Depois do K-pop, banda TRISS traz K-indie em show no Brasil – GQ

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TRISS (Foto: Divulgação)

Ainda que o K-pop prevaleça entre os ritmos mais importados da Coreia do Sul, uma banda indie vem mostrando que o país asiático também sabe explorar novos ritmos como nenhum outro. Formada pelo vocalista HyunDeok, o baixista MinKyu, o baterista YoungKwon, e Daisy, que comanda os teclados e sintetizadores, a banda TRISS fez sua estreia em 2016 e já é considerada um dos destaques da nova fase musical coreana desde o debut single, “Ice Cream”. Em um papo descontraído via conexão Brasil-Coreia, o quarteto compartilhou com a GQ Brasil sua visão sobre o mercado independente, suas referências pessoais e contou como é produzir música na era digital.

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No comando de HyunDeok – que, além de líder e vocal principal, também é o compositor –, o som da TRISS flerta diretamente com o synth-pop, ritmo que não sai do topo das paradas internacionais. Em 2018, a banda lançou o experimental Science and Fantasy, EP que mistura luzes coloridas, naves espaciais, planetas e fenômenos sobrenaturais. A mistura intergalática também vale para as referências na hora de compor: “Gosto de filmes de ficção científica dos anos 80 e 90, eles me ajudaram a construir uma visão sobre o que o futuro poderia ser e, apesar da estética cafona comparada aos filmes atuais, eles possuem um charme próprio e misterioso – como assistir algo que relata o futuro, só que produzido no passado”, descreve HyunDeok, “Quando escrevi o primeiro EP da TRISS, esses filmes foram minha inspiração”. O clássico cult, Blade Runner, é o sci-fi favorito dos integrantes e foi um dos responsáveis para que a formação acontecesse.
 

Ainda que o quarteto beba de fontes nostálgicas, o som da TRISS também passa por nomes recentes do cenário independente, como a banda francesa Phoenix e o trio escocês Chvrches. “Eu gosto do som de sintetizador que eles incorporam e gosto ainda mais do arranjo vocal que está mais próximo de uma banda do que algo puramente eletrônico. Também curto a vibe do Foster The People e do Tame Impala – me sinto fascinado com sua peculiaridade sonora” sinaliza o vocalista.

Apesar de todos os integrantes sul-coreanos, as letras da TRISS são majoritariamente em inglês, fugindo um pouco da tendência do K-Pop, que, como a própria banda alega, mistura influências musicais distintas, mas prioriza sua língua nativa. Pode soar inusitado não cantar em coreano, mas segundo o vocalista, a escolha não é aleatória: “Na verdade, eu não escrevo músicas com uma língua pré determinada. Quando me preparo para compor, eu uso o Hangul (alfabeto utilizado na escrita do coreano) se ela combina bem com a melodia que estou pensando”.

E ser popular na Coreia não é tarefa fácil. Apesar do espaço fértil, o quarteto enxerga que expandir para o mercado global foi a melhor saída para continuar produzindo música de forma autônoma “Mesmo que o K-pop seja uma tendência global, a indústria coreana ainda é muito pequena para os artistas independentes. Não temos muitos lugares onde se apresentar. Hoje em dia, existem programas de TV com performances de bandas e isso começou a chamar a atenção do público, mas, com certeza, o espaço maior ainda é dedicado ao K-pop” relata YoungKwon.

TRISS (Foto: Divulgação)

Escalada ao sucesso

A investida no estrangeiro vem dando certo e rendeu para a TRISS o título de “Melhor Banda” no festival Indie Week Canada 2018, antes mesmo do primeiro EP sair. A surpresa é evidente para HyunDeok: “Eu fiquei surpreso. Jamais vou esquecer o momento em que o nosso nome foi anunciado no palco da cerimônia de premiação. O festival foi a nossa primeira performance fora da Coreia, o que torna o título ainda mais especial. Provavelmente não irei esquecer disso por um longo tempo.” diz. “Realmente significa muito para nós. Como HyunDeok disse, essa premiação foi o primeiro passo do reconhecimento internacional do nosso som e, graças a isso, rolou planejar a turnê brasileira. Eu chorei muito no momento da seleção” completa Daisy.

Acertando nas escolhas, o último lançamento da banda caiu na teia virtual e se tornou viral entre os usuários. “Rolly Rolly”, solta no início de julho simultaneamente no Youtube e Spotify, ganhou um desafio online com os movimentos-chave da coreografia – o #RollyRollyChallenge – que se espalhou rapidamente no app de vídeos e lipsync, TikTok. Para o vocalista, a culpa é toda da Internet: “Vivemos numa época em que os artistas precisam criar não apenas música, mas conteúdos adicionais para representá-la e gerar engajamento com os fãs através das plataformas. Não é tão simples para uma pessoa que se sente facilmente fatigada na Internet e é zero amigável com as redes sociais como eu”, diz ele à GQ Brasil.
 

Conquistando fama longe de casa, a TRISS abusa do synth-pop e coloca o público para dentro das pistas de dança ao redor do mundo. Ansiosos para conhecer o Brasil, a aposta sul-coreana chega pela primeira vez para se apresentar durante o Festival COMA de Brasília. A mini-turnê ainda inclui um show completo na capital paulistana no dia 4 de agosto, no clube The House – refúgio conhecido dos alternativos da cidade nas duas últimas décadas –, e segue com um DJ Set sob o comando da tecladista. Os ingressos estão disponíveis no site do evento(https://pixelticket.com.br/eventos/3984/triss-em-sao-paulo-show-e-dj-set-de-k-pop). Não deixe de conferir.

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Fonte oficial: GQ

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