Entre influencers e big labels, o que é moda pra você? – GQ

7

Yves Saint Laurent, Vivienne Westwood, Yohji Yamamoto ou Rei Kawakubo. Uma das primeiras coisas que aprendemos sobre moda é a lista de ícones que fizeram história e ditaram regras. É algo fundamental para entender os diferentes universos que compõem uma intrincada teia de referências, necessárias para saber de onde vem e para onde vai o mercado.

Ensinaram-nos a reconhecer os minimalistas como Jil Sander, pop como Moschino ou Versace, provocadores rebuscados como McQueen ou Galliano, ou ainda os chamados desconstrutivistas, grupo do qual fazem parte Margiela e Rick Owens. Um ponto em comum: todos eram designers de fato, fiéis a um conceito e a uma estética, reconhecidos como os reais influencers de estilo. De seus croquis saíam (ainda saem, para os que estão na ativa) o que se convencionou chamar de Moda. Mas com as transformações do novo século, esse cenário mudou. Hoje o sentido da palavra é bem mais amplo: qualquer coisa pode ser moda hoje em dia.

Explico: vivemos a era do styling; as tendências foram pulverizadas e não fazem lá muito mais sentido com a globalização galopante. Hoje, o que vale é você usar o que quiser, do seu jeito e, mais do que estar na moda, ganha mais pontos quem produzir mais estilo. Na real, estar na moda sempre esteve associado a ter dinheiro para comprar as peças da vez, enquanto ter estilo não passava necessariamente pelo tamanho do limite do cartão. Repense.

+ 21 novas regras da elegância corporativa
+ Milionários do Bitcoin estão invadindo o mundo do streetwear
+ Conheça o time de influencers da Dolce&Gabbana

Além das big labels – que, sim, seguem ditando o que meio mundo vai usar na estação –, Zara e a H&M são moda, a Nike é moda, Adidas idem, Supreme e Crocs também. Aconteceu com a moda o que já havia acontecido com a arte: qualquer coisa pode ser moda, assim como é com a arte desde Marcel Duchamp e seu mictório. O belo virou feio e vice-versa. Aliás, onde começa o feio e termina o belo? Glamour hoje é andar de moletom e jeans delavê, calçando tênis mais duvidosos do que os do seu pai no churrasco de domingo. As marcas badaladas de hoje usam como combustível o estilo mais comum visto nas ruas das décadas de 1980 e 1990. É pura ironia, questionamento, quebra de paradigmas.

unca foi tão fácil estar na moda! Claro que ainda existe um direcionamento sobre o que as pessoas vão vestir, a diferença está na origem da informação. O mundo digital criou novas fontes, novos ícones e um novo tipo de consumidor. O seu vizinho pode ser mais influente na vida de alguém do que a Prada. Atentas ao movimento, as grandes marcas de luxo precisaram se adaptar – não há mais monopólio de estilo. Pequenos criadores, com pequenas marcas, sobrevivem e ditam tanta regra quanto os grandes, em menor escala, mas com resultado de estilo por vezes mais relevante, pois privilegia o indivíduo que vai saber misturar a peça mais barata com a mais cara, o sapato de couro italiano com a sandália de borracha cor-de-rosa. Ou você acha que o Crocs da Balenciaga aconteceu por acaso?

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários