Após sucesso em Toronto, Claes Bang fala sobre viver Drácula na Netflix – GQ

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Claes Bang (Foto: Divulgação)

Se você ainda não ouviu falar do ator dinamarquês Claes Bang, isso vai mudar.

Nos últimos dois anos, desde que The Square – aquela deliciosa sátira sueco-dinamarquesa sobre o mundo da arte – ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2017, entre séries e filmes, ele fez o equivalente a oito longas.

Além de vilão em A Garota na Teia de Aranha, inspirado na saga Millenium de Stieg Larsson, participou da 5ª temporada da série The Affair, e em setembro apareceu no Festival Internacional de Cinema de Toronto, o TIFF, com dois novos filmes: Lyrebird e The Burnt Orange Heresy, com ninguém menos do que Mick Jagger no elenco. Ambos curiosamente ligados ao mundo da arte, já têm distribuição global e devem chegar ao Brasil em algum momento dos próximos meses. Em janeiro, estreia Drácula, série da BBC/Netflix, com ele no papel-título da maior obra de Bram Stoker.

Não é muita coisa? “Quero usar esse momentum, porque ele pode não voltar. Tentei encaixar os projetos de que gostei, para ver se dava para fazer todos”. Nos dez meses de filmagem entre The Affair e Drácula, só ficou em casa uma semana. Em outubro, começa a rodar Earnest, tragédia francesa em que interpreta um golpista. Em 2017, Bang já acumulava 20 anos de carreira – inteiramente dedicados à televisão e ao teatro dinamarqueses.

Aos 52 anos e quase atraente demais, como um James Bond das antigas, alguns críticos no TIFF se perguntavam por que, até hoje, não tinha feito uma comédia romântica. “Ele é o típico personagem alto, moreno e atraente”. The Square, The Burnout Orange e Lyrebird lidam todos com o mundo da arte – o que, ele garante, é pura coincidência. Depois da sessão de Lyrebird, uma mulher se levantou dos últimos assentos para chegar à primeira fileira e dizer que aquele era um filme perfeito – outros esperaram e pediram fotos, mostrando que a fama avançou nesses últimos anos.


Claes Bang (Foto: Divulgação)

De volta a Copenhagen depois dos festivais de Veneza e Toronto, Claes falou por Skype com a GQ Brasil sobre seu momentum, interpretar o Drácula e contracenar com Mick Jagger.

GQ Brasil: Nos seus dois últimos filmes em Toronto – e mesmo The Square – você interpreta personagens conectados com o mundo da arte. Por que você acha que isso aconteceu?
Claes Bang:
Pura coincidência. Também, isso é apenas a definição do que os personagens fazem, não o papel em si. O papel é o homem, o que acontece em sua vida. A série The Affair não se passa no mundo da arte, Drácula tampouco.

GQ Brasil: Em The Square e The Burnt Orange Heresy” os dois personagens percorrem uma trajetória parecida, saindo de controle e, pelo menos no caso de The Square, chegando a uma espécie de redenção…
Claes Bang:
Não vejo Christian [o curador do museu de The Square] sendo levado a fazer o que James [The Burnt Orange Heresy] faz. O primeiro personagem tem uma moralidade bem dúbia. Já Christian não é ambicioso a ponto de matar alguém.


Claes Bang (Foto: Divulgação)

GQ Brasil: Em The Burnt Orange Heresy, começamos gostando muito de você, e depois, quase de repente, passamos a odiar o personagem…
Claes Bang:
Acho que não estou tentando fazer o público gostar ou não de mim. Tento achar algo no personagem com que possa me identificar, e colocar o máximo de mim nisso, para que se torne verdadeiro. No que diz respeito a James, me conecto com o fato de ser ambicioso. Ele está querendo restabelecer o próprio nome e retomar o caminho. Ele realmente quer ser alguém. Espero que a ambição não me leve aonde o levou [risos], mas quando aceito fazer um papel como esse, quero ser meu melhor absoluto. As cenas com Elizabeth [Debicki, que faz a namorada no filme] são cenas em que você quer mergulhar, pois são escritas de forma brilhante. Gosto de achar algo que possa tocar – com que me relacionar. O público vai fazer o que quiser – gostar do meu personagem ou não.

GQ Brasil: Depois da sessão de The Burnt Orange Heresy, alguns críticos ficaram na sala, e um deles me pediu para explicar o filme. Fostaria de saber sua opinião sobre os mosquitos que recebe num envelope, em uma das últimas cenas.
Claes Bang:
Acho que você se pergunta, é de verdade? Parece quase um sonho: como o outro personagem conhecia a história dos mosquitos? O tema se repete algumas vezes no filme, como parte de realismo mágico. Pode ser que apenas ele enxergue os mosquitos, e o envelope esteja na verdade vazio.

GQ Brasil: Deve estrear em breve a série Drácula, da BBC/Netflix. Quais são suas expectativas para o projeto?
Claes Bang:
Só posso dizer que trabalhamos duro e o roteiro é incrível. Está tudo nele. Foram quase seis meses filmando – cada episódio tem uma hora e meia de duração, então foi como se tivéssemos feito três longas.

GQ Brasil: Em uma das entrevistas, o produtor disse que só tinha você em mente para o papel.
Claes Bang:
Não sou a pessoa certa para responder a essa pergunta [risos]. Fizemos um casting longo, então parece que ele estava certo.

GQ Brasil: E você, por que aceitou a papel?
Claes Bang:
A primeira coisa foi o roteiro. Os escritores são brilhantes. Há algumas tomadas interessantes sobre o Drácula. Eles respeitaram o personagem clássico. Mas há twists. Para mim, o personagem era fundamentalmente bidimensional. O roteiro o tornou tridimensional. Espero que ele pareça uma criatura real, e não um monstro sanguessuga, e seja algo com que as pessoas possam se relacionar.

GQ Brasil: Lendo as matérias, pensei em Entrevista com o Vampiro, adaptação do livro de Anne Rice para as telas com Brad Pitt, Tom Cruise, Antonio Banderas, 25 anos atrás… É como se vampiros virassem cool de novo.
Claes Bang:
Vi todos os filmes de drácula e vampiro para me inspirar. Não posso dizer muita coisa, mas o roteiro é engraçado. Esse Drácula tem senso de humor. O que é interessante, porque tem um lado bem obscuro.


Claes Bang (Foto: Divulgação)

GQ Brasil: Têm sido dois anos bem agitados desde The Square
Claes Bang:
Nesses dois anos, só fiz trabalhar e viajar. The Square abriu muitas portas, de repente comecei a receber ofertas e roteiros do mundo todo. Quero usar esse momentum, porque ele pode nunca mais voltar. Tentei encaixar os projetos de que gostei, para ver se dava para fazer todos. Ano passado, fiz quatro longas, e este ano, The Affair e Drácula. Desde janeiro de 2018, entre séries e filmes, fiz o equivalente a oito longas. Vou tentar descansar mais entre projetos, mas por enquanto é tudo tão interessante…

GQ Brasil: Você está trabalhando em algo novo agora?
Claes Bang:
No começo de outubro, vou rodar Earnest na França. Faço um golpista vivendo em uma das ilhas inglesas, enganando turistas, até que a filha do personagem aparece. Ele tenta ser um bom pai, mas tudo dá incrivelmente errado.

GQ Brasil: Uma coisa que me deixou curiosa foram as suas cenas com Mick Jagger. Você não pensou: nossa, estou contracenando com Mick Jagger?
Claes Bang:
Não, você não pensa nisso. Se eu ficasse ali e de repente pensasse, é Mick Jagger, seria horrível. Esqueceria minhas falas. No dia da filmagem, ele é apenas outro ator – isso pode soar chato ou arrogante, mas a ideia é outra – você faz a cena, e trabalha com atores, sejam eles Elizabeth Debicki, Vicky Kriepps, Guy Pearce ou mesmo Mick Jagger.


Claes Bang (Foto: Divulgação)

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Fonte oficial: GQ

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