Depressão: quando a vida parece chegar ao fundo do poço – GQ

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Todo mundo sente-se triste e angustiado em determinados momentos da vida. Se esses sentimentos permanecem por muito tempo, se intensificam e passam a prejudicar o seu cotidiano, é melhor ter cuidado: são sinais de depressão, a doença considerada “o mal do século 21”.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 322 milhões de pessoas sofrem de depressão, um transtorno que sempre existiu, mas que se tornou uma epidemia nos dias de hoje. Ela já atinge 4,4% da população mundial e é a principal causa de suicídio, com cerca de 800 mil casos anuais. Até 2020 será a doença mais incapacitante do planeta.

Tô na deprê?
A depressão é uma doença psiquiátrica crônica, um distúrbio que provoca diversos sintomas físicos e emocionais permanentes ou transitórios. Traz uma tristeza sem fim, baixa auto estima e um olhar sempre cinzento sobre o mundo. Se não tratada, provoca consequências físicas, reduz a imunidade e abre espaço outras doenças, como diabetes, hipertensão e inflamações oportunistas.

Fundo do poço
A doença tira as cores da vida, que perde o sentido. Em casos agudos, o depressivo não consegue sair da cama, não toma banho, se isola do mundo e passa a ter pensamentos suicidas. É o fundo do poço.

O que causa
Apesar dos avanços das pesquisas científicas, a causa específica da doença ainda não foi descoberta. Uma das teorias mais aceitas é de que a depressão seja resultado de uma disfunção no sistema nervoso central, que reduz e desiquilibra as concentrações de dois neurotransmissores (serotonina e noradrenalina), responsáveis pelo surgimento dos sintomas físicos e emocionais.

Fatores genéticos
Já foi comprovado que fatores genéticos provocam uma disfunção bioquímica no cérebro que deixam algumas pessoas mais propensas a desenvolver a doença. A crise, no entanto, é gerada por “gatilhos”: traumas na infância, abusos sexuais, estresse físico e emocional, uso excessivo de drogas e medicamentos, além de doenças crônicas.

Estresse, o grande vilão
O estresse é apontando como o principal vilão para a epidemia mundial de depressão. Passar por momentos de pressão constante, ansiedade, tensão e nervosismo fazem a produção dos hormônios do estresse (cortisol, CRF) disparar, o que provoca uma bagunça cerebral.

Sinais no corpo
Além dos sintomas emocionais, fique atento às alterações que o corpo mostra. Entre os sintomas, estão as mudanças de peso (engordar ou emagrecer sem motivo aparente), fadiga, cansaço e falta de energia, insônia ou excesso de sono, sentir culpa constante, angustia, irritabilidade, falta de prazer em atividades que sempre gostou, dificuldade em se concentrar, lentidão motora e mental, dores no peito, de cabeça e tensão nos ombros e baixa libido.

Em qualquer idade
A depressão atinge pessoas de todas as classes sociais, em qualquer fase da vida: crianças, adolescentes, adultos e idosos. Mas os sintomas costumam variar conforme a idade. Nos idosos é preciso uma atenção especial, pois se costuma associar a aparente tristeza à “fraqueza natural da idade”.

Prejuízos no trabalho
A depressão afeta diretamente a economia. Estima-se que os prejuízos devido à doença cheguem a 210 bilhões por ano no Brasil, segundo levantamento da London School of Economics. O funcionário sofre preconceito e ganha os rótulos de “preguiçoso”, “vagabundo” ou “desinteressado”.  Todos saem perdendo: a pessoa que sofre com a doença, a empresa que assume o trabalhador que não consegue produzir plenamente e o governo que vai gastar mais com saúde.

Busque ajuda
É preciso buscar ajuda de um médico psiquiatra para fazer o diagnóstico, que não é tão simples, pois existem diferentes níveis (leve, moderada e grave) e tipos (a medicina já classificou ao menos 9 mais comuns) de depressão.
De gravidade leve a moderada, ela pode ser facilmente tratada com terapias ou psicoterapias. Já a depressão mais grave necessita que o método inclua o uso de medicamentos antidepressivos associados à terapia.

Medicamentos antidepressivos
Existem mais de 30 tipos de antidepressivos no mercado. Dependendo do caso, o psiquiatra recomenda que se tome pelo resto da vida para evitar recaídas. Em outras situações, são combinados com outros medicamentos, como ansiolíticos e antipsicóticos. Nunca faça automedicação.

Tratamentos alternativos
Os tratamentos naturais e alternativos são altamente recomendados para casos de depressão, até porque muitos já tiveram comprovação científica atestada, como a acupuntura, meditação e ayahuasca (chá usado em rituais religiosos como Santo Daime, mas que está sendo aplicado por terapeutas).
É fundamental a mudança de hábitos: a prática regular de atividades físicas, tomar sol com regularidade, parar de fumar e consumir álcool, além de adotar uma alimentação saudável.

Fonte oficial: GQ

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