Com ‘Oscar’ da mixologia, Diageo quer transformar bartenders em lendas vivas – GQ

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Modernidade líquida: Para Guilherme Martins, da Diageo, construir um relacionamento com a fraternidade dos bartenders é um objetivo que vem acompanhado do sucesso comercial no Brasil. (Foto: divulgação)

Você provavelmente sabe dizer o nome de alguns dos chefs mais famosos do mundo. Talvez programe até viagens para conhecê-los. Mas com que frequência faz o mesmo em bares? Fora do mundo da mixologia, dos que misturam líquidos e dos que os degustam com afinco, poucos saberiam dizer, por exemplo, quem é o melhor bartender do Brasil. E olha que a resposta é fácil: ele se chama Gabriel Santana.

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À frente do Benzina, bar na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, ele é o atual vencedor da etapa brasileira do World Class, competição criada pela Diageo – multinacional das bebidas dona de alguns dos rótulos mais consumidos no mundo – para escolher anualmente os melhores bartenders de diversos países. Em setembro, ele viaja a Glasgow, na Escócia, para enfrentar os campeões de outros países em busca do título mundial. “O Gabriel nos dá segurança de uma colocação importante”, projeta Guilherme Martins, diretor de Reserve da Diageo no país. “Ele vem com uma pegada interessante, brasileira, informal. Ele é o ingrediente do Brasil.”

Em sua 11ª edição, o World Class revela grandes nomes da mixologia. Mas por trás da competição, dos drinques criados sob a pressão do cronômetro, está ainda outro objetivo. Afinal, o evento é, segundo o diretor, “uma plataforma para construir relacionamentos com a grande fraternidade dos bartenders”. Ditar tendências em coquetelaria no futuro é a meta.

Mais gente criativa ganhando visibilidade atrás do balcão, mais receitas e bebidas começam a ganhar o coração dos bebedores. E para o grupo, que controla marcas como Johnnie Walker, Cîroc, Tanqueray e Ypióca, a aproximação com os bares e profissionais é essencial quando o assunto é inovação no setor. “O bartender deixou essa coisa de pirotecnia para ser uma profissão mais ligada à técnica, ao estudo”, diz Guilherme.

Modernidade líquida: O Junino, drink com cacau, pinhão, licor de amendoim e espuma de canjica – inventado por Gabriel Santana para vencer o World Class deste ano. À direita, ele posa com o troféu. (Foto: divulgação)

Gabriel dá valor a essa aproximação. “É bem diferente lá fora”, conta ele, que já viveu e trabalhou nos EUA e na Suíça – onde venceu também um World Class, em 2017. “Muito em termos de acesso a produtos, mas principalmente na questão da comunidade. No Brasil, ninguém segura na mão do outro. Lá fora, se você abre um bar do lado do meu, nós somos colegas, não concorrentes. Mas espero que isso mude em breve”, analisa.

Se há algo em que os brasileiros não devem nada aos gringos, contudo, é na criatividade. “É o trabalho do bartender pensar além dos licores e fazer acontecer com a nossa matéria-prima, que é muito rica”, aponta Gabriel, aproveitando para dar como exemplo o drink que ele inscreveu para participar da competição deste ano, o Junino: base de Bulleit Bourbon, cordial de cacau, pinhão, licor de amendoim com flor de sal e espuma de canjica. A ideia, claro, era fazer uma homenagem à festa junina.

Essa versatilidade faz do país um cenário importante para a Diageo, que vem aumentando suas vendas na região. O maior case desse sucesso é o gin Tanqueray, cuja presença no Brasil triplicou este ano. Apenas no festival Lollapalooza, por exemplo, foram “90 mil gin tônicas em três dias”, conta Guilherme. O drink respondeu sozinho a um terço do consumo alcoólico do evento. “O gin ainda é o próximo gin”, afirma o diretor.

Mas se o mercado é prolífico, promissor, os caras são bons e a matéria-prima abundante, o que os afasta dos chefs de sucesso? “Fiz gastronomia, era para ter sido cozinheiro”, diz Gabriel. “Mas sempre curti criar e lidar direto com o público. Os bartenders cozinham líquidos na frente do cliente e o jeito que encontrei de poder fazer isso foi virando um”, brinca. É justamente esta a vantagem que Guilherme vê na diferença entre esses profissionais: “o bartender está lá, olho no olho, enquanto prepara o drink”. (Felipe Blumen e Leonardo Ávila)

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Fonte oficial: GQ

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