A Apple lança novo ‘modelo de entrada’ – e o plano não é apenas vender mais aparelhos – GQ

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Pouco depois de chegar ao seu primeiro trilhão em valor de mercado, a Apple anunciou nesta quarta-feira (12) algo talvez um pouco fora da curva: uma nova linha de entrada para o iPhone. Se você manteve os ouvidos atentos essas últimas semanas, não é lã tão novidade. Além do quê, é uma estratégia que já foi cravada pelo iPhone 5C lá em 2014. Mas o mais importante é o seguinte: o iPhone XR ainda assim marca uma nova conquista para a fabricante de Cupertino, mesmo que não seja exatamente um sinal para o futuro dos fones. Isso porque o novo aparelho traz a tela LCD mais avançada da indústria em um momento que todo mercado já está nadando em displays OLEDs  – devido a suas vantagens quando o assunto é contraste e consumo baixo de energia.

A novidade chegou até a ganhar nome próprio: acostume-se a chamá-la de Liquid Retina Display, uma evolução da tecnologia já presente em modelos anteriores. Ela é capaz de exibir um amplo aspecto de cores, é estendida até as bordas do celular e tem funções de toque usando uma tecnologia bem similar ao trackpad do Macbook Pro.

 (Foto: Reprodução/Apple.com)

Fora do Liquid Retina, o XR traz muito dos itens de suas novas edições mais caras, o iPhone XS e XS Max também anunciados no evento. Estamos falando do mesmo processador, das mesmas câmeras de 12MP e 7MP para selfies, além da função Face ID, que permite desbloquear seu celular ou pagar via Apple Pay apenas olhando para o aparelho. Por outro lado, ele opta por apenas uma lente e se desfaz do 3D touch, que permitia interagir com o fone apertando a tela como se fosse um botão. A adição de uma sistema dual chip chama a atenção, e uma bateria que aguenta uma hora e meio a mais que a do iPhone 8 fecha a lista de características do aparelho.

Essa dicotomia entre velho e novo diz bastante a respeito da Apple de hoje em dia. Assim como o preço da versão ‘acessível’ de um dos smartphones mais caros do mundo, que chega às lojas em 26 de outubro por ‘nada módicos’ US$ 749 (ou 3,1 mil reais, bem distante da gama de celulares de médio desempenho, quanto mais de modelos de entrada).

Conforme a Apple ganha, pouco a pouco, rivais notáveis no mercado de aparelhos de alto custo, ela mantém um ponto forte: quem compra religiosamente um novo iPhone a cada novo anúncio, entre 2 e 3 anos, faz um produto de luxo se comportar com uma commodity. A empresa tem uma base de fãs sólida que vê cada novo produto ora como item de luxo, ora como a única solução possível – se você quer a melhor câmera para o seu celular, por exemplo, é difícil ignorar um iPhone. E enquanto a Samsung ainda tenta superar a morna performance de seu topo de linha, o Galaxy S9, e a LG ainda não conseguiu apelo ao redor de seu G7, a Apple encontra liberdade o bastante para promover modelos mais iterativos que revolucionários – a série S está aí para provar.

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O jeito mais fácil de abordar o XR é uma nova tentativa da empresa de ampliar seu leque de opções para outras faixar de preço, e assim vender mais iPhones, os mais atuais possíveis. Tim Cook abriu o evento da tarde comemorando um total de 2 milhões de dispositivos iOS enviados para lojistas e 500 milhões de clientes em suas lojas físicas. Nada mais natural para uma empresa agora quase trilionária ver até onde pode crescer.

CUPERTINO, CA - SEPTEMBER 12:  A visitor inspects the new Apple iPhone XR  during an Apple special event at the Steve Jobs Theatre on September 12, 2018 in Cupertino, California.  Apple released three new versions of the iPhone and an update Apple Watch.  (Foto: Getty Images)

Mas não é só sobre vender mais aparelhos. É também trazer o máximo de pessoas possível para as versões atualizadas de suas plataformas digitais. Não é o iPhone, afinal, o carro-chefe do crescimento da Apple. Os louros vão para sua divisão de serviços (que inclui App Store, Apple Music e iCloud), que chegou a crescer 31% no terceiro trimestre num comparativo 2017/2018. Seus ganhos com celulares e tablets na real tem estagnado nos últimos tempos.

Mais pessoas no barco do iOS, mais espaço para a Apple experimentar com o lado não físico da coisa, o campo do software. Tanto o iPhone XR quanto o iPhone XS e XS Max são ainda mais parecidos quando você deixa telas e câmeras de lado. Todos eles são movidos por soluções pesadas de machine learning. É essa tecnologia que dá aos novos modelos a capacidade de rodar games exigentes – um surpreendente destaque do keynote – ou permitir a edição de foco após a foto já ter sido tirada, já que a inteligência artificial é capaz de compreender o que é o assunto central da imagem e o que é seu background e escolher uma gama de takes da mesma foto. 

Tudo isso para dizer que, na sua saga para trazer mais gente a seus serviços, não seria surpresa se esse modelo possa se tornar o iPhone padrão em pouco tempo. E antes que vocês perguntem, não, o iPhone XR não tem entrada padrão para fones. Como já falamos, o carinha é mesmo a imagem da Apple de hoje em dia.

O iPhone XR chega em 26 de outubro começando por US$ 749, em versões com 64GB, 128GB e 256GB de espaço para armazenamento; já a linha XS varia entre US$ 1000 e US$ 1010 e começa a ser vendida em 21 de setembro em três configurações: 64GB, 256GB e 512GB.

Fonte oficial: GQ

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