Como uma startup pernambucana lucra milhões trazendo a publicidade para mais perto do mundo real – GQ

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Lembra da febre do Foursquare? De endereços apostando em brindes e descontos para quem provava frequentar seus picos constantemente? Essa sacada de pegar seus clientes pelos lugares onde eles trafegam é algo que, pelo menos em espírito, parece inspirar a startup pernambucana In Loco Media, que tem como objetivo geolocalizar radicalmente a publicidade.

A companhia ajuda empresas como Neve, Pizza Hut, Ambev, Unilever e outras a encontrar audiências não apenas mapeando interesses com precisão, mas também por onde essas pessoas trafegam. E não dizemos apenas ruas, endereços, bairros, mas também seu caminho dentro de uma loja ou restaurante. A tecnologia, desenvolvida a priori por alunos do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco em 2011 e encubada pela Porto Digital em 2012, é capaz de reconhecer a posição de usuários com uma margem de erro de apenas 3 metros – 30 vezes mais preciso que o GPS.

“Eu consigo identificar que uma padaria que está colada a um salão e a um café é de fato uma padaria”, exemplifica Alana Pinheiro, comunicação e relações públicas da In Loco, em conversa com a GQ. Mas as aplicações do dia a dia costumam ser mais complexas. Vamos dizer que um supermercado está com 30% desconto em eletroeletrônicos. “Dali a um dia, a gente sabe que seu celular passou por esse mobiliário no mercado ou por um outdoor dessa promoção”, diz Alana, “e podemos falar com você sobre outras promoções de eletroeletrônico”.

Trocando em miúdos, é basicamente aproximar a publicidade do mundo físico. “O varejista ele nunca viu muito sentido na publicidade, no impacto na loja”, explica Tiago Santos, líder de indústria e varejo da empresa. “Mas a gente consegue dizer como a campanha foi efetiva para a realidade do cliente”.

A equipe da In Loco Media (Foto: Divulgação)

Isso exige também uma mudança de como medir um bom trabalho. “A gente cobra não pelo clique, mas sim a quantidade de visitas que o estabelecimento anunciante recebeu de pessoas impactadas pelo anúncio”, explica Alana.

A maneira que a equipe consegue essa proximidade tem pouco a ver com o realismo mágico de seriados policiais. Não é apenas dar zoom. Além de informações de satélite, o sistema utiliza o Wi-fi e outras funcionalidades do smartphone, como o acelerômetro e o magnetômetro (que ajudam o celular a entender, por exemplo, se deve mostrar a tela deitada ou em pé). Aqui eles servem como parte de uma rede de dados que entende onde o usuário está até mesmo quando ele entra em um edifício.

A tecnologia é certificada pela Microsoft e esteve em 2015 entre as dez mais promissoras startups do ramo publicitário do mundo pela Cannes Lions Innovation. Mas também é um tipo de negócio que levanta questões importantes sobre segurança de dados – ainda mais depois do caso Cambridge Analytica

Apesar de analisar precisamente por onde potenciais consumidores andam, eles não dáo a esse sujeito rosto ou descritivos espefícicos. “A gente mapeia o comportamento das pessoas, eu sei que, por exemplo, aquele grupo de pessoas foi a um restaurante e que parte dele foi a 9 de julho passou parte da tarde no mesmo lugar”, explica Alana. “Trabalhamos através do comportamento de celulares e consumidores, mas a gente não sabe sobre seus dados geolocalizados – endereço, CEP e afins”, explica.

Com escritórios nas cidades de São Paulo, Recife, Rio de Janeiro e atuação nos Estados Unidos, a In Loco Media tem 170 funcionários e faturou 2 milhões de reias no ano passado. A meta é dobrar o lucro através de um plano de crescimento agressivo, sobretudo no varejo, que é onde a empresa coleciona boa parte de seus louros. 

Se quiser saber mais sobre esses pernambucanos hi-tech, vale conferir a Wired Conference Retail, que rola no próximo dia 6 e reúne esta e outras startups em debates sobre o futuro do varejo.

Fonte oficial: GQ

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