‘Deixo ele à vontade para descobrir como ser pai’, diz o jovem avô Caco Ciocler sobre conselhos ao filho – GQ

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Você pode ter uma carreira consolidada, cuidar da saúde, estar bem resolvido nos seus relacionamentos pessoais. Mesmo assim, é inevitável ter que lidar com “sustos” ao longo da vida. Essa lição veio para o ator Caco Ciocler, que se viu avô aos 46 anos e, de certa forma, a sua história como pai jovem se repetir com seu filho, Bruno, de 21.

O segredo parece ser calma e lucidez. Pelo menos foi essa a impressão que o ator deu no papo que teve com a GQ. Na conversa, Caco fala sobre seu trabalho como o Edgar de Segundo Sol, sobre a criação de filhos e sobre estabilidade emocional.

Veja como foi o papo.

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GQ Brasil: Você agora é avô [da pequena Elis, nascida neste ano]. Como foi ser um pai jovem e, quando você já estava super acostumado com isso, virar um avô jovem?

Caco Ciocler: Foi um susto. Ambos foram sustos. Mas ambos foram também bênçãos. Ambos vieram em momentos cruciais de nossas vidas e nos obrigaram a fazer escolhas importantes e a assumir suas consequências. Quando eu soube que ia ser pai ainda morava na casa dos meus e não conseguia decidir entre a carreira de engenheiro ou a de ator, ou melhor, não tinha coragem de assumir as consequências de uma escolha dessa dimensão. Com meu filho não foi diferente, andava meio perdido, tinha acabado de trancar a faculdade, e a notícia de um filho o obrigou a criar coragem, acelerou sua corrida em direção a um sonho.

GQ Brasil: Que tipo de conselhos de experiência própria você deu para o Bruno? Na verdade, funciona essa coisa de passar adiante mesmo ou dá pra ver que ele tem o próprio estilo de pai?

Caco Ciocler: Uma das coisas que eu mais gostava era descobrir, estabelecer uma conexão com meu filho e ir entendendo, junto com ele, como a gente ia resolver esse negócio de sermos pai e filho. Achava muito chato quando alguém tentava me ensinar o que eu tinha que fazer, porque isso roubava de mim a particularidade daquela experiência. Então, claro que dou conselhos, que ajudo da melhor maneira possível, mas respeito totalmente a descoberta dele, deixo muito à vontade para experimentar como ser pai daquele ser que ele carrega no colo e chama de filha.

GQ Brasil: Você e a Luisa [Micheletti, com quem namora há cinco anos] pensam em casar e ter filhos? Você acha que essas etapas são importantes para um casal se consolidar ou hoje é possível se consolidar de outras maneiras, com outros tipos de conquistas em parceria?

Caco Ciocler: Acho que os casais estão construindo novas maneiras de consolidar parcerias, de dividir uma vida conjunta sem abrir mão das individualidades. Casar e ter filhos já foi considerado a consequência natural de uma relação amorosa. Hoje existem outros modelos. Casais que moram em casas separadas, que resolvem abrir a relação, casais sem filhos, parcerias afetivas que não necessariamente sejam compostas de apenas duas pessoas, enfim…As pessoas estão, como sempre estiveram, em busca de sua felicidade e se abrindo para experimentar novos modelos de relação em nome dela. Isso não anula a felicidade na decisão de casar e ter filhos, apenas acho que esse não é mais o único modelo possível, que existem sim outras maneiras de se conquistar uma parceria verdadeiramente amorosa e respeitosa. Mas isso é uma decisão, uma experimentação muito particular e íntima de cada casal.

GQ Brasil: Você está no ar com um personagem bem popular, mas às vezes não muito querido. Isso é bacana pra você, engraçado de alguma forma?

Caco Ciocler: Eu sempre soube que Edgar não seria tarefa fácil. Para além de ser complexo, multifacetado, é um personagem muito difícil de conseguir criar empatia. Edgar é um fraco e ninguém quer se identificar com um fraco, ainda mais numa sociedade que nos exige todo o tempo a perfeição e a glória, ainda que conquistados por caminhos tortos. Vivemos numa época que prega justamente o assassinato das fraquezas. Talvez quem não goste dele sejam os usuários das redes sociais, em sua maioria jovens, que fogem da própria latente insegurança como o diabo da cruz. Talvez por isso Edgar lhes seja um espelho tão fóbico. Eu tenho uma amiga psicóloga, por exemplo, que ama o Edgar. Para ela é o único personagem da novela que não tem ou tenta ter certezas, e isso o torna o mais humano da trama. Então talvez ele revele um lado que as pessoas queiram justamente apagar. Mas entendo que a fraqueza de Edgar, que eu consegui “vestir” com uma falsa potência no início da novela, acaba vazando para um caráter duvidoso e soa patética num homem de quase cinquenta anos.

Não estou defendendo ele, então sei que fica difícil mesmo conseguir empatia, torcida. Meu trabalho, a cada bloco que recebo, é tentar reforçar nas cenas uma desestrutura emocional, para que o público ao menos perceba que ele é também vítima de uma criação que destruiu sua autoestima e acabou forjando um adulto habitado por uma criança mimada, imatura. Quem sabe assim eu consiga do público compaixão pelo Edgar e, por que não, alguma torcida até o final da novela. De qualquer forma o fato dele ser um personagem popular, como você mesmo disse, e causar esse tipo de sensação no pessoal me diverte sim, porque são sinais inequívocos de que estou conseguindo imprimir exatamente o que o personagem pede.

GQ Brasil: Como foi ter que dar uma caprichada no visual para o papel? Que tipo de treino você fez?

Caco Ciocler: Não foi bem uma caprichada, na verdade. A trama começa vinte anos antes, ou seja Edgar começou a novela com trinta anos. E era um playboy, sempre enxerguei ele como um cara convencido, mimado. Então me veio essa imagem de um cara que malha, vaidoso, entende? Eu já fazia ginástica funcional em São Paulo mas queria mesmo mudar de corpo, e tinha pouco tempo para isso. Então fui numa médica, fiz uma dieta rigorosa, eliminei todo e qualquer carboidrato e açúcar do cardápio e passei a fazer musculação pesada absolutamente todos os dias da semana.

GQ Brasil: Você sentiu, aos 46, uma dificuldade maior pra conseguir chegar no resultado desejado?

Caco Ciocler: Como nunca tinha feito essa dieta não tenho como comparar com outras que já fiz, mas acredito que se eu tivesse menos idade o metabolismo ajudaria a acelerar o processo sim.

Fonte oficial: GQ

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