Duda Nagle abre o jogo sobre rotina e treinos: “virei o peladão da novela” – GQ

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Essa é uma semana cheia para Paixão, personagem de Duda Nagle em A Dona do Pedaço. O boxeador, derrotado há algumas semanas por Rock (Caio Castro), vai pedir sua revanche – e, ao que tudo indica, deve sair vitorioso. Para Nagle, porém, a vitória é sobre uma rotina que descreve como um “perrengue logístico”. São ensaios intermináveis, treinos diários e uma vida dividida entre o Rio de Janeiro, onde trabalha, e São Paulo, onde tem sua família com a apresentadora Sabrina Sato e a filha, Zoe.


Duda Nagle (Foto: Divulgação)

Foi em uma dessas pontes aéreas que a GQ Brasil conseguiu falar com Duda. O ator estava chegando no Rio de Janeiro para um dia de gravações. Cansado? Que nada: “Acho que consegui ficar meio casca grossa nesse sentido”, revelou. No papo, ele abre o jogo sobre sua rotina de treinos diários (“queria treinar mais”) e alimentação, que mudou “radicalmente” com o convite para viver Paixão na novela.

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Sobre seu personagem, Duda adianta uma boa fase. Após a surpresa do casting – feito, segundo ele, “de uma semana para outa – o ator descobriu que, mais que um lutadior, Paixão é um “fanfarrão”, que “tá sempre pelado na novela”. Na conversa, ele relembra o caminho de sua carreira até esse ponto, da infância nos estúdios com a mãe, Leda Nagle, até o papel de destaque no folhetim das nove: “É engraçado isso: era uma criança que adorava o backstage e agora eu virei o peladão da novela”, diverte-se. Veja abaixo o papo completo.

GQ Brasil: Como tá a rotina de nômade? Com a família, as gravações intensas, como tá tudo?
Duda Nagle:
Eu nunca trabalhei com dia útil ou inútil, com horário comercial… então nem sei como é. Minha vida hoje é um perrengue logístico. Isso faz parte da minha profissão. Hoje em dia algumas pessoas que fazem leituras de comportamento dizem que quem conseguir adaptar-se a rotinas flexíveis vai ser fortalecido e tende a prosperar mais nesse ambiente do futuro. É o “antifrágil”. Então sem querer acho que consegui ficar meio casca grossa nesse sentido.

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GQ Brasil: Mas não rola um day-off, um descanso?
Duda Nagle:
É a rotina todo dia. Outro dia, por exemplo, eu cheguei da academia no 7 de setembro, que caiu em um sábado. Do nada apagaram a luz e eu pensei “ué?!” Fui ver o que tinha acontecido e o cara falou “são cinco da tarde e hoje é feriado”. Daí que lembrei, entrei naquele modo “recalculando rota” [risos]. Eu sou sempre surpreendido por um feriado, por exemplo. Quando acontece eu penso: “já é feriado de novo?”

GQ Brasil: Nem da dieta? Não tem um Dia do Lixo?
Duda Nagle:
Outro dia cheguei no aeroporto e liguei para o meu médico para reclamar: “cara, simplesmente 98% das coisas que vendem no aeroporto eu não posso comer”. Acabo dependendo da minha mochila. Aí brinco também que, se me perder na floresta com minha mochila, eu sobrevivo por duas semanas sem precisar caçar [risos]. Sou meio acumulador, eu gosto de estar prevenido.


Duda Nagle (Foto: Divulgação)

GQ Brasil: Mas e quando não está gravando?
Duda Nagle:
Eu tenho de treinar praticamente todos os dias. Fui chamado para fazer o boxeador na novela de uma semana para outra, foi uma coisa bem repentina. E, por sorte, eu já tava fazendo uma dieta por conta própria. Fui ao médico exatamente no dia do meu aniversário e dois dias depois eu fiz um churrasco, comi igual a um crocodilo, um monte de carboidratos, um monte de besteira, e aí no dia seguinte eu comecei a dieta. Sabe esses momentos que você resolve dar uma guinada na vida?

GQ Brasil: Sei. Que sorte!
Duda Nagle:
Sim, e eu já tava bem adiantado nessa dieta quando rolou o convite. Ao mesmo tempo, tinha acabado de voltar de Barcelona, de uma viagem quase gastronômica com a Sabrina, a Zoe… a família toda, com muita oferta de comida. Eu brinco que tirei nota 7, consegui resistir bravamente. Claro, saí um pouquinho, mas passei de ano.

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GQ Brasil: E o que mudou quando rolou o convite?
Duda Nagle:
Aí eu ajustei ali e foi bem radical. Comecei a treinar ainda mais, três vezes por dia. Você precisa estar com o corpo condicionado para aguentar a maratona de gravações. Para duas lutas, por exemplo, a gente passa três horas gravando dentro do ringue, fora todas as horas de ensaio no mesmo dia. É tão corrido que a gente não tem tempo para preparar as coreografias com antecedência, acaba ficando tudo para o dia. Grava uma cena, corre ensaiar, volta, troca de roupa e de maquiagem, volta, grava outra cena, sai correndo… a gente precisa estar fisica e mentalmente bem preparado.

GQ Brasil: É como um atleta, de repente…?
Duda Nagle:
Diferente de um atleta. Um jogador de futebol depois do jogo, por exemplo, depois da partida, a parte linguística não é prioridade ali. Ele acabou de correr 13 km e fazer altas estratégias de jogo, então o cérebro dele é outro. No nosso caso a gente tem que gravar cenas com diálogo no mesmo dia. Você chega no estúdio e te dizem “Agora você vai gravar a cena em que seu avô morreu”, “agora você vai pedir ela em casamento”. Então o ator tem que estar mentalmente preparado para mudar de estado emocional, intelectual, tudo muito rápido. Faz parte do preparo essa maluquice toda.


Duda Nagle (Foto: Divulgação)

GQ Brasil: Para essa parte mental, você faz alguma meditação, mindfullness assim?
Duda Nagle:
Cara, mais ou menos, já tive várias fases. Gosto de meditação ativa e de caminhar. Raramente tenho feito exercícios de respiração. Já fui da ioga, um praticante assíduo. Agora uso coisas mais leves como exercícios de fisioterapia, caminhada, pra fazer um tipo de meditação ativa.  Tenho aproveitado muito as capacidades do meu smartphone, então tô o tempo todo recebendo informação. Isso me faz bem, quase como uma meditação conduzida. Preencher a cabeça, criar novas sinapses ali… assistir entrevistas, palestras, aulas online e tudo junto e misturado [risos]. Acho importante.

GQ Brasil: E você treina outras modalidades de luta?
Duda Nagle:
Eu sou maior nômade treinando. Minha profissão me deu oportunidade de conhecer muita gente, acaba que eu vou treinando em vários lugares. Teve a Vila da Luta, do Demien Maia, agora tem a BodyTech as academias de jiu-jitsu da rede Alliance. Tem  também os amigos que praticam luta e me apresentam para outro. Acaba que vou a muitas academias diferentes, gosto muito disso também.

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GQ Brasil: O boxe é sua primeira vez ou você já tinha treinado antes?
Duda Nagle:
Eu já treino há muito tempo. Normalmente, quando eu tô livre, eu prefiro treinar o Muay-Thai, acho mais completo e mexe o corpo inteiro. Mas agora, depois que rolou o convite, eu comecei a treinar especificamente boxe.

GQ Brasil: Falando da rotina de treinos, não só de luta, quantas vezes por semana você treina?
Duda Nagle:
Outro dia eu fui ao médico fazer o exame admissional da Globo e aí ele me perguntou “quantas vezes você treina?” e eu respondi “por dia?”. Ele se impressionou. Perguntou: “você treina todo dia?”. E eu respondi: “pelo menos uma vez por dia” [risos]. Achei engraçada a reação dele, para mim uma vez por dia é pouco, gostaria de treinar mais.

GQ Brasil: E quanto tempo duram seus treinos? Uma hora?
Duda Nagle:
Ah, depende. Às vezes menos, às vezes mais. Acho que nem que seja uma caminhada, um exercício de prevenção. Pode ser no quarto do hotel, em casa, na academia do prédio, do hotel. É uma das primeiras perguntas que faço quando me agendam um hotel: “Tem academia? Até que horas ela fica aberta?” [risos]

GQ Brasil: Na rotina nômade ela é importante, né?!
Duda Nagle:
Sim, ainda mais porque não posso me dar ao luxo de treinar no horário comercial, geralmente eu chego quando ela tá fechando, sou o último a chegar.


Duda Nagle (Foto: Divulgação)

GQ Brasil: E a sua dieta? Você comentou dos 98% da comida do aeroporto que são proibidas para você, o que você pode comer?
Duda Nagle:
Eu não tô comendo nada de batata inglesa, arroz… pão eu não como há quatro meses. Em Barcelona eu comi algumas tapas – mas só algumas. Então, pão nem pensar. Cortei laticínios também. Arroz, só integral, quando eu vou gravar cenas de luta. Eu tô agora numa pegada low carb.

GQ Brasil: E já tentou outras dietas?
Duda Nagle:
Passei pela cetogênica e pela dieta do HCG, que eu nem conhecia – mas eu não tomei o tal do HCG. Algumas pessoas tomam esse hormônio quando fazem, eu só fiz a dieta. A cetogênica usa a gordura como maior fonte de energia. Agora, desde o início da novela, eu passei a comer bem menos. Quantidade também. Eu normalmente tenho hábitos alimentares considerados saudáveis. Normalmente tiro nota 7, 8 na minha alimentação. Só que eu pecava na quantidade. Agora eu tô ligado também na quantidade.

GQ Brasil: Então hoje é um low carb comendo menos?
Duda Nagle:
É, um low carb com um pouco de restrição calórica.

GQ Brasil: E isso vai até quando? A novela já tem data de encerramento?
Duda Nagle:
A novela vai até novembro. Eu não sei se meu personagem fica até lá, mas sei que a gente ainda tem mais algumas cenas de luta.

GQ Brasil: Como está sendo viver o Paixão?
Duda Nagle:
Quando surgiu o convite, primeiro eu fiquei sabendo que ele seria um lutador. Depois fiquei sabendo que ele era um grande fanfarrão. O cara tá sempre pelado na novela, chega pelado no meio do escritório da Kim, peladão.

GQ Brasil: Eu li essa notícia. Como foi para você gravar essa cena da nudez?
Duda Nagle:
Eu tô passando por um túnel agora, se cair é por causa disso. [risos]

GQ Brasil: Ah não, nessa parte da entrevista, não.
Duda Nagle:
[risos] Veja, eu entrei nas aulas de teatro porque eu queria perder a vergonha de falar em público na faculdade. Mesmo entre amigos, quando chegava uma pessoa que eu não conhecia, eu ficava bem mais tímido para conversar e tal. Comecei a fazer teatro para melhorar meu desempenho. E comecei a gostar. Fiz um workshop, depois fui procurando teste para TV. Entrei para a oficina de atores da Globo, um curso dentro da emissora. Aí fiz o teste com esse produtor de elenco que me chamou para o teste da novela. Um dia tava voltando do futebol e minha mãe [a jornalista Leda Nagle] ligou, dizendo “Duda, onde você tá? Você passou no teste! Você vai fazer novela!” Aí lembro de chegar em casa ela estar comemorando, parecia a Copa do Mundo. Lembro de abrir a geladeira cenográfica, ver todos aqueles itens, fiquei fascinado com aquele universo. Quando era criança, levava meus bonecos para o estúdio de minha mãe e ficava brincando escondido. Acho que foi uma mistura de tudo. Era uma criança que adorava o backstage. E agora eu virei o peladão da novela. Acho engraçado isso.

GQ Brasil: Você comentou algo sobre seu personagem não ir até o fim da novela. Isso é um spoiler?
Duda Nagle:
Novela é uma obra aberta, né?! É o clichê máximo. E aí a gente nunca sabe o que vai acontecer com o personagem. Mas eu vim com uma missão, aí depois descobri que eram duas missões – fazer a luta de boxe com o Rock (Caio Castro) e ao mesmo tempo embolar o triângulo amoroso da Kim (Monica Iozzi), do Márcio (Anderson Di Rizzi), essa história toda.

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Fonte oficial: GQ

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