Chay Suede diz que não costuma pensar “no galã enquanto instituição” – GQ

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Os galãs da nova geração são homens comuns. Parece simples, mas veja que complexidade há nisso: quem acompanha a dramaturgia com olhos mais atentos viu sair de cena o “latin lover” indefectível que, por onde passa, deixa mulheres a seus pés e viu surgir protagonistas masculinos mais interessantes e reais, com conflitos, fragilidades e ambiguidades, como Ícaro, personagem de Chay Suede na novela Segundo Sol. O ator é capa da GQ de setembro ao lado de Emílio Dantas e Fabrício Boliveira.

Ele é um jovem que cresceu sem mãe e sem pai. Rebelde, virou garoto de programa e acabou se apaixonando por Rosa, prostituta de luxo vivida por Letícia Colin. Envolveu-se com a colega de profissão, mas foi trocado e abandonado por ela. No meio disso tudo, se tornou objeto de desejo da chefe Laureta (muito mais rica e poderosa que ele), vivida por Adriana Esteves.

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Como se vê, Ícaro está mais para um rapazote vulnerável em busca de carinho e pertencimento do que para um machão típico dos folhetins dos anos 1990. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. “A TV, principalmente a aberta, tem como pilar estrutural a sintonia com a sociedade. Mas isso não é simples, porque a sociedade não é uma coisa só, é multifacetada, cheia de diversidade e desigualdade, sem falar nas polarizações”, explica Rafael Dragaud, roteirista e diretor de TV.

Todas essas teorias passam quase despercebidas pela mente do jovem ator, mas na prática está tudo lá, de forma orgânica. “Eu não costumo pensar muito nisso, no galã enquanto instituição, até porque é tudo muito subjetivo, né?”, questiona. Para ele, o papel do artista é o de qualquer outra pessoa na sociedade: “ouvir mais do que falar e tentar aprender em vez de tentar acertar”, diz.

chay suede (Foto: Hick Duarte)

Sim, é tudo muito subjetivo e jovens como Chay, que tem 26 anos, talvez não percebam a mudança que estão operando por um motivo simples: chegaram à vida adulta em um mundo já impactado por grandes quebras de paradigma. “O feminismo fez muito bem ao homem”, diz Maria de Médicis, diretora geral de Segundo Sol. “O homem se viu livre de algumas pressões. E isso se reflete nas personalidades destes novos homens. O Chay, por exemplo, que é um menino jovem, não vem com essa carga. Ele já vê a mulher de outro jeito e, portanto, vê o homem de outro jeito. É natural”. Quem vê a atuação – elogiada – de Chay no papel de Ícaro, tem clareza dessa naturalidade. “Fiquei muito feliz quando descobri que ia fazer Ícaro, quando descobri que ia poder brincar de ser baiano”, conta. “Tenho uma conexão muito forte com a Bahia e com os baianos, eles têm uma capacidade inventiva de ser vários personagens numa mesma frase. Isso é maravilhoso.”

Confira a entrevista na íntegra na GQ de Setembro, que chega nesta quarta às bancas.

Grooming: Jake Falchi. Assistente de grooming: Janaina Marques. Produção de Moda: Mateus Andrade. Assistente de Fotografia: Edson Luciano. Apoio Thinkers

Fonte oficial: GQ

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