Essas são as primeiras imagens de Tainá Müller como Hilda Hilst – GQ

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Quando tinha 17 anos, Tainá Muller se apaixonou pela obra da escritora Hilda Hilst – única autora brasileira que alcançou a excelência em gêneros tão diferentes quanto o romance, o conto, o teatro, a poesia, o ensaio e a crônica. Desde então ela lê, estuda e pesquisa não somente os textos, mas também a vida da escritora, que foi pouco reconhecida enquanto estava viva. A atriz detém os direitos sobre a biografia da autora e em breve lançará um filme para contar a história surpreendente desta artista que ela considera “a poeta da sua vida”.

Enquanto a estreia não acontece, Tainá vai participar da Casa Hilda Hilst, espaço em Paraty que vai reconstruir – durante a Flip 2018, a ser realizada de 25 a 29 de julho – ambientes da Casa do Sol, chácara no interior de São Paulo em que a autora viveu até morrer, em 2004.

Entre as atrações da casa está uma parede-instalação criada pela Hysteria, núcleo de produção de conteúdo e curadoria feito por mulheres dentro da Conspiração. O projeto exibirá três vídeos: uma performance de Tainá Muller, depoimentos de amigos da escritora e projeções de desenhos inéditos feitos pela autora.

A maquiadora Debora Bittencourt transforma Tainá em Hilda (Foto: divulgação)

A maquiadora Debora Bittencourt, responsável pelo processo de caracterização de Tainá em Hilda, contou à GQ que houve um estudo profundo do rosto da escritora para tentar aproximar ao máximo os traços da atriz aos dela.  

É a primeira vez, em 16 anos da festa literária, que o autor homenageado terá uma casa exclusiva. O espaço, que funcionará de quarta a domingo, no centro histórico de Paraty, fica em frente à Praça da Matriz. Saraus com famosos e anônimos farão parte da agenda da casa e a trilha sonora ficará por conta da Brisa, produtora de áudio da cantora Mariana Aydar.

Tainá Müller ou Hilda Hilst (Foto: divulgação)

Tainá postou hoje em sua conta no Instagram um desabafo sobre a posição de musa e seu fascínio por Hilda Hilst. Leia abaixo:

“Quando surgi no cinema brasileiro, 11 anos atrás, a palavra ‘musa’ era recorrente para me descrever na imprensa. Eu não sabia o porquê, mas, ao invés de me sentir lisonjeada, esse ‘elogio’ me deixava profundamente desconfortável. E muitos dos papéis para os quais me chamavam reforçavam o lugar onde estavam me colocando: a namorada, a prostituta, a personagem desestabilizadora da psiquê ultra complexa do macho protagonista. Poucas falas e sempre alguma (ou muita) nudez. Logo eu, que não tinha sido criada para ficar calada, que sonhava desde cedo em ser uma voz ativa no mundo, ser sujeito e não objeto, estava ali fadada ao posto secundário_ e mudo_ da musa. Que merda. Passei a negar alguns papéis, mas como o protagonismo feminino era ralo (quase inexistente) acabei me afastando um pouco do cinema por conta disso. Foi então que eu percebi que, para não ser apenas um acessório nos roteiros que exploravam os conflitos existenciais do homem branco hetero normativo eu precisaria arregaçar as mangas e buscar minhas próprias personagens. Foi assim que cheguei na biografia da minha já ídola literária Hilda Hilst. Uma mulher que se permitiu ser livre a ponto de ter seus próprios musos. Se permitiu viver e escrever sobre o próprio desejo da carne e explorou incansavelmente a angústia de ser bicho humano nesse planeta, independente do gênero. Tocou o sublime, chafurdou no profano e nos convidou para passeios caleidoscópicos por essa dualidade. Algo que era tacitamente proibido a uma mulher, ainda mais de sua época. Por isso é sempre um prazer falar dela e da minha pesquisa de mais de sete anos sobre sua vida e obra”.

Tainá Müller (Foto: divulgação)

Segundo Tainá, hoje ela vai gravar o programa @conversacombial para falar, declamar e celebrar Hilda Hilst. “O mês é dela e, por tabela, de todas nós que queremos que nossa voz ecoe nos sete cantos do mundo. Musa? Só se for pelas ideias”. Bravo!

Fonte oficial: GQ

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