Empresa usa blockchain para cuidar de lixo – e está colhendo os louros – GQ

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Blockchain vai bem além de ser a base transacional do bitcoin. Ela também tem papel chave na 4ª Revolução Industrial, junto de tecnologias como machine learning e internet das coisas. O cara que fundou do Blockchain Research Institute já nos resumiu bem a coisa toda. Mas, por ora, vamos pensar em lixo – e como uma empresa brasileira pretende usar uma tecnologia transacional para mudar o jogo.

A Plataforma Verde gerencia resíduos industriais através de um sistema blockchain, o que significa dizer, a grosso modo, que ela trabalha com parceiros em processos registrados e intrinsicamente elencados um com o outro, fazendo com que irregularidades apareçam mais claramente e investigações possam ser conduzidas com maior agilidade. “[O blockchain] é destinado a processos em que falta confiabilidade entre as partes”, diz Chicko em entrevista ao Valor.

Com o pagamento de mensalidades, empresas têm em mãos uma ferramenta digital para a transparência no transporte, finalidade dos resíduos e licenças ambientais. É o que espera a empresa, e é o que sugere experiências com a plataforma. “Antes, esperávamos um mês para saber que tínhamos gerado excesso de resíduos, agora é possível identificar desvios na hora e já averiguar na produção o que está acontecendo”, exemplifica Rafael Mattos, da Renault, ao Projeto Draft. A empresa francesa ajudou a Plataforma Verde durante o  período de teste do negócio, colocando-o em prática em sua fábrica no Paraná.

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A mãe do agora empresário Chicko Souza costumava levá-lo ao Centro Federal de Educação Tecnológica em Curitiba alertar: ‘Você tem que estudar para virar engenheiro, senão vai virar lixeiro’. É esta a história que Souza costuma contar quando fala da ideia que se tornou base para o plataforma Verde: entre lixeiro e engenheiro, se tornar os dois. E é o que ele fez acontecer, a sua própria maneira.

Em dois anos de vida, a Plataforma Verde não é coisa de se jogar fora. Isso sem dúvida alguma. Com algo na casa de 1,5 clientes e com planos de expandir sua oferta de 18 serviços de software para 42, ela integra desde ano passado o programa Pioneiros da Tecnologia do Fórum Econômico Mundial, um grupo seleto de empresas independentes ao redor do globo que estão no front do desenvolvimento em áreas diversas. Esta semana, ela passa a integrar também o programa StartOut, que lança ao mundo ideias saídas de startups canarinhas. Além disso, o grupo DGF Investimentos negociou este mês participação no capital da empresa em recente rodada de investimentos, reporta o Valor, embora não se saiba a respeito de valores.

O negócio tem um lado sustentável, que vai além do combate a irregularidades e passa também por reuso. “Lixo é commodity. Se você conseguir separá-lo, ele pode voltar para o processo produtivo”, diz Chicko Souza ao Valor. Mas configura também um mercado cheio de potencial. O próprio Souza projetou ano passado para o Istoé Dinheiro: “Acredito que o segmento de resíduos, sólidos (incluindo a coleta, a reciclagem e a gestão do processo) tem potencial para triplicar de tamanho, passando dos atuais R$ 8 bilhões para R$ 24 bilhões”.

Fonte oficial: GQ

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