Antônio Fagundes: “O teatro é a pátria do ator” – GQ

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Antonio Fagundes em Baixa Terapia (Foto: Divulgação)

Antônio Fagundes é um dos grandes expoentes artísticos do Brasil. São mais de cinco décadas dedicado a uma paixão que conheceu bem cedo: o teatro. E sobre todo esse tempo o ator, de perfil multifacetado, confessa: “Muitas coisas mexeram comigo. Muitas coisas me modificaram. E acho que vão continuar me modificando.”.

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Nesta quinta-feira (19), comemora-se o Dia Nacional do Teatro. Aproveitamos a deixa para bater um papo com o ator, que está em cartaz com o espetáculo Baixa Terapia. Antônio se abre sobre carreira, paternidade e os próximos projetos. Confira abaixo:

GQ Brasil: Conte pra gente como foi seu primeiro contato com o teatro. Foi paixão à primeira vista?

Antônio Fagundes: Comecei tão cedo que nem lembro mais (risos). Foi, sim, paixão à primeira vista. Eu me lembro que assisti a uma peça no colégio. O elenco estava montando um pequeno palco na quadra de basquete e eu ajudei eles na montagem. Eu estava sem aula naquele dia. Por eu ter ajudado, eles me deram o ingresso para assistir ao espetáculo e eu fiquei perdidamente apaixonado. 

Era uma peça do Molière, O Doente Imaginário, nunca vou esquecer deste texto maravilhoso. Isso foi por volta dos meus 10, 11 anos. Aos 12, eu já comecei a fazer teatro no colégio. Depois fiz teatro amador e infantil até eu me profissionalizar com 16 para 17 anos no teatro de arena.

GQ Brasil: O teatro é a arte que você mais se identifica?

Antônio Fagundes: Eu sempre digo que o teatro é a pátria do ator. É nele que o ator erra, aprende a ser humilde. É onde ele alça voo, se arrisca e pesquisa com profundidade. Mas fazer televisão é excepcional, uma delícia. Fazer cinema é muito gostoso também. Eu gosto de ser ator, não importa onde.

GQ Brasil: Você atua desde a década de 60 no teatro. O que mudou no Antônio sobre os palcos de lá pra cá?

Antônio Fagundes: Não sei dizer direito, mas mudou muita coisa. São mais de 50 anos no teatro. Muitas coisas mexeram comigo. Muitas coisas me modificaram. E acho que vão continuar me modificando.

GQ Brasil: Como vem sendo atuar ao lado do seu filho? O quanto você influenciou na decisão dele de atuar e o quanto ele aprendeu com você?

Antônio Fagundes: Eu tenho uma frase que diz “a experiência não se transfere”. Foi decisão dele. Eu tenho mais três filhos além do Bruno e nenhum deles quis seguir a carreira O Bruno quis. Naturalmente a gente apoiou como apoio os outros três – cada um na sua escolha. Eu fico feliz por ele estar curtindo a profissão dele. Ele tem o mesmo prazer, paixão e disciplina que a gente tem, então é muito bom ver essa alegria dele. Mas o mais gostoso mesmo, é a gente se descobrir como bons colegas de trabalho. Nós fizemos três espetáculos juntos e em seguida. Foram quase sete anos ininterruptos de trabalho no teatro. Além disso, fizemos cinema e televisão juntos. Foi uma delícia descobrir o Bruno como um excelente colega de trabalho.

GQ Brasil: Como você tem notado a reação do público Brasil afora com Baixa Terapia?

Antônio Fagundes: Estamos há três anos em cartaz com este espetáculo. Tivemos mais de 250 mil espectadores. Fizemos esta peça 368 vezes já. Falo estes números porque são excepcionais para a realidade brasileira, principalmente para o nosso teatro. Então a recepção do público tem sido a melhor possível. O público gargalha o espetáculo inteiro, sai modificado do teatro pois a peça trata de temas importantes das relações interpessoais. É um prazer estarmos completando quase 400 apresentações.

GQ Brasil: Você estará na produção de Carmen, A Grande Pequena Notável. Por que você decidiu produzir um musical infantil? O que te chamou a atenção no projeto?

Antônio Fagundes: Eu fui assistir à última apresentação deste espetáculo, que estava sem patrocínio e ia se encerrar. Eu fiquei tão encantado com ele que achei que ele não poderia terminar ali. Então, depois eu chamei a equipe, fizemos uma reunião e me propus a produzir a continuidade desta peça. Se vivêssemos num país sério, este espetáculo seria contratado para representar o Brasil junto a todo mundo que quer conhecer um pouco mais de nossa história.

GQ Brasil: O que o projeto apresenta de diferente de tudo o que já foi feito sobre a Carmen até hoje?

Antônio Fagundes: São pouquíssimas as pessoas que sabem alguma coisa da vida da Carmen Miranda. São pouquíssimas as pessoas que já viram ou ouviram ela. É uma personagem de extrema importância artística e cultural pro país e praticamente desconhecida por grande parte da população. A gente imagina que, com este espetáculo, as pessoas saiam do teatro com uma pequena vontade de conhecer um pouco mais sobre ela.

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Fonte oficial: GQ

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