Dependência química em casa, como lidar? – GQ

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Vamos falar sobre dependência química? Para tentar elucidar algumas das dúvidas em torno desta doença que atinge três pilares do ser humano (o físico, o mental e o espiritual), conversamos com a psicóloga Mônica Santana Baptista, que sentiu na pele a experiência.

“Com 11 anos saí da escola e aos 13 anos iniciei o uso de drogas e álcool”, lembra. “Aos 15, o primeiro filho. Aos 22, a internação e mais uma filha. Descobri que o que tinha era uma doença, progressiva, incurável e fatal. Não sabia sua origem, mas tinha jeito de estacioná-la”, conta ela, que retomou a vida na sociedade aos 25 anos com novas amizades, novos relacionamentos e a atração por trabalhar com pessoas que sofrem com dependências químicas.

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Mônica trabalhou em muitas clínicas de recuperação de homens e mulheres cujas vidas eram controladas por álcool e outras drogas. “Ouvindo centenas de historias nesses 19 anos, desenvolvi minha própria compreensão dos motivos pelos quais as pessoas caem nas armadilhas da dependência química”, diz.

A psicanalista descobriu ferramentas para o tratamento de dependências. “Uma delas é o inventário pessoal, através dele desenvolvo uma leitura mais profunda sobre a história de vida de cada indivíduo. Cada um tem sua trajetória e essa deve ser vista com cuidado e respeito acima de tudo. É assim que acontecem grandes mudanças de personalidade, transformação de dentro para fora e mudança das crenças”, segue.

Como prevenir?

“Os primeiros sinais de que um filho pode estar tendo problemas com drogas aparecem nos relacionamentos. O adolescente que tiver vínculos de confiança dificilmente estará inclinado ao uso ou à dependência de drogas e álcool. Estamos falando de relacionamento afetivo e saudável com a família e amigos”, explica.

Alguns questionamentos podem ajudar. “Você conhece seu filho? A que ponto? Você, pai ou mãe, sabe tudo sobre seu filho? Sabe por onde ele anda quando diz que está em determinado local? Ele diz aonde vai? Quem são os amigos do seu filho? Quem é seu professor? Sua matéria preferida? E a matéria em que ele tem dificuldade? Você sabe se ele ou ela tem alguma limitação? Sabe dizer quando entra a semana de prova? Seu filho tem abertura para falar de qualquer assunto com você?”, lista Mônica.

A psicóloga Mônica Santana Baptista, especialista em recuperação de dependentes químicos (Foto: Divulgação)

O recado da especialista é claro: fique próximo de seu filho, em todos os sentidos. “Isso fará toda diferença”, analisa. “Isso é saúde emocional. Para cada idade existe uma forma de abordar o assunto ‘drogas e álcool’. Falar desse assunto de forma pejorativa e agressiva com nossos menores pode causar distância, não aproximação”, endossa.

Para Mônica, ter bebidas em casa também pode ser uma porta de entrada para o consumo, normalizando-o. “Seu filho não vai seguir o que você fala, seguirá o que você fizer”, diz.

Como tratar?

Quando os pais identificam que seus filhos estão envolvidos com drogas ou álcool, o ideal é conversar. “Se aproxime e, se necessário, busque ajuda profissional”, diz Mônica. “Não o jogue num consultório esperando que o psicólogo resolva o que é seu trabalho. Não terceirize o problema”, explica.

A rehabilitação, diz Mônica, pode não ser a solução ideal. “Casos para internação devem ser avaliados cuidadosamente, pois em muitos deles seu filho pode piorar”, alerta a especialista. “Grupos de ajuda mútua como Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos existem para isso”, continua.

Outra das saídas, conta ela, por fim, é a espiritualidade. “Ser doente não é uma escolha, mas sim estar condicionado a um sistema de crenças falsas sobre si mesmo, sobre o mundo a sua volta e sobre as pessoas com as quais você se relaciona”, finaliza.

Fonte oficial: GQ

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