Como um designer transformou lixo em decoração do Farol Santander – GQ

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Quando entrou pela primeira vez no local que seria seu ateliê temporário por seis meses, o
artista plástico e designer Marcelo Stefanovicz, 39, arregalou os olhos antes de arregaçar as mangas. Deparou-se com uma pilha de entulhos de 2 metros de altura espalhada por mais de 200 metros quadrados.

Por ali, estavam 13 toneladas de material que incluíam tubos, madeira, antenas, caixas de ar-condicionado, mesas e pedaços disformes de metais de toda sorte. Entre os destroços, 3 toneladas eram só de fios embaraçados. A bagunça era o resíduo da reforma do antigo prédio do Banespa que reabriu recentemente como Farol Santander e abriga um centro cultural, pista de skate, mirante, restaurante e andares dedicados à memória do edifício Altino Arantes.

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Para a reinauguração do novo espaço, Stefanovicz produziu 45 peças usadas como mobiliário – incluindo bancos, mesas, luminárias, lustres e cadeiras – que podem ser vistas no hall de entrada do prédio ou espalhadas pelos andares. “Isso tudo iria para o lixo sem razão. A ideia da reutilização já existia para mim, mas não era uma exigência no planejamento do meu trabalho”, diz ele. “Porém foi uma obrigatoriedade nessa situação e acabou sendo ótimo porque conseguimos construir tudo com 99% de resíduos. Além deles, só foram necessários vidro e tinta para dar acabamento”.

Durante dois meses, o ex-modelo – que chegou a estrelar catálogos para labels como a Louis Vuitton – e uma equipe de cinco pessoas (que depois viraram 10) viveram entre muita poeira para separar cada tipo de material e checar o que poderia ser usado. Só depois o processo de criação realmente começou.

“Tive pequenos cortes nas mãos, mas o mais difícil foi desembaraçar os cabos de energia. Colecionei calos”, lembra. “E quando achei que estava tudo organizado, tivemos a notícia de que o ateliê teria que mudar para o 15º andar do prédio. Deixamos mais da metade do material para trás e tivemos que transportar internamente o que já estava separado em quatro dias, sempre durante a madrugada”, completa ele.

Com as peças entregues, Marcelo – que foi casado com a estilista Carina Duek, com quem tem um filho – deixa o prédio e inicia uma nova fase na carreira, não longe de muita poeira e obra. Ele acaba de reformar um porão de 340 metros quadrados em um prédio antigo sob uma pizzaria na Vila Mariana, que será, já neste mês, seu novo espaço criativo e sua casa. Antes do projeto no Farol, o criador deixou a Outra Oficina, ateliê que dividia com o designer Leo Capote, e pretende se dedicar a esculturas, fotografia e pinturas, além de mobiliário,
para investir com foco no mercado de arte. Vem mais calo por aí.

Fonte oficial: GQ

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