André Abujamra vai lançar “Omindá”, seu álbum visual que tem a participação de artistas de 13 países, em fita K7 – GQ

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“Posso dizer que minha carreira tem um A.O./ D.O.  (Antes do Omindá / Depois do Omindá)”, dispara André Abujamra em entrevista exclusiva para a GQ Brasil ao falar de seu novo projeto – um disco-filme-show que une vozes do Brasil, Rússia, Japão, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Índia, Mali, França, Portugal, Bulgária, Jordânia e República Checa.

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A ideia do cantor, compositor e multinstrumentista, conhecido por misturar músicas, músicos e ritmos – como fez no duo Os Mulheres Negras (em que dividia o palco com Maurício Pereira na década de 1980) e no Karnak (de 1993) –, era criar “uma grande celebração da diversidade e da comunhão pela arte. Este foi o primeiro passo dessa fase de minha vida”, continua ele, que fará duas apresentações do projeto nos dias 18 e 19 de agosto no Sesc Vila Mariana, em São Paulo.

Assista ao clipe de “O Mar”, gravado em Mikonos (na Grécia) e Sofia (na Bulgária). Este é o primeiro single do álbum visual Omindá:

Omindá, a União das Almas do Mundo pelas Águas, o disco, vem de 11 anos de pesquisa de Abujamra (o álbum, com 15 faixas, foi lançado em 22 de março de 2018, no Dia Mundial da Água); ao vivo, a apresentação (que estreou com show no Auditório Ibirapuera, na capital paulista) traz filme-clipe que mostra as andanças e parcerias de André com cantores do, e no, mundo. “Foram tantos e tão especiais momentos que não tem preço que pague o que vivemos. Estar com Oki Kano no Monte Fuji, no Japão; em um parque em Nova Déli com Sharat e Rishab Prasanna; com Vozes Búlgaras em um estudo em Sofia; com beduínos no deserto ou com meus irmãos músicos daqui foi a grande emoção que conduziu Omindá”, reconhece o artista sobre a diversidade de sons, e a espontaneidade dos encontros, criados [todos projetados no telão durante as apresentações, tocando e cantando com a banda no palco].

Leia o bate-papo com o senhor das ondas musicais:

Como define o André Abujamra antes e depois deste projeto?
Posso dizer que minha carreira tem um A.O./D.O. – Antes do Omindá e depois do Omindá. Esse foi o primeiro passo dessa fase de minha vida. Agora já estou trabalhando no Emidoynã, que fala sobre o poder transformador do fogo.

O Omindá mostra a conexão e a união de estilos musicais de diferentes partes do mundo. Ele é um disco e um show-filme, mas também é um projeto de vida seu?
Com certeza, trabalhar com pessoas do mundo inteiro jogando tudo dentro de uma panela para fazer um mexidão sempre foi um projeto de vida desde que eu iniciei como artista. Esse lado ficou mais evidente quando lancei o Karnak [o primeiro disco da banda, homônimo, é de 1995] e voltou com força no Omindá.

Foi uma opção consciente lançar o projeto em suportes tradicionais como CD?
Minha vontade é lançar em todas as plataformas possíveis e existentes. Inclusive estamos fazendo uma edição bem restrita de fitas K7. O filme, o LP, o CD, o streaming são só parte da materialização do sonho de fazer Omindá chegar ao maior número de pessoas possível.

A Trupe Chá de Boldo participou do álbum. Além dos que estão no projeto, que outros músicos de hoje influenciam sua criação?
Adoro a Anelis Assumpção (ela gravou também), Curumim, Abayomi, Ava Rocha, O Terno, Wado, Metá, Moska. Muita gente boa e talentosa de todo lado.

André Abujamra e Anelis Assumpção no filme-show Omindá (Foto: Alex Rosa)

Falando um pouco de sua trajetória, em 2018 o disco Música e Ciência, de Os Mulheres Negras, completa 30 anos… É um álbum que trazia humor e também uma união de ritmos. Se você e o Maurício Pereira fossem gravar hoje, consegue prever se teria esta mesma pegada e referências parecidas?
Impossível dizer porque, quando estou com meu soul brother Maurício Pereira, tudo pode acontecer.  É o que mantém Os Mulheres vivos até hoje. As referências mudaram para nós dois, mas a vontade de misturar tudo permanece a mesma. Nosso encontro no palco sempre foi muito especial para mim, mas melhor deixar para algum especialista descrever. Tenho preguiça de muita teoria, gosto mesmo é de tocar.

Maurício Pereira e André Abujamra no lançamento de Omindá no Auditório Ibirapuera em São Paulo (Foto: Alex Rosa)

O nome da banda, Os Mulheres Negras, seria o mesmo, pensando que estamos em uma era de representatividade?
Esse nome surgiu no meio dos anos de 1980, tinha o estranhamento, mas no contexto da época não havia essas questões da representatividade. Hoje, provavelmente, surgiriam outras possibilidades de nomes e quem sabe mais polêmicas daqui há 30 anos.
 

Assista ao clipe de “Xangô Parô”, gravado em Petra e Wad Run (Jordânia), Montevidéu (Uruguay), Buenos Aires (Argentina) e em São Paulo (Brasil). A canção é de autoria de André Abujamra, Anelis Assumpção, Maurício Pereira, Martin Buscaglia e Mintcho Garrammone:

As parcerias de Omindá também levaram André a aparições especiais em outros projetos. Ele faz participação especial, neste final de semana, dias 04 e 05 de Agosto, do show da banda argentina Perotá Chingó, de Julia Ortiz e Dolores Aguirres (dupla que está no projeto visual de Abujamra), no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Omindá – A União das Almas do Mundo Pelas Águas
18/08 (sábado), 21h |19/08 (domingo), 18h
Teatro do SESC Vila Mariana
Informações: https://www.sescsp.org.br

Fonte oficial: GQ

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