Além do fogo, falta de verba e complicações estruturais assombram a Catedral de Notre Dame – GQ

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Ainda que, à altura desta publicação, o motivo exato do incêndio que tomou o sótão da Catedral de Notre Dame na tarde desta segunda-feira (15) seja incerto, é fato que sua história recente não tem sido das mais simples. A começar por: quem paga pela construção.

O governo é o dono da catedral em si, segundo leis francesas seculares, e a arquidiocese de Paris tem o direito de usá-la permanentemente e sem custos. Há uma obrigação financeira no entanto: é ela quem paga a manutenção do edifício. Segundo reporta a Time, a arquidiocese recebe algo em torno de 2 milhões de euros do Ministério da Cultura francês para reformas e consertos. O dinheiro, garante a equipe, cobre apenas ‘reparos básicos’, longe do necessário  para mantê-la em pé.

Esta dinâmica foi alterada em 2016, quando a Igreja criou um fundo (Amigos de Notre Dame) cujo objetivo é arrecadar 100 milhões de euros nos próximos dez anos para cobrir os custos.

Com mais de 854 anos nas costas e um longo período de construção (foram 200 anos para erguê-la), a catedral sabe bem os custos do longo prazo. Não foi pouca paulada. Parte de sua estrutura foi danificada pelos huguenotes no século 16, e novamente durante a Revolução Francesa, quando revoltosos retiraram pinturas e gravuras da catedral e as destruíram. Dias mais calmos – apesar do contínuo movimentos dos ‘coletes amarelos’ – não significam tranquilidade para o velho prédio: o estresse de 50 mil turistas ao dia entrando pelos portões é real.

Chamas atingem Catedral de Notre Dame nesta segunda (Foto: Getty Images)

O principal problema antes do incêndio, no entanto, era de outra natureza: o clima e a poluição. Fumaça coloca em risco o calcário que forma boa parte da catedral, e a erosão causada pela chuva não ajuda, em particular no caso das estruturas de chumbo das janelas. Parte dos gárgulas, que decoram a construção e também servem como calha, foram trocados por canos de PVC.

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Desde a Revolução Francesa, Notre Dame passou por apenas duas grandes reformas: em 1844 parte da estrutura foi revitalizada com cimento e pedra de baixa qualidade. Mais de um século depois, em 2017, o governo e a diocese entraram em um acordo que traria 60 milhões de euros em 10 anos para reformas. Seguiu-se então o projeto de revitaliazação focado na parte superior da construção, cujo trabalho retirou as estátuas de bronze dos doze apóstolos que decoravam a torre da catedral.

Fonte oficial: GQ

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