Em 2019, a moda vai ser feita para os chineses – GQ

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O débute de Lewis Hamilton no mundo da moda foi uma das notícias mais interessantes desses últimos meses no mundo do bem vestir. Mas não é só porque o cara saiu do pit stop para a passarela. Seu primeiro desfile também foi um enorme evento em Taiwan, uma escolha que não veio à toa: mercados emergentes são mais do que nunca essenciais à indústria da moda. E, segundo relatório ‘The State of Fashion’ da publicação BoF e a agência Mckinsey, 2019 será o primeiro ano que a Grande China (um guarda-chuva que cobre China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan) supera os EUA como maior mercado fashion no mundo.

Alguns motivos para tal? A China caminha em largos passos para mover boa parte de sua população rural para cidades em expansão, vê seus índices de desemprego cairem e de produtividade, aumentarem. Mais pessoas inseridas na dinâmica urbana e com renda no bolso significa mais consumidores prontos a comprar uma pochete Gucci, algo muito distinto do que o poder de compra do chinês médio poderia arcar há 40 anos. Além do quê, não é de hoje que a China tem papel de protagonista nesse tipo de indústria: este ano, o país representou 32% do mercado de luxo mundial, porcentagem maior que qualquer outra região do mundo.

A China também significa desafios: como o resto do mundo, ela não está livre da desaceleração econômica e protagoniza um embate tarifário com os Estados Unidos que, embora esteja no meio de cessar-fogo, já atingiu uma variedade de mercados e empresas, desde Harley-Davidsons ao uísque bourbon.

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E também joga pressão para que marcas sejam mais diversas, algo que no caso do mercado chinês ainda pode ser dificultoso aqui e ali – vide recentes campanhas de marcas como Dolce & Gabanna e Chanel.

Além da China, o crescimento da classe média e da indústria de manufatura na Índia são fatores a ser considerado. Apesar do otismo sobre essas regiões, o relatório espera um crescimento da indústria entre 3,5 e 4,5% maior que 2016, mas levemente menor que 2017. Há também uma maior centralização do mercado: as 40 marcas mais poderosas – entre LVMH, Nike e Inditex – representam 97% do valor gerado este ano (algo em torno de US$ 25 bi). Para título de comparação, eram 70% em 2010.

Fonte oficial: GQ

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