Designer faz sucesso com móveis brutos, feitos em aço – GQ

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Foi no chão da metalúrgica fundada por seu avô que o designer Rodrigo Edelstein aprendeu seu ofício e criou uma profissão. Autodidata, mão na massa e com espírito empreendedor, o paulistano, que chegou a começar uma carreira como ator, sempre teve a sensibilidade artística correndo nas veias. “Fora o torno, que nunca soube mexer, aprendi a trabalhar em todas as máquinas. Inal Pontes de Carvalho, meu avô e grande inspiração, me deu esse drive. Se faltasse alguém na produção, ele vestia um macacão e resolvia. Sempre quis ser esse tipo de gente”, reconhece.

Dito e feito. Utilizando como matéria-prima o aço, que lhe era familiar, Rodrigo encontrou beleza e utilidade em peças industriais e pensou que ali havia uma oportunidade e um nicho. Com essa ideia na cabeça, fez um convite ao designer Rodrigo Almeida, que desenhou uma primeira coleção em 2012. Assim, Edelstein criou uma nova divisão na empresa do avô e também o embrião do que seria a Meji, sua marca de móveis. Porém, a globalização e a competição chegaram avassaladoras e a fábrica fechou as portas.

Design (Foto: Divulgação)

“Perdi meu chão. Pensei em desistir, mas resolvi seguir em frente”, admite. Nesse momento, ele já estava determinado a se inserir no mercado de design. Foi quando surgiu uma ideia inesperada: o protótipo de uma cadeira para a Micasa, de Houssein Jarouche, que não só fez seu primeiro pedido como também se propôs a montar uma expo com suas peças, em 2013. A partir dessa investida inicial, Rodrigo começou a criar tendo a simplicidade como aliada. “Meus desenhos eram acessíveis. Era muito mais um trabalho de síntese de uso do material do que um trabalho de design, em si”, resume. Edelstein se uniu a Vitor Grostein, seu sócio investidor e gestor, e inaugurou o showroom, em São Paulo, junto ao arquiteto Bernard Leroux. “O aço me levou ao design. Nasci com esse material, amo ele.” Hoje a Meji trabalha com duas linhas contínuas e com projetos especiais.

Duas coleções devem ser lançadas até o início do próximo semestre. “Agora o desafio é combinar o aço com outros materiais e pensar em novas possibilidades”, resume. Artesanal, com material industrial e com a mão do dono.

Fonte oficial: GQ

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