Avanço tecnológico pressiona o mercado dos diamantes – GQ

18

A De Beer, conglomerado londrino central para o comércio de diamantes, começou 2019 com notícias não muito brilhantes: o fluxo de diamantes brutos vendidos pelo grupo diminuiu em 25% no início do ano durante o primeiro de seus dez ciclos de vendas e leilões anual, sinalizando uma desaceleração na demanda base do mercado.

A perda de fôlego do crescimento chinês é um fator – como costuma ser quando o assunto é a indústria de luxo. Vale lembrar: o país é o segundo maior mercado para pedras preciosas no mundo, logo atrás dos EUA, e o terceiro quando o assunto são artigos luxuosos.

O outro elemento importante é a produção de diamantes de laboratório, geralmente vendidos a preços de 20 a 25% menores que a média e produzidos a baixo custo, que pressionam empresas mais tradicionais do setor no campo de produtos de menor valor.

A notícia do recuo veio algumas semanas depois da Tiffany Co. reforçar compromisso de tornar transparente a origem dos diamantes naturais a partir de 0,18 quilates que usa em suas peças. A marca tem influência direta no processo de lapidação, mas não na mineração, transporte e corte do diamante bruto, um processo sobre o qual consumidores costumam ter pouca informação – a própria De Beer anunciou apenas este ano iniciativa similar.

A decisão da marca foi reforçada por Andy Hart, vice presidente sênior de diamantes e joalheria da Tiffany Co., em entrevista recente: “Acho que consumidores de luxo vão continuar a desejar a raridade e as histórias incríveis dos diamantes naturais.”

Diamante (Foto: Reprodução / Instagram)

Mas talvez parte do futuro da indústria esteja longe de minas instaladas em países vistos como exóticos: fundada em 2015, a startup americana Diamond Foundry transforma lascas de diamante em produtos refinados dentro de complexos industriais em São Francisco e Washington, utilizando uma máquina que imita os milênios de pressão que, na natureza, dá origem às pedras. São 10 mil quilates produzidos ao ano, com pegada neutra de carbono.

+ Este gráfico mostra como a discussão sobre mudança climática evoluiu com o tempo
+ Homens podem ser os mais atingidos pela era da automação
+ Por dentro da cidade que está mudando a ideia do ‘Made in China’

Outra empresa do setor também criada em 2015, a Ada Diamonds, é capaz de produzir pedras preciosas usando apenas “o sol, o vento e o carbono abundante disponível”, segundo escreve o CEO Jason Pyne em texto-resposta sobre a colocação de Hart. O processo, segundo ele, transforma metano (um gás nocivo para a atmosera) em matéria-prima e usa 250kwh de energia para a produção de um diamante de 1 quilate – é o que seria preciso para carregar a bateria de um Tesla duas vezes e meia. Como empresas do Vale do Silício, como Facebook e Google, Ada utiliza fábricas instaladas próximas de fontes de energia renovável.

Em relatório divulgado ano passado, a firma de pesquisa de mercado Bain & Company projeta que o impacto do diamante de laboratório sobre o comércio de diamantes naturais possa ser no máximo em 5% ou 10% do valor de mercado até 2030, ainda que considere a tecnologia entre os três movimentos mais disruptivos da indústria. Por outro lado, um levantamento de 2016 projeta que as pedrinhas de laboratório respondem a 1% do mercado, que então movia US$ 14 bilhões.

“O consumidor americano, e não o lobby do diamante de mineração, determina o futuro do luxo, e a verdade é que a demanda deles está crescendo em ritmo maior que fabricantes de diamantes são capazes de suprir”, sugere Jason Pyne, CEO da Ada.

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários