Apaixonados por arquitetura e arte precisam conhecer essa casa

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Se há atualmente um endereço em São Paulo que é programa obrigatório para quem é ligado em arte e arquitetura, é o Auroras. Trata-se de um espaço independente que funciona numa casa modernista projetada por Gian Carlo Gasperini, em 1957, no bairro do Morumbi. Criado por Ricardo Ortiz Kugelmas, o Rica, advogado de formação que há tempos se dedica exclusivamente às artes plásticas, o lugar virou o talk of the town, sobretudo por conta das exposições que abriga, todas dignas dos principais museus e instituições culturais da cidade (ou de qualquer outra metrópole do mundo).

A história fica ainda mais interessante quando Rica explica por que está instalado ali, coisa que faz com todos os visitantes que chegam. O endereço era a casa de seus avós maternos, onde ele passou a infância. “Vinha almoçar depois do colégio”, recorda. Ele decidiu ocupar a propriedade da família, que estava fechada havia uma década, assim que voltou de Nova York, onde morou por nove anos e foi diretor do ateliê do artista plástico Francesco Clemente.

Auroras (Foto: Rafael Jacinto)
Auroras (Foto: Rafael Jacinto)

 

Além de abrir o Auroras, Kugelmas optou por morar na casa – o que dá charme único ao lugar. Ele instalou-se no segundo andar, onde ficam os quartos e o escritório, e usa a copa da cozinha para as refeições. Todo o resto fica vazio, com as obras expostas na ampla sala de onde se vê o jardim com a piscina vazia, que, na abertura, três anos atrás, serviu de locação para a obra Volume Morto, de Lenora de Barros. “A imagem de uma piscina vazia é sempre impressionante”, diz a artista em um dos vídeos no site da galeria.

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Além do impacto visual, dá para andar, correr, se sentar ou deitar na rede de proteção da piscina, que foi uma ideia da artista mineira Valeska Soares. “Na época que esvaziei, estávamos no auge da crise hídrica e, depois, nunca enchi”, conta Rica. A biblioteca onde expõe parte de sua coleção particular é outro must-see (não deixe de pedir um tour, pois há obras como a série de fotografias Poema, de Lenora, que atualmente integra também a exposição Mulheres Radicais, na Pinacoteca de São Paulo).

Seguindo o calendário de excelentes exposições que já contou com nomes do calibre de Tunga e da pintora britânica Cecily Brown, o Auroras apresenta, até 6 de outubro, Antonio Dias, que morreu mês passado deixando legado da maior importância. Organizada em parceria com a Galeria Nara Roesler, a expo reúne 15 obras produzidas entre 1980 e 1989, a maioria inédita. “Ele era muito próximo, conselheiro do Auroras”, conta Rica, que o conheceu, cerca de 20 anos atrás, na casa de sua tia, a estilista Lenny Niemeyer, famosa por reunir em seus almoços dominicais a nata do circuito cultural do Rio. Tunga foi outro amigo que Rica fez na casa de Lenny: “Ele foi o principal incentivador para eu abrir o Auroras”. Não por acaso, os belíssimos desenhos de Tunga expostos por lá também valem a visita.

Fonte oficial: GQ

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