A saída dos fundadores do Instagram pode ter um motivo maior: falta de independência – GQ

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Que o Facebook tem se dado bem com sua ampla estratégia de aquisições, não tem dúvidas. Que o Instagram é sua parceria mais notável, tampouco. Mas a notícia do afastamento repentino dos fundadores da plataforma de fotos e vídeos, o americano Kevin Systrom e o brasileiro Mike Krieger, na segunda-feira (24) não só pegou colegas e especialistas de surpresa, mas também pode jogar luz sobre um relacionamento dificultoso entre as duas plataformas.

Segundo reporta o Recode, a dupla já teria se posicionado sobre updates e mudanças de marketing da rede social de Mark Zuckerberg, que estariam criando um ‘abraço de urso’ e dificultando a autonomia da empresa. O mais recente conflito, por exemplo, envolveria o serviço IGTV. O time do Instagram teria sofrido pressão do Facebook devido ao risco da novidade canibalizar o sucesso da própria plataforma de vídeos do Face, o Watch. A discussão teria sido resolvida por Mark Zuckerberg e Kevin Systrom, mas não sem antes mostrar que nem tudo anda em harmonia entre as duas partes.

Outra discussão teve a ver com uma mudança recente da gigante social, que eliminou o aviso quando um usuário compartilha uma foto do Instagram no Facebook, cortando uma potencial ponte entre os dois serviços. Uma terceira surgiu com a decisão de incluir push notifications no feed do Instagram chamando usuários para a rede azul, sugerindo uma relação desigual. Não há sinal de que ambos os desentendimentos escalaram para nada além de alguns posts raivosos na rede interna da empresa, no entanto.

Adam Mosseri, vice presidente de produtos do Instagram (Foto: Getty Images)

Embora trocas entre a dupla e Mark tenham sido no geral amistosa, a história pode ser diferente quando o assunto são outros pontos da liderança. O Techcrunch destaca a dobradinha entre o vice presidente de produtos do Instagram – e ex-Facebook – Adam Mosseri e Chris Cox, diretor de produtos do Facebook, que podem ter jogado contra o caráter autônomo da parceria. “Quando Chris começou a ser mais ativo e com Adam sendo parte da velha guarda do Facebook, ficou claro que as coisas não seriam tranquilas”, uma fonte anônima reporta ao site. “Eu vi que [Systrom] seria esmagado”.

Tudo ainda tem um ar de pura conjectura. Além do quê, é de se questionar se algo ocorreu que serviu como um ultimato para a dupla fundadora. Pode não ter sido o caso: Systrom voltou de licença paternidade pouco antes da notícia, um tempo livre para arejar a cabeça que poderia ter motivado a saída. Nenhum dos dois deu um porquê para a decisão, além de terem anunciado interesse em perseguir algo novo.

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Em um mundo ideal, aquisições como a do Instagram funcionam em duas frentes: para o Facebook, é a chance de diversificar seu portfólio e oferecer uma gama de serviços que mantenham seus usuários ativos na sua rede, e não no da concorrência. Para o Instagram, é uma injeção de capital extra e a chance de se manter autônomo enquanto faz crescer suas operações.

E a coisa parece ter funcionado bem. Kevin Systrom, como diretor executivo e Mike Krieger, diretor técnico, mantiveram suas posições na empresa que fundaram por sólidos seis anos depois da aquisição. Ter a chance de ver seus projetos crescerem é um motivo para que fundadores se mantenham no comando de suas empresas mesmo depois de suas compras. Mas não é algo que dura tanto tempo quando o assunto é Facebook: a dupla fundadora do WhatsApp – que passou por processo similar – abandonou o barco em quatro anos depois de concluído o processo de aquisição. Palmer Luckey saiu do comando da empresa de VR Oculus três anos após a compra – no caso, depois de um escândalo envolvendo comentários pró-Trump.  

De toda forma, e para além da saída de Systrom e Krieger, o Facebook encara uma questão importante: não é que a liderança esteja em risco no Instagram, mas a gigante agora enfrenta o desafio de manter a cultura da empresa que comprou viva e funcionando. Com o Facebook perdendo parte do público jovem, e o Insta sendo uma plataforma de importância para esse público, é preciso soltar um pouco o suposto ‘abraço de urso’, antes que vire abraço de afogado.  

Fonte oficial: GQ

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