‘Ali não existe pai e filho’, diz Bruno Fagundes sobre dividir palco com o Antonio Fagundes – GQ

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Como é ter um pai famoso? Mas famoso mesmo, tipo Antonio Fagundes? Bruno Fagundes, seu filho, conta que é algo que determina a vida, mas de uma forma meio difícil de perceber. “Nasci dentro de uma vida que já era pública”, diz. “Então, de certo modo, não sei o que é ser diferente. Lembro de me frustrar ao perceber que meus colegas de colégio me conheciam sem eu conhecê-los de volta. Isso me assustava e me deixava irritado mas, eventualmente, fui percebendo as vantagens disso também”, conta o também ator, que falou com a GQ sobre as delícias e angústias de seguir a mesma carreira do pai.

Há de se imaginar que Bruno cresceu nas coxias e nos sets de gravação. “Sim! Como qualquer pai que prospera na sua escolha profissional, os meus sempre fizeram questão de me incluir (a mim e meus irmãos) na sua rotina de trabalho”, lembra. “Era algo curioso e divertido.”

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Bruno, que garante que seu pai sempre foi “um cara muito correto e tranquilo na hora de educar”, também tem uma mãe celebridade. Mara Carvalho é atriz, empresária, roteirista e dramaturga, e foi casada com Fagundes por 12 anos. “Meus pais se separaram quando eu ainda era muito jovem e morei com minha mãe durante a pré-adolescência. Então a parte mais pesada da educação sobrou para ela. Foi minha mãe quem teve que lidar mais diretamente com o adolescente rebelde que às vezes mostrava as caras. E que ia muito, mas muito mal na escola”, brinca.

Bruno e Antonio Fagundes juntos na peça 'Vermelho' (Foto: Gabriel Wickbold)

De sangue

A principio, ele não se via como ator, apesar de sempre se identificar com a arte. “Toco piano, faço aulas de canto e pintura desde muito cedo. Ais 13 anos já havia pintado mais de 20 quadros (que até hoje são disputados pela família) e tirado um ou outro Bach no piano”, conta rindo.

“Comecei a estudar atuação para lidar com minha timidez e descobri ali uma paixão. É algo que vem da minha alma”, conta o ator, que perguntado se existe algum personagem de seu pai que mais se assemelha a ele na vida real, diz que “felizmente, não. “Isso só comprova a genialidade do homem, um profissional de extrema versatilidade e muito bom observador do mundo ao seu redor. Ele fez muitos personagens variados, alguns com balizas morais meio fora da curva. Isso só o torna ainda mais especial como ator e, principalmente como pai.”

Conselhos

Os melhores conselhos que Fagundes pai deu para Fagundes filho são “leia e persevere”, que Bruno garante levar para o resto da vida, inclusive para usá-los quando trabalha ao lado do pai, como nas peças de teatro Vermelho, Tribos e Baixa Terapia, nas quais dividiram o mesmo palco. “Ali não existe pai e filho. Hoje completamos a nossa terceira peça juntos. Além disso, temos uma novela e um filme. Então desenvolvemos um canal estritamente profissional nesses momentos. Se fosse diferente, não daria certo”, explica.

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Fagundão avô?

Bruno filho um dia vai ser pai? “Confesso que isso não passa pela minha cabeça hoje”, conta. “Ainda preciso aprender a cuidar das minhas plantinhas (risos). Minha rotina é absolutamente instável, 24h é um período muito curto para um dia. Sou ligado no 220W e tenho mais uns anos ainda nesse ritmo. Quem sabe quando assentar um pouco essa ideia passe pela minha cabeça. Ainda é cedo pra saber”, conclui o ator.

Bruno está em cartaz com Baixa Terapia até abril em São Paulo, no Teatro TUCA (já com 200 mil espectadores), e parte para uma turnê por Portugal e EUA. Além disso, aguarda a estreia do longa Amigas de Sorte e está na terceira temporada da série 3%, da Netflix, prevista para o primeiro semestre.

Fonte oficial: GQ

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