Como a TV e o cinema podem mudar o mundo (e fazer você sair do imobilismo e agir) – GQ

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Nos últimos 27 anos, dediquei minha vida a duas coisas: comunicação de massa e ação social. As pessoas acham que essas duas áreas não são amigas, mas quero provar que elas deveriam ser porque têm tudo a ver uma com a outra – ambas têm como cliente final a multidão. O entretenimento de massa encontra sua vocação quando é consumido por milhões de espectadores; já as políticas públicas e as ações sociais também encontram seu sentido quando alcançam grande parte da sociedade. Por isso é viável unir estratégias.

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Vamos fingir que sou um publicitário! E tenho que vender um produto: o “mundo melhor”. Mas veja bem, “mundo melhor” não é o nome da coisa, é a coisa em si: um planeta mais legal. Todo o mundo quer o “mundo melhor”. Fora uma minoria fundamentalista, quase ninguém se opõe que o “mundo melhor” esteja acessível a todos.

Poxa, mas então o que está acontecendo? A verdade é que a maioria das pessoas não sabe como colaborar para um “mundo melhor” ou está muito ocupada com sua própria vida cotidiana (e isso é legítimo), ou porque está paralisada por medo e sensação de impotência (o que também é legítimo, apesar de triste).

Resumo: todo mundo quer um mundo melhor, mas pouca gente levanta do sofá – um panorama bem desanimador. Só que, no meio disso tudo, as pessoas continuam consumindo entretenimento, vendo série, novela, vídeos! Alguns vão dizer que é por escapismo ou alienação. Pode até ser, mas também é por um simples motivo: o ser humano gosta de histórias.

Esse é o meu ponto! Não é uma boa notícia só para o mercado de mídia e entretenimento que tem previsões de crescimento até 2021. É bom também para as políticas públicas e o trabalho social, desde que passemos a ver o lado bom dessa adesão às boas estratégias de comunicação. Afinal de contas, um bom entretenimento faz muita gente levantar do sofa e é justamente esse o movimento que precisamos gerar.

Um bom exemplo é o filme Pantera Negra, produção hollywoodiana que virou a maior bilheteria de um filme de super-herói de todos os tempos. No meio de tanta notícia ruim sobre racismo e intolerância, surge um super-herói negro, bonito, inteligente – em um filme que fez tanto sucesso que ultrapassou US$ 1.2 bilhões de bilheteria. Essa adesão é quase o dobro da doação à campanha de reeleição do presidente Barack Obama, que chegou a US$ 745 milhões (sendo que o ex-presidente é o maior case de arrecadação política nos Estados Unidos). E não vou nem falar que o filme dura cerca de duas horas, enquanto um governo dura 4 anos! Vale muito mais investimento!

Pantera Negra é o exemplo perfeito do que algumas pessoas estão começando a chamar de Entertainment For Change. Sabe o que é muito legal? O meu filho Antonio só sossegou quando me fez comprar o boneco do Pantera Negra, ou seja, hoje um menino branco de cinco anos tem um super-herói negro. Esse é mais um momento em que o entretenimento se une com o social e encontra o que podemos entender como um propósito, uma causa.

Fonte oficial: GQ

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