“Artistas devem usar sua influência para falar de questões sociais”, diz Caio Paduan – GQ

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Caio Paduan vive seu primeiro protagonista nos cinemas em Estação Rock. Sobre o longa dirigido por Pablo Loureiros ele comenta: “O Osso [a personagem dele inspirada em músicos como Frejat e Cazuza] é um grande vocalista, além de um ser humano complexo em busca de seus sonhos. Este é meu primeiro trabalho em que canto, então a entrega se multiplica. Porque preciso atuar e cantar no mesmo espaço de tempo – o que é divertido, mas bem intenso”, diz ele ao comentar as cenas do filme que tem estréia prevista para este ano.

O ator também voltou recentemente às telinhas como o Quinzinho (de Verão 90, a novela das 7 da Rede Globo): “Ele é um cara muito alegre que costuma estar sempre de bem. Porém, por ter nascido em uma família abastada financeiramente e ter crescido sem limites, age exclusivamente pensando em si próprio e ainda vive esbanjando seus privilégios. É um jovem inconsequente que vai levar duro da vida para aprender a ter empatia e respeito pelo próximo.”

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Caio Paduan (Foto: Sergio Baia / Divulgação /  Styling: Luiza da Mata )

Em conversa com a GQ Brasil, o artista relembra o início de carreira e fala da importância de ter tido acesso à cultura na sua formação – “foi através do cinema e da literatura que comecei a me apaixonar pela arte”, recorda. Já sobre a torcida dos fãs pelo seu casamento com a jornalista Cris Dias? Ele agradece o carinho.

GQ Brasil: O que mais importa em um papel? Artistas têm a função de tocar em questões que o público precisa discutir?
Caio Paduan: Em uma personagem, para mim, o que importa é que ela se mantenha sempre em função da trama, sirva como espelho e seja capaz de fazer enxergar e tocar as pessoas, ou simplesmente diverti-las. Acredito que a arte por si só é um meio para fazer refletir e tentar uma troca com aqueles que se permitem, ou até mesmo com quem não está aberto, mas inevitavelmente fora atravessado. Os artistas devem e podem, sim, usar sua influência para falar de questões sociais importantes [como Caio fez, fora dos palcos e telas, ao publicar lamento após a tragédia em Brumadinho]. Se buscarmos na história, o artista sempre teve esse papel, não é mesmo?! Não é uma novidade. É um dever. É necessário sempre termos debates saudáveis e transformadores.

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GQ Brasil: Antes de se tornar ator, que obras tocaram você e o levaram a esta decisão?
Caio Paduan; Lembro de filmes que assistia com meus pais como A Lista de Schindler [de Steven Spielberg] e Papillon [de Franklin J. Schaffner], por exemplo. E desde pequeno sempre fui ao teatro. Os meus pais fizeram questão de me apresentar todas as formas de arte – era um passeio que eu adorava. Hoje entendo que foi através do cinema e da literatura que comecei a me apaixonar pela arte. Dentre algumas, uma obra marcante na minha adolescência e que influenciou diretamente na minha paixão pela dramaturgia foi O Auto da Barca do Inferno, peça de Gil Vicente. Montei junto ao meu professor de literatura e mais alguns colegas que toparam ser “atores” junto comigo. Foi a minha primeira montagem teatral mais “séria”, digamos. Depois disso, quando comecei a estudar de fato, posso citar teatro grego que foi uma paixão e a obra de Nelson Rodrigues. Não à toa, me formei interpretando Arandir no espetáculo O Beijo no Asfalto

GQ Brasil: Se você pensar sua carreira em 10 anos, onde quer estar?
Caio Paduan: Quero, primeiramente, estar com saúde e trabalhando. Se tudo der certo, sairei do palco da vida, em cima dele. Espero aprender mais ainda com meus futuros personagens e viver histórias que possam inspirar.

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GQ Brasil: O que acha do público que torce por você e pela Cris Dias [a quem ele se declarou recentemente com a frase “No seu colo é o meu abrigo”]? Esta torcida te faz bem?
Caio Paduan: Agradeço pelo carinho. Uma torcida que é positiva nos deixa felizes, não é mesmo? E assim estamos.

Fonte oficial: GQ

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