Conheça ‘Tuyo’, banda curitibana que traduz em música um manifesto afrofuturista pop – GQ

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Lio, Jean e Lay vestem Gucci, Converse e Santa Lolla (Foto: Land+Hugo)

Nosso corpo existindo na música é um ato político; compor uma canção, hoje, é extremamente transgressor. Se produzir um objeto de arte não fosse mesmo político, você acha que teria tão pouco dinheiro para isso?”, questiona Lio Soares, 1/3 da banda curitibana Tuyo, da qual também fazem parte Lay (sua irmã) e Jean Machado. “Não existe grana porque é letal. E é letal porque liberta”, ela explica sobre o mercado artístico atual e as agruras – e graças – de ser da cena indie brasileira em um cenário de streaming no qual a produção e as parcerias são distribuídas (gratuitamente) e produzidas à velocidade da própria vontade. “Quanto mais gente fazendo música, menos ‘divônica’, gourmetizada e elitizada ela fica. Em outra dinâmica, jamais teríamos acesso se não fosse a internet”, reflete Lilian, que já se apresentou no reality show The Voice Brasil com Layane.

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Na estrada há oito anos e como Tuyo há três, eles lançaram seu álbum mais recente, Pra Curar, em novembro de 2018. O trio se envolve na produção musical (com amigos), transforma em palavra cantada os poemas escritos em seus blocos de notas, gerencia a agenda de shows e os feats (um dos últimos foi com Baco Exu do Blues no hit Flamingos). “Não dá para se iludir com o rolê da estabilidade. A gente tem que proteger nossa saúde mental. Não é só tocar, tem que cuidar direitinho, senão você pode ficar muito doente. Estou vivendo um sonho e o lado ótimo é conhecer tanta gente e pisar em lugares que não pisaria”, acrescenta Jean. “Tem que ser calejado para não cair em cilada. Surge cada proposta indecente, coisas que acontecem com quem tem o próprio negócio, né? É perigoso. O benefício é ter o poder de decisão”, agradece Lay.

Um manifesto afrofuturista, um pop com substância, um folk brasileiro são alguns dos adjetivos que poderiam ser atribuídos à banda – se fosse possível adjetivar uma carreira em construção dentro de um universo em que resumir é perder a complexidade de qualquer fala ou letra. Diante de tantas referências, os três entram na brincadeira de definir o grupo por associação (muito) livre. Se fossem uma cor? “Cimento queimado”, dispara Jean. “Tá sempre aí, mas agora tá na moda”, completa Lio, entre risos. Um filme? “Show de Truman”, acredita Lay, que também os classifica como uma novela, Senhora do Destino. “Às vezes Nazaré Tedesco [Renata Sorrah], às vezes Maria do Carmo [Susana Vieira]”, continua Lio. Alguma pintura vem em mente? “Uma Frida Kahlo do Romero Britto”, concordam em uníssono. Caso se transformassem em um livro? Homens Imprudentemente Poéticos, do Valter Hugo Mãe”, versa Lio. Um doce? “Mentos. Porque almoçamos isso”, entrega Lay sobre a correria sem pausa da independência digital.

Styling Gabriel Feriani; Grooming Julio Elibio (Abamgt) com produtos Make Up Forever e Lowell; Produtores de moda Gab Toledo e Leonardo Napolitano

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Fonte oficial: GQ

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