Como Dedé Laurentino foi de ilustrador à CCO no Reino Unido – GQ

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Nascido em 1972 no Recife, criado em Olinda, Dedé Laurentino sempre soube desenhar. Aos 13, ganhou o primeiro prêmio de um salão de caricatura de todo o Nordeste; com 15, recebeu o primeiro salário como ilustrador na Cultura Inglesa, onde aprendeu a gostar de Shakespeare. Em Londres desde janeiro de 2011, Dedé foi promovido a Didi (é assim que os ingleses pronunciam seu nome).

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Ele deixou São Paulo depois de 18 anos, uma mulher e duas filhas, para chefiar a TBWA. Três anos depois, virou o diretor mundial de criação da Unilever para a Ogilvy. Há menos de um mês, tornou-se Creative Chief Officer. Dedé me recebeu no restaurante Cocumber, no 13º andar do prédio em que funciona a agência, que tem uma vista incrível para o rio Tâmisa. Tomamos chá. Ele, com leite, o que ajuda a explicar a alcunha “pernambritânico” que recebeu dos amigos.

Um de seus desafios na nova função é aumentar o número de mulheres com cargos sênior na criatividade da agência. Outro, manter alto o nível de diversidade. “Nossa meta é oferecer soluções maravilhosas e inesperadas e, para isso, temos de ter cabeças de CEPs variados pensando”, disse. A Ogilvy Londres tem 1200 funcionários, 200 respondem a ele. “Minha equipe tem ex-empacotador de supermercado, skatista e rapper de bairros menos favorecidos de Londres”, afirmou. Chefe desde 2007, ele sabe que o importante é inspirar. “Sou o diretor criativo em uma cidade que transborda criatividade. Aqui, eles enfiaram um trem debaixo da terra, criaram um ônibus de dois andares, uma caixa de correio que já é a mensagem. Tinha de mostrar que respeito ícones de design de onde estou”, comenta.

Parceiro recente de impressões sobre Londres, onde também vive, o publicitário Washington Olivetto se diz fã do trabalho do colega. “Ele é muito bom porque, apesar de ser muito publicitário, ele não é só publicitário”, disse. Dedé é autor de dois livros: Não me Deixe Aqui Rindo Sozinho (Realejo, 2017), com parte das crônicas que escreveu por quase dez anos para o Estadão, e A Paixão de Amâncio Amaro (Agir, 2005). Colabora ainda com ilustrações comentadas para a Revista Piauí. A certa altura de nossa conversa, Dedé admitiu viver o melhor momento de sua vida e confessou: “Quando eu vim trabalhar à beira desse rio que viu a peste negra, as estreias de Shakespeare, a cidade ser bombardeada na Segunda Guerra, cheguei em casa e chorei”.

Fonte oficial: GQ

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