Como praticar esporte em nível de atleta sem estressar o organismo – GQ

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Estar sempre no limite físico é um fator motivacional, mas é preciso tomar precauções (Foto: Getty Images)

Rotina corrida, competitiva, com metas a cumprir. Essa poderia ser a descrição do mundo do trabalho nos dias de hoje. Mas, para muita gente, é também um modo de encarar a atividade física. Nos consultórios de medicina esportiva, têm surgido cada vez mais pessoas dispostas a encarar os exercícios com intensidade de um atleta de elite. A aposta pode ser saudável ou um caminho para lesões. Tudo depende do grau de planejamento.

Em comparação com as atividades moderadas, os exercícios de alta performance ou alto rendimento exigem mais do corpo e trazem mais riscos se forem realizados sem acompanhamento especializado. Porém, para alguns tipos de esportistas amadores, estar sempre no limite físico, superando marcas, pode ser um fator motivacional. “São pessoas que  desejam quebrar recordes pessoais ou de pessoas em quem eles se espelham”, descreve o médico Leandro Gregorut, ortopedista da rede do plano de saúde premium Amil One.

O problema começa justamente aí. Embora ter metas a longo prazo possa ajudar a aderir à rotina de exercícios, alcançar os 42 quilômetros de uma maratona ou levantar o mesmo peso do halter vizinho exige tempo e cautela. “Para atingir a intensidade na natação, crossfit, jogo de futebol, seja onde for, a musculatura precisa estar adaptada. Senão vai haver fadiga e a energia do movimento vai chegar forte aos ligamentos e articulações”, descreve Gregorut. 

O primeiro passo para encarar o desafio é fazer um check-up. No caso das pessoas abaixo de 45 anos, diz o médico, procurar um clínico geral e marcar exame de sangue e eletrocardiograma são suficientes. Acima dessa faixa, vale se consultar com um cardiologista e um ortopedista, para verificar a saúde cardiovascular e investigar condições inimigas da alta performance, como encurtamentos musculares e deficiências articulares.

Iniciados os exercícios, a evolução deve ser gradual e respeitar os limites individuais, determinados pela genética, peso, idade e histórico de atividades físicas. O cuidado permite que o corpo se adapte às exigências da atividade, construindo aos poucos a massa muscular dos grupos mais exigidos. “O músculo não é só um propulsor, ele também absorve parte da energia gerada pelo movimento, protegendo ligamentos e articulações”, explica Gregorut. Ao atingir patamares mais elevados, é fundamental complementar a prática escolhida com uma rotina de musculação específica para aquelas demandas.

Outro hábito que não pode passar batido é o alongamento. Ele ajuda a executar na eficiência técnica dos exercícios, reduzindo a chance de lesão. “O movimento se torna mais natural e rápido, sem forçar ligamentos”, afirma o médico. Sobre o melhor momento de alongar, antes ou depois das atividades, Gregorut não deixa dúvida: os dois. No início, a série deve ser curta, entre três e cinco minutos, apenas para lubrificar as articulações e se preparar. Ao fim, pode durar até 15 minutos e tem a finalidade de combater o encurtamento das fibras musculares, que pode afetar a postura e a mobilidade.


A evolução deve ser gradual e respeitar os limites individuais, determinados pela genética, peso, idade e histórico de atividades físicas (Foto: Getty Images)

Comer bem — nem a mais, nem a menos — faz diferença nos exercícios de alto rendimento. Segundo o ortopedista, quanto maior a intensidade e a duração, maior também é o peso das escolhas alimentares.  Nesse caso, é importante comer carboidratos, como frutas e pão integral, antes de encarar a atividades. Depois da suadeira, convém ingerir fontes de proteína como o whey protein. Caso a prática seja de longa duração, principalmente aeróbica, é recomendado se reabastecer no meio do caminho com um carboidrato como a maltodextrina, que restaura a energia do corpo para seguir no pique, e no fim repor os minerais do organismo com uma bebida isotônica.

As recomendações para esses atletas incluem ainda dormir bem e enxergar a atividade física como algo prazeroso, sem cobranças excessivas. “É importante ter satisfação, não criar mais um fator de estresse. O esportista profissional come regrado, descansa bastante, é acompanhado por um fisioterapeuta. Quem é amador tem toda a carga de treinos e ainda encara outras cobranças no trabalho, às vezes dorme pouco”, finaliza o médico.

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Fonte oficial: GQ

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