Céline e Givenchy na semana de moda masculina em Paris: porque ficar de olho – GQ

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Novidade quente: Givenchy e Céline agora farão parte da próxima temporada de moda masculina de Paris em janeiro. Embora não seja a primeira vez que estas marcas vestem o público masculino – nem de longe, por sinal – ainda assim é sinal de novos tempos. Ao contrário do ‘movimento unissex’, em que grandes marcas passaram a exibir coleções masculinas e femininas em um único desfile – incluindo aí a própria Givenchy – essa pode ser a hora de um recuo estratégico.

No caso da Céline, trata-se de sua estreia em uma passarela unicamente masculina, chance de sobra para o diretor criativo Hedi Slimane explorar o mesmo trabalho genderless que marcou seu bem-sucedido – e notavelmente metalizado – debute na temporada de moda Verão 2019 (um trabalho que chegou a chamar a atenção até mesmo de Lady Gaga). A Céline, vale lembrar, vem apostando na silhueta unissex desde a época de Phoebe Philo, mas nunca tinha de fato mostrado homens em sua coleção até a chegada de Slimane. Ainda não se sabe se veremos apenas menswear ou haverá peças também para elas no desfile.

Já a Givenchy, bem, não é necessariamente seu primeiro rodeio. Sob Riccardo Tisci, o agora diretor criativo da Burberry, a marca abraçou o vestuário masculino e até um pouco de seu lifestyle. Mas ainda assim é o primeiro desfile de menswear comandado por Clare Waight Keller, que foi responsável pela masculina Purple Label, da Ralph Lauren, e de perfil mais clássico e sóbrio que o de Tisci. 

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Clare e Slimane, ambos trazem um frescor para um mercado em momento de expansão. A agência de pesquisa Euromonitor prevê que a moda de luxo para homens deve superar a de mulheres até 2022. Balenciaga e Louis Vuitton são exemplos desta tendência: a primeira crava homens jovens como seu principal público, a segunda começa a ver uma maior participação do público masculino (marcas tendem a não divulgar números precisos, mas, de acordo com o BoF, menswear foi responsável por 5 a 7% da receita da Vuitton). Papel pequeno, talvez, mas que deve crescer nos próximos anos com o surgimento de novos paradigmas e o papel das redes sociais e influenciadores

Celine e Givenchy são ambos parte de um conglomerado da moda, a gigante LVMH, que tem diversificado suas operações para além do setor feminino. Ano passado, o grupo apontou novos diretores para o menswear da Dior e Louis Vuitton, buscando mentes criativas capazes de dialogar com o avassalador movimento do streetwear e com o público millennial.

E olhe até mesmo para notícias fora da Europa. Nas entrelinhas, a última aquisição do grupo americano Michael Kors também sugere que, para competir em pé de igualdade com os maiores players do mercado, diversificação é chave: sob o conglomerado, a Versace, até então uma das grandes marcas independentes do cenário fashion europeu, deve expandir sua linha de acessórios e footwear.

Quanto a temporada de moda em Paris, além de Céline e Givenchy no menswear, destaques vão para as segundas coleções de Virgil Abloh para a Louis Vuitton e Kim Jones para a Dior, além do debute de Kris Van Assche na Berluti depois de 11 anos na direção criativa da Dior. Aos amantes da moda, preparem os cintos pois a viagem na próxima temporada será agitada!

Fonte oficial: GQ

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