Com a estreia de ‘Parasita’, cinema sul-coreano é destaque da semana e ganha favoritismo ao Oscar – GQ

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Parasita (Foto: Divulgação)

Na última edição de Cannes o longa Parasita, do diretor Bong Joon-ho, não somente foi saudado pela plateia, como levou a Palma de Ouro — o prêmio de maior prestígio do festival. Joon-ho, que já flerta com a crítica internacional desde 2006 com o filme Gwoemul – O Hospedeiro, caiu nas graças do Ocidente com o drama ativista Okja, encomendado pela Netflix em 2017. Aos 50 anos, o diretor nascido Daegu consolidou a carreira tornando Parasita como o primeiro título de seu país a conquistar tal feito em Cannes. E não parou por aí:  o filme foi uma das atrações mais esperadas pelo público da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O resultado? Parasita saiu daqui como grande vencedor do Prêmio do Público na categoria de longa estrangeiro.

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O enredo da tragicomédia começa quando Ki-woo, filho de uma família pobre e desempregada, consegue um bico como professor de inglês para a filha de um casal ricaço, os Park. O jovem, que está tentando uma admissão na faculdade pela quarta vez consecutiva, não possui as qualificações adequadas para a vaga. Mas, sua irmã Ki-jung, é uma verdadeira artista da falsificação e consegue forjar as certificações para o irmão. A família Park vai rapidamente sendo convencida e Woo ainda consegue uma abertura para que a irmã se torne a tutora — também com nome e documentação falsa — de pintura para o caçula do casal. Aos poucos, a mansão dos Park é invadida pela família suburbana de Ki-woo. Seu pai consegue a vaga como motorista particular para o Sr. Park, ao mesmo tempo que sua mãe assume o cargo de governanta da casa. O plano perfeito começa a falhar quando alguns segredos são revelados na primeira metade do filme — e, é partir daí que a situação complica.

Sem perder o bom humor, o diretor consegue contar diversas histórias em um único filme. As reviravoltas de Parasita se convergem para construir um thriller surpreendente, com um final, no mínimo, perturbador. Abraçando diversas críticas sociais, a trama expõe e ironiza de forma brilhante os conflitos de classe que a Coreia do Sul enfrenta. Enquanto a família rica usufrui de conforto e muito espaço (com direito a gigantescos planos abertos que percorrem a casa construída especialmente para rodar o longa), a família pobre se aperta no cubículo abaixo da viela onde vivem e lutam diariamente para encontrar uma rede de wi-fi livre.

O elenco reúne Song Kang-ho, que trabalhou com Bong Joon-ho em O Hospedeiro e Expresso do Amanhã (2013), Choi Woo-shik, presente no fenômeno Invasão Zumbi (2016) e Okja, além dos atores Lee Sun-kyun e Jo Yeo-jeong.

O hype positivo também se converteu em bilheteria. Só nos Estados Unidos, o filme quebrou o recorde de maior arrecadação por sala em 2019 logo no primeiro final de semana, atingindo assim, a 9ª maior média de todos os tempos. É válido dizer que, após todo esse alvoroço, o filme de Bong foi considerado o maior concorrente para levar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano que vem. Com estreia marcada para chegar aos cinemas brasileiros agora, no dia 7 de novembro, Parasita ainda ostenta 100% de aprovação no agregador de críticas Rotten Tomatoes.

O país investiu em cultura para crescer:

Não foi só o K-pop – ritmo que conquistou o imaginário mundial da música – que recebeu incentivo do governo sul-coreano para crescer. Financiada pelo Ministério da Cultura, Esporte e Turismo da Coreia do Sul, a Hallyu, ou Onda Coreana, caracteriza a disseminação de conteúdos produzidos no país asiático e foi projetada inicialmente como estratégia para combater o fantasma da crise econômica que assombrou a Coréia do Sul durante os anos 1990. Ao longo dos últimos anos, essa onda já movimentou bilhões para a economia do país.

O investimento em intercâmbio cultural internacional se tornou tão importante para o desenvolvimento da Coreia do Sul quanto a indústria automobilística. O reflexo de todo esse soft power está bem próximo de você, basta conferir o catálogo mais recente da Netflix para perceber a variedade de filmes e k-dramas (que são as novelas seriadas) presentes na plataforma de streaming.

Para mergulhar na sétima arte coreana:

Limpeza (2019) – Kwon Man-ki:
Mais um suspense de tirar o fôlego, Limpeza destaca o talento do diretor estreante Kwon Man-ki, de 36 anos. Um garoto é sequestrado por um casal que precisa usar o dinheiro do resgate para pagar uma cirurgia de risco para o próprio filho. Anos mais tarde, o garoto se encontra novamente com a autora do crime e inicia uma rede de intrigas sobre perdão e fúria. Limpeza concorreu na categoria Novos Diretores da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Em Chamas (2018) – Lee Chang-dong:
O roteiro é uma adaptação do conto Os Celeiros Incendiados, do autor Haruki Murakami e narra um triângulo amoroso e intenso entre Jongsu, um garoto sem grandes perspectivas para o futuro, sua amiga de infância Haemi, e o playboy misterioso Ben (interpretado por Steven Yeun, estrela da série The Walking Dead). Para o diretor, Em Chamas é uma alegoria perfeita sobre os problemas sociais que a juventude sul-coreana encara. O filme fez estreia em Cannes e esteve em cartaz nos cinemas brasileiros em novembro de 2018.

Invasão Zumbi (2016) – Yeon Sang-ho:
Também conhecido como Trem para Busan, o longa pode até ser classificado como “um filme de zumbi”, mas consegue escapar facilmente de todos os clichês do gênero, a começar pela ambientação: toda a história se passa dentro de um trem em alta velocidade infestado de mortos-vivos. Seok-woo, um workaholic endinheirado, luta através dos vagões para manter a filha a salvo dos infectados. Fazendo barulho nos festivais, Invasão Zumbi ganhará uma continuação, intitulada Península, com data de estreia para 2020.

Memórias de Um Assassino (2006) – Bong Joon-ho:
Um detetive é enviado ao interior para investigar uma onda de assassinatos que estão aterrorizando os moradores de uma pequena comunidade rural. O padrão entre os crimes, que sempre acontecem nos dias chuvosos, coloca os detetives numa perseguição implacável por um maníaco. O longa é inspirado na história real do primeiro serial killer na Coreia do Sul, que cometeu assassinatos entre os anos de 1986 e 1991, em Hwaseong.

Oldboy (2003) – Park Chan-wook:
Admiro pelos cinéfilos de plantão, Oldboy se tornou um clássico do cinema cult a partir da adaptação do mangá de mesmo nome pelas mãos do diretor Park Chan-wook. Nele, um homem é trancafiado num quarto de hotel durante 15 anos sem saber o motivo para estar ali. Quando finalmente é libertado, Oh Dae-su segue em busca por vingança, mas descobre que continua preso do lado de fora numa grande conspiração envolvendo o seu passado. O filme é a segunda parte da chamada “Trilogia da Vingança”, iniciada em 2002 com Mr. Vingança, e concluída em 2005 com Lady Vingança.

Em 2016, Park retornou para as telonas com o surpreendente A Criada. Nele, a pobre Sook-Hee é convencida por um golpista a trabalhar na casa da jovem herdeira Hideko, a fim de convencê-la a se casar com o falso pretendente — seu conceito sobre plot twist ganhará um novo significado ao terminar a sessão.

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Fonte oficial: GQ

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