“Às vezes eu até esqueço que a Beyoncé é a Beyoncé”, diz Luana Quaglia, supervisora pessoal de grandes artistas – GQ

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Beyoncé, Rihanna, Seal, Bruce Springsteen e Ivete Sangalo. Você reconhece esses nomes? Luana Quaglia os conhece bem de perto. Ela tem apenas 32 anos e é supervisora de grandes artistas (artist supervisor, em inglês). Todos os nomes citados acima já estiveram sobre os cuidados de Luana durante shows pelo Brasil e mundo. Ela é aquela pessoa que realiza os desejos mais curiosos (e quase secretos) de todos eles.

Inserida no meio musical desde pequena, Luana cresceu afinando os ouvidos com as notas tocadas pelo pai baixista dentro de casa, mas confessa não tocar nem um instrumento ou cantar. A paixão pela música se encontrou com a vida profissional aos 24 anos, quando produziu o primeiro show da vida. De lá para cá, ela já se tornou, além de artist supervisor, empresária e assistente pessoal de artistas musicais. Apesar da pouca idade, ela têm consciência da importância do seu trabalho na vida de um cantor, mas mantém o pé no chão. “Eu sinto que devo ter muita responsabilidade, muito foco. Mas sei que ainda tenho muito a aprender”, disse em entrevista exclusiva à GQ.

Entregar a toalha para a Beyoncé durante o show ou correr atrás do mel orgânico para o Seal colocar no chá pode ser um sonho para alguns e uma tarefa muito fácil para outros. Mas, acredite, Luana faz tudo isso e mais um pouco. Ela é a pessoa que faz o desejo de artistas acontecerem em um piscar de olhos. Batemos um papo com a supervisora,  descobrimos que Rihanna não é tão festeira quanto parece e muitas outras curiosidades sobre os batidores de um show. Leia a conversa completa abaixo:

Você já trabalhou com artistas de grande popularidade. Como surgiu o convite ou espaço para trabalhar com a Beyoncé?

O primeiro job com ela foi contato. Um amigo comentou que tinha uma vaga aberta para trabalhar no Rock in Rio (2013) como tradutora, ou seja, ajudar a produção dela, que não fala a língua local, a se comunicar com a equipe do festival ou o que precisasse em português. E eu me interessei porque eu já sabia que a Bey estava vindo participar. Quando consegui o cargo, eu coloquei na minha cabeça que eu não estava ali apenas para traduzir e sim para tudo que ela precisasse, nem que eu tivesse que abdicar do meu sono. E foi isso que eu fiz. Eu trabalhei com ela 1 semana e sempre perguntando “Vocês precisam de algo? Alguma ajuda?”. Então, eu consegui criar uma relação com a equipe que vai além do profissional. Depois disso, criei uma relação maravilhosa, que mantenho até hoje, com o tour manager dela, que é o Alan Floyd.

Como é a Beyoncé no palco e fora do palco?

Ela é incrível. Um talento extraordinário. Não é a toa que ela está onde está hoje. Ela faz parte de tudo que acontece no show dela. Ela se envolve em todos os detalhes. Educadíssima com toda a equipe, dentro e fora do palco. Em qualquer ensaio, por exemplo, ela tem a delicadeza de pedir coisas com um tom de voz fofo e ao mesmo tempo super profissional.

Há inúmeras notícias na mídia comentando sobre a exigência dela nos shows. Qual o nível de perfeição que ela impõe para a equipe?

Alto. Ela escolhe a equipe inteira a dedo e espera que todos façam um bom trabalho assim como ela dá o melhor de si quando está trabalhando. Às vezes, no meio do ensaio, ela para e chama a pessoa que está cuidando la luz pelo microfone para palpitar no que ela acha que deveria ser, sempre mantendo o máximo de educação.

Você também trabalhou com a Rihanna pessoalmente. Ela é tão festeira quando vemos nas redes sociais?

Cara, não! A Rihanna, quando eu cuidei dela durante os shows no Rio de Janeiro, ficou tranquila no hotel, cuidando da voz, se exercitando. Achei ela bem profissional e um doce de pessoa, super próxima da equipe. Aliás, esbarrei com ela no banheiro de um restaurante em um dia em Nova York e, acredite, ela lembrou de mim e me agradeceu por todo meu trabalho e cuidado com ela.

 (Foto:  )

Você que cuida de todos os pedidos dos artistas em shows? Já teve algum pedido diferentão?

Aqui no Brasil sim, sou eu. E, geralmente, eu consigo. O Seal, já pediu algo muito específico: um mel orgânico para colocar em seu chá, necessário no camarim dele. Uma outra grande artista, que não posso citar, encontrou um catálogo de joias em cima da mesa no camarim dela e ela amou um dos colares. Eu fui atrás do colar consegui bem rápido. Dependendo do artista, os designers fazem de tudo para entregar o produto pra eles por conta de divulgação e reconhecimento, né?

Uma curiosidade: os agentes dos artistas se conhecem? Se sim, é pelo whatsapp mesmo ou tem algo mais específico?

Alguns se conhecem, sim. Nos festivais gringos existe um local chamado “Partner Area”, totalmente restrito para negócios, onde entram apenas os agentes, que são as pessoas encarregadas de fechar os shows, e os empresários. É permitida a entrada de apenas 60 pessoas na sala. Em alguns eventos ou festivais, só eles sabem onde esse local fica e a pessoa que cuida da porta sabe o rosto de cada um dos convidados. É um local para fechar negócios e trocar informações. Existem agentes que vão para os festivais mesmo que o artista não esteja escalado para tocar. Eles vão para conhecer a vibe, entender a organização e, claro, fazer um social com os representantes de outros artistas. Acredite: muitos deles vão à convite do dono do festival.

 (Foto:  )

Como é ser tão jovem e ter grandes nomes da música mundial dependendo de você durante uma turnê ou apenas em um show?

Eu me sinto muito agradecida. Leio muito sobre gratidão e eu só tenho agradecer a toda base que eu tive pra isso acontecer porque é um mundo mágico. É muito louco que, às vezes, eu to tão focada no trabalho que eu esqueço que a Bey é a Bey. Não sei nem o que dizer. Apenas agradecer.

E quais são as suas perspectivas pro futuro?
Eu tenho desejo de sair em turnê com as grandes artistas no futuro, mas a parte burocrática por trás disso é muito mais complicada do que qualquer um pode imaginar. Já no Brasil, estou cuidando da carreira da cantora Tassia Holsbach, nova voz da música brasileira, como empresária e tenho um projeto grande pela frente com o pessoal do Villa Mix Festival, em Goiânia, onde vou cuidar pessoalmente de dois artistas internacionais, que são Nick Jonas e Shaw Mendes, que estão super estourados aqui no nosso país. Minhas expectativas estão grandes.

Fonte oficial: GQ

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