Bruno Gissoni reflete sobre duas figuras paternas: “Aprendo até nas decisões erradas que eles tomaram” – GQ

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Nome: Bruno Gissoni
Profissão: Ator
Rede social: @brunogissoni
Nomes e idade da filha: Madalena, 2 anos.

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“O que mais me orgulha na criação da minha filha é o pé no chão”, diz Bruno, pai de Madalena, 2 anos (Foto: Demian Jacob e acervo pessoal (polaroide))

O que é ser pai hoje?

Pai sempre teve a missão de educar, amar, cuidar, direcionar, passar os valores corretos, e, hoje, também acompanhar a transição do mundo. O machismo, por exemplo, tem data certa para acabar. É uma luta longa, mas estamos caminhando para este lugar. Os pais, em geral, têm que acompanhar essa evolução. Acho que pai hoje é isso: preparar o filho para esse mundo tão transformador e tão transformado no qual estamos vivendo.

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O que a paternidade mudou em você e na sua vida?

Tudo! A paternidade me mostrou outra vida, outra forma de ver o mundo e de me portar perante a ele. Ter uma filha mudou completamente a minha cabeça, o meu coração, a minha relação com as mulheres. Consegui perceber ainda mais a importância delas na minha vida e no mundo. Acompanhar de perto a minha filha e ver a energia dela me fez ter certeza de que o mundo tem que ser administrado por mulheres. A energia delas é muito mais dócil, inteligente e forte. Considero as mulheres muito mais fortes que os homens. A relação com os meus pais também mudou completamente e, hoje, eu vivo para o outro. A minha vida é secundária.

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O que aprendeu com o seu pai?

Tive a sorte de ter dois pais e aprendi com eles muita coisa. O meu pai biológico, o Marcelo, sempre foi muito presente, assim como o meu pai de criação, o Beto. Então tive duas referências paternas. Hoje eu tenho uma coisa muito forte com o meu pai biológico que é viagem, descobrir novas possibilidades, novas vidas, novas histórias. Ele sempre foi assim, parava em uma esquina e conversava com quem quer que fosse. Eu via nele um interesse muito grande na vida e nas pessoas. O amor pela cozinha eu também aprendi com ele. Não que eu seja tão bom quanto ele, porque ele é chef de primeira mão. Mas sempre vi nele o amor e o carinho pela culinária e, agora, tenho isso comigo também. Já o Beto é mestre de capoeira, então foi na capoeira que eu encontrei valores que vou levar para o resto da vida. Aprendo diariamente com eles, até nas decisões erradas que eles tomaram e que serviram muito como exemplo para mim.

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O que aprendeu com sua filha?

Aprendo diariamente com a Madalena, em cada olhar, cada momento. O tempo que ela me passa é muito importante, porque é o tempo da vida dela, de olhar, de comer, de brincar. Ela me trouxe o tempo de volta. Eu estava vivendo a vida no automático, como muitas pessoas vivem, e ela me deu uma calma, um rumo, uma saúde, uma paz. Ela me deu tudo, porque hoje eu sei que o mundo pode acabar, mas eu tenho ela, eu tenho essa base familiar. É engraçado que, quando você tem uma filha ou filho, você passa a reviver a sua vida inteira, a olhar para tudo que você fez quando criança e de uma forma diferente, dando valor às coisas que as crianças dão, porque elas estão sempre certas.

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O que você faz hoje como pai que o seu pai não fazia antigamente?

Muitas coisas! Estou lendo mais, por exemplo. Quero estudar mais sobre este mundo em que vivemos. E os valores mudaram também. Quando se é jovem a gente quer gastar energia. O jovem tem pressa e urgência na vida. Agora, eu tenho calma e paz. Tenho outras vontades de vida e outros planos para realizar, sempre com a minha filha perto de mim.

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Você acha que pai e mãe têm funções diferentes? Por quê?

Não acho que tenham funções diferentes. Acho que pai e mãe têm formas de educação, cuidado e energias diferentes.
 

Além do seu pai, quem mais te inspirou para ser o pai que é hoje?

Sempre tive um desejo muito grande de ser pai, de criar um elo infinito com alguém, de mostrar um caminho melhor do que o meu. E eu tenho um cuidado muito grande com o futuro, com o ambiente e acho que passar esses cuidados e valores para uma outra vida, para que essa vida continue lutando pelo que você luta, é essencial. Sempre tive vontade de sentir esse amor infinito que os pais sentem pelos filhos.
 

Do que você mais se orgulha na criação do seu filho?

O que mais me orgulha na criação da Madalena é o pé no chão. E, literalmente, porque a gente deixa ela viver, se sujar, cair, brincar com a terra e com quem ela nunca viu na vida. Madalena tem uma vida cercada por animais, ela anda descalça e sem camisa. Brincar com a terra é poético! É essencial. Você cria um elo com a sua essência, porque a gente vem da terra. Criar esse elo com a mãe natureza é o que mais me orgulha nesse momento. Depois são os valores culturais, sociais e éticos que vamos passar pra ela.
 

Na sua opinião, que tipo de pai você diria que é?

Sou um pai coruja, eu amo muito a minha filha! Mas também sou muito livre com ela e gosto de deixá-la independente, como dormir sozinha no quarto dela. É para ela entender que a base familiar sempre vai estar ali, mas que ela deve ser dona da própria vida, também, e que pode trilhar o seu próprio caminho.
 

Um conselho para um pai de primeira viagem:

Seguir o seu coração e tentar blindar o seu filho ou filha de tudo o que é negativo, porque as crianças são muito sensitivas. Ame, cuide e proteja – sem vergonha nenhuma. Assuma para todo mundo a sua felicidade de ser pai! O mais importante é viver o máximo de momentos ao lado dos seus filhos. Viva a sua vida com os seus filhos! Vocês estão juntos neste mundo!

Fotos: Demian Jacob | Styling: José Camarano
Bruno veste BOSS

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Fonte oficial: GQ

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