Autores convidados da Flip elegem os livros que levariam para uma ilha deserta – GQ

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Uma das mesas de que mais gosto na Flip é a Livros de Cabeceira. Tradicional, sempre fecha a Festa, com alguns dos principais convidados do ano lendo trecho do livro que levariam para uma ilha deserta. Foi durante essa mesa que descobri alguns dos meus livros favoritos, como Os Treze Relógios de James Thurber, lidos pelo britânico Neil Gaiman em 2008.

Na 16ª Flip não foi diferente. Liz Calder, idealizadora do festival, reuniu sete dos escritores participantes, dois deles brasileiros: o estreante Geovanni Martins e Djamila Ribeiro. Alain Mabanckou, considerado o Beckett africano, abriu a sessão com O Menino Negro, de Camara Laye, publicado nos anos 50 e considerado um dos textos-base da literatura africana.

A portuguesa Isabela Figueiredo, autora de A Gorda veio depois, com um pedido bem-humorado: Leiam Adilia Lopes. Leu alguns poemas da poeta portuguesa, como este: “Para foder, nestes tempos que correm, parece que é preciso um escafandro. As pessoas pensam muito em foder. E sofrem muito quando não fodem. Quem não pensa em foder está fodido. Mas as pessoas fodem e não são felizes”.

Mesa "Livro de Cabeceira" na Flip (Foto: Walter Craveiro)

O russo Tchekhov está em alta, talvez porque Paraty seja ideal para amantes do autor, como disse Simon Montefiore. A franco-marroquina Leila Slimani, que já tinha manifestado sua paixão por Tchekhov na coletiva de imprensa, leu O Medo; e Simon Montefiore, o começo e o fim de A Dama do Cachorrinho. Ele completou dizendo que todo caso de amor é sua própria civilização.

A argentina Selva Amada leu Janeiro, da também argentina Sara Gallardo, enquanto Geovanni Martins optou por Mundo Grande, de Sentimento de Mundo, de Carlos Drummond de Andrade. Disse ainda que não era o livro que levaria, mas o poema que levaria dentro do livro.

Djamila Ribeiro disse que não conseguiria levar um único livro, mas escolheu Maya Angelou para a leitura.

A Flip se encerrou com os agradecimentos de Liz Calder aos autores e a todos que fazem a festa possível – como os tradutores simultâneos e toda a equipe Casa Azul, o povo de Paraty e, claro, o público.

Do lado de fora do Auditório da Matriz, alguns manifestantes clamavam por “Lula Livre”. Pelo menos, do lado de dentro, resolveram falar só de literatura.

Fonte oficial: GQ

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