Best-seller do marketing de celebridades garante: “O ódio é símbolo de status” – GQ

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O autor e publicitário Jeetendr Sehdev (Foto: Ben Harries)

O publicitário inglês Jeetendr Sehdev entrou para a lista de best-sellers do The New York Times com O princípio Kim Kardashian: porque a falta de vergonha vende (e como fazer isso da forma correta) – em tradução livre, já que o livro ainda não foi lançado no Brasil. Misto de autoajuda com dicas de marketing, o livro tem como mensagem principal que, em tempos de incerteza, todos devemos nos concentrar no que acreditamos e no que desejamos criar, independentemente da reação dos outros.

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A partir de seus estudos, Jeetendr acabou se tornando uma autoridade em branding de celebridades, o que no mundo de hoje inclui os influenciadores, claro.

Em entrevista exclusiva à GQ, ele fala da musa Kim Kardashian, dos brasileiros Felipe Neto – “ótimo, sem filtro” – e Whindersson Nunes – “o mais fodão de todos” – e garante: “O ódio é símbolo de status.”

GQ: Você imaginava chegar onde chegou?
Jeetendr Sehdev: Na verdade não. Eu sempre soube que viveria minha vida no centro das atenções, mas não sabia que forma isso seria – eu seria ator, modelo ou apresentador? Fui votado como “provavelmente mais famoso” na escola, então suponho que estava um pouco destinado a Hollywood.

GQ: Você escolheu o nome de Kim Kardashian para o título de seu livro “O princípio de Kim Kardashian: por que vergonha vende e como fazer certo”. Na sua opinião, por que ela é a pessoa que melhor representa o perfil real das celebridades?
Jeetendr Sehdev: Kim Kardashian é uma nova líder mundial e uma força cultural a ser reconhecida. Ela é uma verdadeira pioneira que está nos mostrando uma nova maneira de viver através das redes sociais e precisamos começar a reconhecer isso. Por isso, batizei meu livro de Kim Kardashian Principle. Além disso, Kim é uma mulher muito forte e eu sempre fui atraído por mulheres fortes.

GQ: Você acredita que as celebridades devam se tornar ativistas para manter seus lugares como influenciadores?
Jeetendr Sehdev: Somente se elas querem dizer isso. Não acho que elas devam fingir sua paixão por causas sociais ou políticas. Tudo bem se você não é tão social ou politicamente focado, todos têm seus próprios interesses e você precisa descobrir o que realmente o leva na vida. Além disso, hoje o público-alvo ajustou detectores de autenticidade com precisão e, se não estiver realmente alinhado com seus valores, eles capturam.

GQ: Você acha que celebridades e influenciadores como conhecemos hoje podem desaparecer?
Jeetendr Sehdev: De jeito nenhum. Acho que os influenciadores continuarão a crescer em popularidade. Eles já são maiores do que celebridades tradicionais como Brad Pitt e Jennifer Aniston entre as gerações mais jovens. Até as maiores figuras políticas do Brasil adotaram o Twitter. Graças às mídias sociais, qualquer pessoa pode ser uma estrela e todo mundo tem uma plataforma para criar uma audiência. Não vejo futuro sem eles.


Capa do livro de Jeetendr Sehdev (Foto: Reprodução)

GQ: Como os títulos de revistas, ou a chamada mídia tradicional, podem manter seus clientes com uma oferta tão grande no Instagram de influenciadores?
Jeetendr Sehdev: Ainda acho que há espaço para revistas e todas as formas de mídia para criar experiências interessantes para os consumidores. Eu acho que as revistas precisam se reinventar para um novo mundo e um novo leitor que consome conteúdo de uma maneira diferente. Mas isso é uma coisa boa. Mudar é bom.

GQ: Você conhece o youtuber brasileiro Felipe Neto? Se sim, por que acha que ele é um sucesso tão grande?
Jeetendr Sehdev: Claro que sim. Eu acho que Felipe Neto é ótimo, seu irmão Luccas Netto também é brilhante e talentoso. Seu poder vem de seu conteúdo original, sendo único, sem filtro e com expressões faciais incríveis!

GQ: Existe algum outro influenciador brasileiro que chamou sua atenção?
Jeetendr Sehdev: Whindersson Nunes definitivamente chamou minha atenção. Ele pode muito bem ser o Youtuber brasileiro mais fodão de todos. Seu canal tem quase 37 milhões de assinantes, ele sabe como se soltar e, cara, ele tem ritmo!

GQ: É possível existir influenciadores sem haters?
Jeetendr Sehdev: Não tenho certeza. Eu acho que o ódio hoje é um símbolo de status. Todos receberam voz graças às mídias sociais e, só porque alguém não concorda com sua opinião, não merece ter sua voz tirada. Eu consideraria esse ódio como uma forma de envolvimento. Eles notaram você, consideraram sua opinião e estão reagindo a você – embora de uma maneira não tão agradável.

GQ: Por que você escolheu o combate à escravidão moderna como propósito?
Jeetendr Sehdev: Cheguei a um ponto em que eu realmente queria fazer a diferença. Quando percebi que milhões de pessoas estavam ouvindo o que eu tinha a dizer, senti a necessidade de usar minha plataforma para o bem. Então, comecei a trabalhar para aumentar a conscientização e ajudar a ONU a acabar com a escravidão moderna até 2030. Existem mais de 40 milhões de escravos no mundo, com centenas de milhares deles nos EUA e no Reino Unido. A escravidão moderna é o maior crime contra a humanidade e precisa parar.

GQ: Você também está envolvido em questões ambientais?
Jeetendr Sehdev: Eu me tornei cada vez mais consciente das questões ambientais ao longo dos anos. Eu amo como Leonardo Di Caprio é um advogado tão apaixonado. Não como carne, que ajuda a reduzir as emissões de CO2 e metano, escolho produtos ecológicos sempre que posso e sempre fico assustado com a minha pegada de carbono porque viajo tanto que escolho as companhias aéreas adequadas. Mas os incêndios na Amazônia para mim foram devastadores. Não apenas para a vida humana e animal, mas para todo o planeta. Como chegamos até aqui? Por favor, assumamos uma maior responsabilidade coletiva pelo mundo e pelo ambiente em que vivemos.

GQ: Quais são algumas das suas marcas de moda favoritas?
Jeetendr Sehdev: Na verdade, eu atribuo ao meu costume Dior Homme a minha primeira chance em Hollywood e tive a honra de usar alguns estilistas no tapete vermelho e em eventos. Eu me sinto igualmente à vontade na loja da Burberry como em uma de uma marca comum de rua. Sei que as pessoas pensam que tenho uma aparência clássica, mas ainda tento correr riscos e sair da minha zona de conforto. Moda para mim é tudo sobre como você se sente.

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Fonte oficial: GQ

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