça e compreender”, afirma Russo.

Fonte Oficial: GQ.

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