A casa do designer Kean Etro no sul da Itália é um mergulho no tempo – GQ

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Viagem no tempo: Constanza e Kean Etro no pátio da propriedade da família na Puglia (Foto: Aldo Castoldi)

Uma tarde, 18 anos atrás, antes que o designer Kean Etro comprasse sua propriedade de 50 acres na região da Puglia, sul da Itália, ele fez com que a casa passasse por uma espécie de teste de estresse. O lugar parecia lindo no início do dia, mas ele queria vê-lo sob uma luz menos generosa. Então, voltou no meio da noite. O sol daquela tarde de ouro deu lugar a algo muito mais sujo, mas isso foi perfeito para Etro. Enquanto seus companheiros esperavam lá dentro, ele se embrenhou no campo atrás da casa de pedra e começou a procurar por vida selvagem. Também estava à procura de algo mais mítico. “Foi um pouco chuvoso, sim, mas queria sentir o lugar.” Uma hora depois, ele emergiu. “Saí vivo, muito feliz”, diz. “Isso me deu uma sensação muito boa.” Dez dias depois, ele comprou seu retiro chuvoso.

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Viagem no tempo: Com os tetos em formato cilíndrico, as construções antigas são repletas de arcos e nichos estratégicos (Foto: Aldo Castoldi)

A casa fica a menos de duas horas de voo de Milão, onde Etro cresceu e agora atua como diretor criativo de moda masculina na marca da família. Ele usa e abusa de cores vibrantes, selvagens caxemiras e uma dose séria de inspiração global para produzir ternos para os CEOs do mercado da cannabis.

A casa do estilista, que estima ter sido originalmente construída no século 17, carrega o estilo típico da Puglia. Os primeiros moradores a fizeram sem argamassa, para que pudessem desmontar suas casas quando soubessem que o coletor de impostos estava a caminho. Como resultado, os aposentos encontrados por ele eram circulares, com telhados em formato de cone conhecidos como trulli. “Como um chapéu de mago”, explica.


Por que Etro ama seus trulli: “Construção antiga, cultura antiga, ficar conectado”, diz ele. “E não na internet.” (Foto: Aldo Castoldi)

Mas na época do primeiro tour chuvoso  em 2001, a casa estava em ruínas. Fiel ao seu passado como estudante de história e arqueologia, Kean insistiu em reconstruir as estruturas da propriedade usando os materiais corretos do período que poderiam ser encontrados apenas na área circundante. Por isso, negociou com os vizinhos vinhos em troca de pedras das antigas construções, transformou velhas portas de madeira em prateleiras e armários e reaproveitou fragmentos de concreto com design floral encontrados em um campo próximo para o piso dos banheiros.


Viagem no tempo: Parte da coleção de arte de Etro, disposta na sala da casa (Foto: Aldo Castoldi)

Embora Etro – com sua esposa e filhos – more principalmente em Milão, a família passa o máximo de tempo possível em sua idílica residência nas colinas. Mas ele se irrita com a noção de que o lugar é uma espécie de mera fuga que o ajuda a sair da agitação da cidade. “Não é uma fuga”, admite. “É voltar para casa.”


Viagem no tempo: As pedras do piso foram resgatadas de construções próximas. (Foto: Aldo Castoldi)

O que ele quer dizer é que na Puglia ele vive do jeito que acha que foi destinado a viver. Passa seu tempo pintando e esculpindo, colhendo cogumelos, comendo de um jardim verde no quintal. Há cavernas para explorar (“é como voltar ao útero”, diz), uma piscina e um forno de pizza perto de um prado onde os veados brincam. O melhor de tudo: Etro gosta de se sentar em seu pátio de pedra e tocar seu didgeridoo. Sim, um didgeridoo! Naturalmente, um cenário tão antigo exige um instrumento igualmente antigo.

A casa influencia diretamente a maneira como ele cria. “Somos famosos pela cor”, diz sobre sua marca. Está tudo lá: o castanho de uma castanha, o verde das folhas do início da primavera.


Viagem no tempo: Kean Etro se embrenhando no mato, como gosta. (Foto: Aldo Castoldi)

Mas o lugar também o serve de formas menos concretas. Segundo o estilista, as construções em formato de chapéu de feiticeiro têm um poder estranho. “Elas são como antenas”, acredita. Os sonhos captados pelos trulli são tão vívidos que seu irmão se recusa a dormir nas casas de teto pontiagudo quando visita a propriedade na região que fica exatamente no salto da bota do mapa da Itália. Para o fashion designer, elas são mais uma fonte de criatividade. “Muitas coisas vêm em sonhos”, diz. “Contanto que você consiga se lembrar delas.”

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Fonte oficial: GQ

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