A tensão entre China e EUA em 9 opiniões (e exclamações) – GQ

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Em questão de horas depois do anúncio de um ‘cessar fogo’ no embate tarifário entre EUA e China, mais um episódio tenso marcou a relação acidentada entre os líderes Donald Trump e Xi Jinping: Meng Wanzhou, diretora financeira e filha do fundador da gigante tech Huawei, foi presa no Canadá neste sábado (01) a pedido de Washington. Wanzhou e a empresa são acusados de violar acordo com o governo americano e vender equipamento para o Irã – o caso não se relaciona necessariamente com a guerra tarifária entre os dois países, mas sim a sanções comerciais impostas sobre o governo iraniano e seu programa nuclear. Mas a esta altura do campeonato, a distinção pode ser irrelevante.

O episódio está sendo descrito nos termos de ‘competição tecnológica’ e ‘escândalo diplomático’. Não à toa, há muito drama envolvido no caso. Abaixo separamos alguns trechos e algumas aspas que ajudam a medir a temperatura do momento:

“É uma estratégia incrível quando você observa sua audácia. Ela mostra a preopução cada vez mais profunda sobre a China em geral e a Huawei em particular” – Paul Triolo, da firma de consultoria em riscos Eurasia Group, Wired

“Os EUA precisam criar um inimigo imaginário, como a China, para demonstrar sua ‘influência’ sobre a comunidade global” – Fu Liang, especialista na indústria da telecomunicação, Global Times

“Apesar de informações incompletas a respeito do incidente, os EUA claramente se moveram contrários ao consenso estabelecido entre os líderes de estado da China e dos EUA na Argentina”Global Times

“Eles fazem isso [prendem] o tempo todo americanos que eles acham que estão espionando ou roubando segredos. Por que os EUA não podem jogar nas mesmas regras?” – Steven Blitz, economista-chefe para a TS Lombard, Valor

Pausa estratégica aí: a matéria não especifica qual o alvo preciso das críticas de Blitz, mas elas podem ter a ver com relatório divulgado no ano passado que cita de 18 a 20 fontes da CIA detidos ou mortos na China entre 2010 e 2012.

Huawei (Foto: Getty Images)

“Huawei é tecnologicamente mais forte que a ZTE e a situação é diferente da vez que a ZTE sofreu repressão dos EUA”Global Times

Explica aí: o jornal chinês se refere ao incidente entre o governo americano e outra das gigantes tech da China, a ZTE, no ano passado. Na ocasião a direção da empresa confessou terem vendido equipamentos ao Irão. Diferente do que aconteceu com a Huawei e Wanzhou, a pena foi uma multa de US$ 1,4 bi e uma proibição – ainda que temporária – que companhias americanas comprassem produtos feitos pela ZTE. 

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“Trata-se de uma estratégia de segurança nacional muito agressiva. O Irã é um pretexto legal. É muito difícil defender o argumento de espionagem contra qualquer indivíduo, mas a acusaõ contra a Huawei por desvio – vender produtos com componentes americanos em violação às sanções – era bastante óbvia e mais fácil de defender num tribunal” – Dennis Wilder, ex-especialista em China da CIA, Financial Times

“Os EUA não vão parar de combater o avanço da China no setor tecnológico e não vão cessar a hostilidade diante da estratégia ‘Made in China 2025’.” – Wang Yanhui, líder do Mobile China Alliance, Global Times

Aqui vale mais uma pausa: o ‘Made in China 2025’ é um plano de grande porte anunciado em 2015, que envolve bilhões de dólares de investimento em tecnologia. Ele inclui desde aviões e trens-bala produzidos localmente quanto grandes projetos de infraestrutura – como redes 5G e rodovias que carregam carros elétricos. A ideia de transformar a China em um país de mão-de-obra barata em uma nação de engenheiros, preocupa o governo Trump, já que a Casa Branca acredita que ele envolve ‘roubo de tecnologia americana’, e é central para entender a guerra tarifária.

“Seria como terem prendido o filho do Steve Jobs.” – Art Cashin, CNBC

“A conversa com a China está indo muito bem!” – Donald Trump, em seu Twitter

Fonte oficial: GQ

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