Conheça os coquetéis engarrafados que vão bombar – GQ

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Prêt-à-beber: A Bitter & Co. de André Clemente tem dry martini, negroni e rabo de galo engarrafados (Foto: Deborah Maxx)

Chegou a hora de repensar tudo. Em um futuro nada distante, do seu escritório você vai ordenar remotamente que seu forno de casa comece a esquentar o jantar. E sua bicicleta vai te indicar a melhor rota para o treino do dia e medir seu batimento cardíaco. No universo dos drinques, já está rolando também um movimento rumo à praticidade: coquetéis pré-mixados e vinhos e drinques em lata chegaram com tudo. Quem nunca teve um amigo metido a bartender que, já alegrinho, desistiu no meio da festa de ficar fazendo coquetéis para todo mundo? E quem nunca se viu num barco ou num festival de música desejando um vinho, mas sem saca-rolhas nem taças à mão? Em casos assim, drinques “prêt-à-beber”, que não precisam de nada além de um isopor com gelo, são a maior mão na roda.

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O carioca Alex Homburger era do marketing da Nestlé quando teve o estalo, depois de ver seu amigo (e hoje sócio) Leonardo Atherino em uma festa com uma garrafa de vinho em uma mão, uma taça na outra e nenhuma mão livre para cumprimentar quem ia chegando. Os dois, com um terceiro sócio, lançaram em janeiro a Vivant, primeira marca brasileira de vinho em lata. Bolaram três tipos: um chardonnay, um rosé e um tinto – todos de uvas francesas e vinificados pela gaúcha Quinta Don Bonifácio. “A aceitação foi muito melhor do que a gente esperava”, diz. “Terminaremos o ano com 170 mil latas vendidas e esperamos subir as vendas para 850 mil em 2020”. Os vinhos estão longe do nível de um Bordeaux de qualidade, digamos. Mas a novidade está bombando porque o visual é cool e, acima de tudo, pela praticidade. “A gente queria blends leves, fáceis de beber na piscina, na praia ou na balada”, entrega Homburger.

Um de seus improváveis concorrentes é o Gàz, saquê com gás e frutas vendido em garrafinhas de uma porção. As fórmulas (uma de limão siciliano com capim santo e outra de morango com lichia) foram criadas pela sommelière de saquês Yasmin Yonashiro, que já fez as cartas de famosos restaurantes paulistanos como Aizomê e Kinoshita. “A aceitação tem sido ótima e até mesmo um conhecedor de saquês tomaria uma garrafa de Gàz num dia de sol na praia e apreciaria, porque é pouco doce e bem equilibrado”, avisa.

No caso dos coquetéis pré-mixados, a economia de tempo e esforço é ainda maior. Quem precisa de medidor de doses, colher bailarina e coqueteleira se pode encher seu isopor de negronis e gim tônicas prontos? Coquetéis pré-mixados existem há anos. O mojito da Bacardi, por exemplo – rum com aromas de hortelã e limão – é importado para o Brasil desde 2010. Mas só cinco anos atrás começou a multiplicação de variedades de drinques e de marcas descoladas investindo em lindas embalagens, como a Ginta, de gim tônicas em lata.

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Em 2014, o bartender Alê D’Agostino, dono do Apothek em São Paulo, lançou um negroni engarrafado homônimo. Desde então ampliou a gama, criando uma variação do mesmo drinque com adição de jerez, um dry martini e, recentemente, um old fashioned. Hoje, ganha mais dinheiro com os coquetéis engarrafados do que com o próprio bar, prepara-se para abrir uma fábrica e aumentar a produção e sente-se mais realizado do que nunca.

Se no início ele nadava de braçada, quase sozinho no mercado, agora a coisa explodiu. O mais recente lançamento foi o Gin & Tonic, da Tanqueray, que deve ser servido on the rocks com rodelas de limão. Ano passado, o bartender Cesar Griffo lançou o N45, um belo negroni engarrafado; também em 2018 o empresário André Clemente fundou a marca de coquetéis pré-mixados Bitter & Co. Seus dry martinis, negronis e rabos de galo são vendidos em 16 estados brasileiros: “A procura está muito grande!”, festeja. Sua vantagem sobre o Apothek e o N45? Também faz versões enlatadas de negroni e gim tônica. “Se você vai viajar e, em vez de carregar um monte de coisas, levar só umas latas de Bitter & Co., vai ter quase um bar de coquetéis sem trabalho algum”, comenta.

Quando o milagre é demais, o santo desconfia… Serão esses drinques “prêt-à-beber” tão bons quanto os originais? Ora,  depende para quem você pergunta. “A pessoa tem que mudar a chave e entender que está embarcando em uma nova maneira de tomar aquele drinque”, diz D’Agostino. O sabor de seu dry martini Apothek, por exemplo, evolui na garrafa conforme o vermute oxida. Para Clemente, “o drinque na lata fica tão bom quanto o feito na hora”. Todo empresário do ramo dirá o mesmo, enquanto certos fãs de coquetelaria sempre torcerão o nariz. Só tem uma coisa que ninguém discute: nunca existiu maneira mais fácil e prática de beber na praia, no barco ou seja lá aonde o verão nos levar.


Prêt-à-beber: Com drinques engarrafados ou enlatados, dá para montar um belo bar de coquetéis para o verão (Foto: Deborah Maxx)

1. Gàz Saquê gaseificado com fruta na versão limão siciliano e capim santo, criado pela sommelière Yasmin Yonashiro. 275 ml a garrafa
2. Ginta O gim tônica em lata (269 ml) do bartender Nicola Bara na versão clássico, com limão siciliano, tangerina e laranja
3. Tanqueray O gim criado por Charles Tanqueray em 1830 também entrou na nova onda. O gin & tonic leva a versão London Dry da bebida e água tônica artesanal. Dose de 275 ml
4. Apothek O negroni engarrafado do bar de Alê D’Agostino é um dos precursores da tendência. O drinque ganhou nova versão com jerez. Cada garrafa rende quatro drinques de 90 ml
5. Vivant O vinho rosé em lata (269 ml) da marca, que trabalha com uvas francesas vinificadas pela gaúcha Quinta Don Bonifácio, também nas versões chardonnay e tinto

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Fonte oficial: GQ

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