Airon Martin: “Trago um Brasil que não é definido apenas por estampas florais. Somos mais profundos” – GQ

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Airon Martin: “O novo só é possível quando nos unimos com nossas histórias diferentes” (Foto: Divulgação)

GQ Brasil: Neste diálogo entre moda, design e história que propõe, o que você aprendeu?
Airon Martin: Tentei pensar no que o brasileiro fazia de autoral nas casas e descobri que no interior nordestino existiam competições de pinturas e platibandas para esconder o telhado, e achei lindo. Os próprios moradores erguiam as fachadas com cores a base de cal, decoravam com símbolos autorais misturando linhas orgânicas com geométricos de forma simples e com resultados estéticos surpreendente. Aprendi a admirar ainda mais esse design vernacular que, de certa forma, faz parte da vida de todo brasileiro.

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GQ Brasil: Mostrar uma coleção em um desfile convencional não funciona para o seu pensamento com a Misci?
Airon Martin: Acredito que esse modelo precisar ser repensado. Na semana de design, apresentei todo o processo que me faz chegar em 1 modelagem e a decisão de um tom para a cadeira uni. Não que esse modelo desfile não funcione, mas sentia a necessidade de tornar essa exposição acessível e mais humana. Nas últimas semanas de moda no Brasil, presenciamos alguns acontecimentos que geraram discussão sobre o caminho desta indústria. 

GQ Brasil: Você é nascido no Mato Grosso e esta sua coleção-cápsula dialoga com artistas nordestinos. Esta união de mundos foi São Paulo que te trouxe?
Airon Martin: Na verdade, a forma que eu vejo um mundo possível de viver é somente através de conexões. O que eu precisava neste projeto era alguém com uma vivência diferente da minha, queria um contraponto. O novo só é possível quando nos unimos com nossas histórias diferentes. Eu me interesso pelo outro. São Paulo facilita isso tudo, mas essa necessidade sempre existiu em mim.

GQ Brasil: Existe em seu trabalho uma reflexão sobre o morar brasileiro. Acredita que o corpo também é uma morada?
Airon Martin: Acredito e é por isso que fiz a colaboração com a artista maranhense Tais Geburt, que pinta mulheres com véus em forma de casas (inspiradas nas mulheres ciganas que fazem de seus próprios corpos sua própria morada).

GQ Brasil: Antes de iniciar seu trabalho como estilista, o que chamava a sua atenção na moda brasileira?
Airon Martin: Iniciei minha carreira como designer de mobiliário e não entendia por que a moda brasileira não tinha a mesma repercussão. E não entendia por que a moda brasileira era definida por estampas de palmeiras e coqueiros. Um país que tem expressões culturais tão fortes e um modernismo tão forte. Por isso, trago o Brasil que não é definido apenas por estampas florais. Somos mais profundos que isso.

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Fonte oficial: GQ

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