Entre o masculino e o feminino, Harry Styles nunca vai sair de moda – GQ

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Se as últimas temporadas de desfiles nos deixaram algum legado, é que a “feminilidade” na moda nunca pertenceu apenas às mulheres e muito menos o “masculino” somente aos homens. Não faz mais sentido. É, como o grunge ou o punk, simplesmente estilos que se libertaram de limitações sociais e conotações de gênero desde os anos 90. Tules, blazers brocados e espartilhos com perfume dos anos 20 estão sendo remixados pela estética de jovens designers queer em ascensão, como o britânico Harris Reed, e aparecem em peso durante a primeira turnê solo do ex-boy band e novo rockstar Harry Styles, em “Live On Tour”.

Alguns anos antes de saltar em carreira solo, Harry Styles já se destacava no quesito estilo. Enquanto os outros integrantes do extinto grupo teen One Direction usavam jeans e camisas xadrez, ele aparecia ora com camisa de seda estampada com laços, ora com botas de verniz de salto. A evolução de seu estilo foi gradual, e atingiu o primeiro grande ápice no American Music Awards de 2015, quando apareceu com um conjunto de terno de estampa floral em preto e branco da Gucci e virou notícia instantânea. A partir daí, o look de alfaiataria se tornaria quase um uniforme e as páginas online surtariam, virando portais de moda de Harry, para além de somente fã clubes.

O figurino do cantor e compositor durante sua primeira turnê solo dão continuidade e fidelidade ao que Harry já havia construindo em sua estética, mas agora com mais histórias para contar e figurinos mais elaborados: a causa da moda de Styles é nobre e tem auto expressão. Enquanto outros músicos estão lucrando com sua base de fãs com roupas, beleza e linhas de acessórios, Styles e Gucci avançam com uma nova versão do que um rockstar em super-roupas poderia parecer. É nostálgico para o final dos anos 70 e início dos anos 80 – uma mistura de glam rock, Johnny Cash e Fleetwood Mac. As roupas se referem a silhuetas vitorianas e eduardianas – pense em mangas e calças com babados e bocas largas, corpetes de inspiração corpulenta, ombros inchados e renda ornamentada, blazers cintilantes ou estampados.

Harry Styles de Gucci (Foto: Hélène Marie Pambrun)

As referências visuais são claras: algo que Mick Jagger, Prince ou David Bowie facilmente ainda vestiriam em 2018. Gucci domina seus shows – Harry é o garoto propaganda da linha de alfaiataria da marca, mas Alexander McQueen, Givenchy, Calvin Klein e Saint Laurent também aparecem frequentemente nos palcos e nas danças frenéticas de Harry Styles enquanto agita com suas novas canções entre o folk e o rock edge.

O mais interessante dessa conversa entre a moda e Harry, porém, estão nas escolhas de marcas de designers emergentes, especialmente britânicos. Seus figurinos, particularmente escolhidos por ele e seu stylist há dois anos, Harry Lambert, fazem uma afirmação alta e segura de si, que reflete a profunda admiração de Styles por moda e que permite que alguém habite completamente quem elas deveriam ser e com quem elas deveriam estar, afinal, com a mesma naturalidade com que defende pautas progressistas, Harry veste camisas femininas, pinta as unhas e usa blazers e botas com salto. Outra, é que a moda de palco do astro é parte fundamental para ajudar a contar o novo capítulo da história de Harry Styles em carreira solo a partir desse primeiro álbum homônimo com sonoridade essencialmente retrô: com mais consistência, mais folk, mais rock ‘n’ roll ao redor de um terno cintilante por vez.

Selecionamos abaixo os designers britânicos mais usados por Harry Styles durante a turnê “Live On Tour” e contamos um pouco sobre cada um que o artista e seu stylist tem feito questão de dar visibilidade. Confira a seguir as marcas que também já estão no nosso radar:

Harris Reed (@harrisreed)

Para agitar Harry Styles no palco durante sua turnê precisaria ser algo importante, assim como seus ternos Gucci e botas brilhosas Saint Laurent. Mas o que não se esperava era que um jovem designer, de 21 anos, e ainda estudante da Central Saint Martins, era quem estaria presente frequentemente na primeira turnê solo do artista. Mas foi o caso, e Harris Reed prontamente se tornou um novo nome para conhecer.

Originalmente de Los Angeles, mas baseado em Londres, Harris tinha trabalhado com Harry Styles e seu stylist de longa data Harry Lambert por algum tempo antes da parceria ser lançada no palco em Amsterdã em março e ter viralizado. O designer é importante para a nova fase do cantor: roupas inspiradas no rock n’ roll e no romantismo, com perfume dos anos 20, silhuetas vitorianas e eduardianas,  mangas e calças com babados, Harris conversa com a nova fase de Harry Styles transitando perfeitamente bem entre o feminino e o masculino o ajudando a contar sua nova história como ícone de moda e dos palcos.

Harry Styles de Charles Jeffrey (Foto: Hélène Marie Pambrun)

Charles Jeffrey (@_charlesjeffrey)

Para Charles Jeffrey, designer escocês radicado em Londres de 26 anos, a pista de dança e as passarelas sempre tiveram a mesma função. Enquanto estudava na Central St. Martins, ele ficou conhecido no leste de Londres quando começou a sediar a noite do clube “Loverboy” no local apropriadamente chamado Vogue Fabrics Dalston. Foi nesse espaço que ele e seu grupo de amigas criativas expressaram seu gosto pela moda underground.

Depois de se formar, Jeffrey combinou seus dois mundos com uma coleção oficial da “Loverboy”, na qual arrematou o prêmio de Graduate of the Year em 2015 no Scottish Fashion Awards e tornou-se parte do Fashion East MAN quando ganharia cobertura em publicações de peso incluindo I-D, Another e Love Magazine. Desde então tem sido aclamado por trazer o cluber de volta às passarela. Assim como Harris, o designer traz aos palcos uma versão de Harry Styles em uma moda sem gêneros, mesclando ora com macacões descontruídos em nova linguagem ora com coletes com calças de alfaiataria nas quais o cantor veste primorosamente.

Harry Styles de Roker Atelier (Foto: Hélène Marie Pambrun)

Roker Atelier (@rokeratelier)

Fundada em 2015 por Alim Latif – considerado um dos designers mais cool de Londres – a ROKER cria calçados sob medida e feitos à mão a fim de dar continuidade às técnicas tradicionais de fabricação. É dela a parceria em acessórios no desfile “Loverboy” de Charles Jeffrey, mencionado acima. Harry ora aparece com botas da marca em tons neutros como gelo e creme, ora coloridos, mas sempre em cima de saltos.

Harry Styles de Edward Sexton (Foto: Reprodução)

Edward Sexton (@edwardsexton)

O estilista britânico é tradicionalmente conhecido como um dos melhores alfaiates do Reino Unido e foi o escolhido para algumas apresentações da primeira fase da turnê de Harry Styles, além de eventos da agenda do artista, que abusou dos ternos coloridos de Sexton em rosa millennial e amarelo. Suas peças têm cortes e medidas manuais impecáveis, bem como os britânicos prezam. Com mais de 50 anos de carreira, hoje aos 75, Edward é tradicionalmente conhecido por uma lista de clientes de nomes de peso na história como Beatles, Mick Jagger, Andy Warhol, Elton John, Naomi Campbell, Stella McCartney, Paul McCartney e Bianca Jagger.

Harry Styles de suit Calvin Klein e colar Goode & Son (Foto: Hélène Marie Pambrun)

Goode & Son (@charleshgoode)

Tradicional joalheria em Londres, a Goode & Son é responsável pelo colar com pingente de cruz que Harry frequentemente carrega durante sua “Live On Tour” mixado com bijoux Gucci. Conhecida por bijuterias finas e jóias de diamantes com aspecto vintage, a marca de família costuma vestir celebridades como Kate Moss e Kate Winslet.

Harry Styles de Palomo Spain (Foto: Hélène Marie Pambrun)

Palomo Spain (@palomospain)

Única não britânica da lista mas tão surpreendente quanto os jovens Harris Reed e Charles Jeffrey, a marca, originalmente da Espanha, apareceu nos palcos em março durante os shows de Harry no país e não parou mais. A estética do designer Alejandro Gómez Palomo, 25, recém-lançada no outono inverno de 2017, é atraente à primeira vista pelo romantismo e riqueza nas cores em imagens com modelos sexualmente livre de gêneros, nas quais flerta com a fantasia, sensualidade e erotismo. Tudo com a mesma naturalidade que Harry Styles emana quando veste a marca nos palcos.

Wales Bonner (@wallesbonner)

Em eventos off shows em turnê e frequentemente usada por Harry em editoriais de moda como para a Another Man, a Wales Bonner não poderia ficar de fora. Grace Wales Bonner se formou na Central St. Martins em 2014 e, no ano seguinte, foi premiada com a Emerging Menswear Designer no British Fashion Awards. Pouco depois, em 2016, recebeu o LVMH Young Designer Prize. Obtendo amplo reconhecimento, a marca se apresentou na Serpentine Gallery e no Victoria and Albert Museum. Grace também lecionou na Parsons em Nova York.

Fonte oficial: GQ

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