A parceria Volks e Ford reforça: o futuro pode sair caro – GQ

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A parceria entre Ford e Volkswagen é agora uma realidade. É algo mais próximo de uma amizade com benefícios do que um relacionamento sério, na real: elas operam juntas no setor de veículos comerciais, mais especificamente na área de vans e picapes. Carros de passeio são uma possibilidade futura, e outra, mais improvável, envolve a negociação parcial de participação acionária. Algo como uma fusão, por outro lado, está definitivamente fora dos planos.

Anunciada durante a feira de autmóveis de Detroit, a decisão é resultado de conversas que atravessam os últimos meses, e, segundo Ford e Volks, pode economizar bilhões de dólares no longo prazo para ambas as partes. Para a alemã, por sinal, é chance de assumir posição forte nos EUA, onde a Ford vem focando esforços depois de fechar fábricas na Europa. Nada como um relacionamento econômico!

Mas tem mais algumas coisas: a indústria automobilística passa por seu próprio momento Britney nos meados de 2007. E não por uma crise em particular. Até porque, para início de conversa, a visão de millennials destruindo o mercado dos carros ou algo do tipo anda meio anacrônica (como bem analisou Marty Miller, da agência de pesquisa Experian Automotive, é pura questão de idade: “eles ainda estão crescendo”).

Mais urgente são os conflitos tarifários entre EUA e China aplicando pressão nas empresas, que, ao modo da Harley-Davidson, precisam estudar como e onde mudar o foco de suas operações e como lidar com os preços do aço e alumínio, grandes alvos do toma lá dá cá mercadológico. Regras mais pesadas a respeito de emissões também são outro entrave – ambas estiveram envolvidas em alguns dos grandes escândalos relacionadas a relatórios forjados nos últimos 4 anos.

PITTSBURGH, PA - SEPTEMBER 22:  Uber driverless Ford Fusions sit in the Uber Technical Center parking lot on September, 22, 2016 in Pittsburgh, Pennsylvania.  Uber has built its Uber Technical Center in Pittsburgh and is developing an autonomous vehicle t (Foto: Getty Images)

O que move a decisão da Ford e da Volkswagen é o mesmo espírito que fez Nissan, Mitsubishi e Renault reunirem forças – e eventualmente se meterem em um abraço de afogado – em território japonês. Não necessariamente um mercado menor, mas um mais desafiante.  Conforme montadoras se aproximam de um inevitável futuro de carros elétricos e autônomos, a exigência de investimentos em pesquisa e desenvolvimento tendem a crescer. É tema caro para as fabricantes, cujo plano de 10 anos anunciado ano passado envolve ignorar rivalidades e cortar juntos os custos em novas tecnologias.

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E quanto isso pode pesar no balanço anual destas empresas? Um exemplo: só este ano, a BMW está investindo mais de 8,6 bilhão de dólares em automóveis elétricos,1 bilhão destes apenas na construção de uma fábrica na Hungria para fabricar veículos elétricos e híbridos, com capacidade de produção de 150 mil veículos ao ano. Desde 2016, o gasto em R&D da companhia alemã sobe bilhão a bilhão ano após ano – e deve seguir avançando no campo das centenas de milhões de dólares por vez. 

A Ford, por sua vez, já testa veículos autônomos em Miami, Pittsburgh, Detroit e Washington, e planeja lançar versões comerciais destes carros ainda em 2021. Para tanto, a fabricante anunciou em julho que vai investir US$ 4 bi até 2023 no Ford Autonomous Vehicles LLC, seu pólo de inovação focado na tecnologia, e na startup parceira Argo AI, que desenvolve soluções para sistemas autônomos. O futuro, então, não é negócio barato.

Fonte oficial: GQ

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