Esta dupla de arquitetos quer mudar a forma de viver do carioca – GQ

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Miguel Pinto Guimarães e Sergio Conde Caldas (Foto: divulgação)

“Não dá pra ficar sentado no escritório esperando o cliente chegar”. A frase é do arquiteto carioca Miguel Pinto Guimarães, que se uniu ao colega Sergio Conde Caldas, dois profissionais renomados de escritórios distintos, para lançar no mercado a Opy (fala-se Opan), empresa de empreendimento imobiliário.

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O primeiro projeto é o Opy.ará (opy é a casa principal de uma aldeia indígena e ara é tempo em tupi-guarani). São oito casas de alto luxo no Jardim Botânico com dois pavimentos de 200 m² em lotes de 360. Todas com piscina, jardim e uma concepção moderna de cozinha integrada, espaços amplos, ventilados e com muita iluminação natural. Características inexistentes nos apartamentos de mesmo valor no Leblon ou Ipanema. Antes do lançamento, com o projeto na planta e sem perspectiva, quatro das casas já estavam vendidas.

Miguel Pinto Guimarães e Sergio Conde Caldas criaram o projeto de casas Opy.ará no Jardim Botânico, o primeiro de muitos empreendimentos (Foto: divulgação)

Tanto a obra, com reutilização do piso de peroba e das pedras de calçamento da casa “latifundiária” que havia no terreno e estrutura metálica, quanto as casas, com iluminação de LED pelo craque Maneco Quinderé, energia solar e reúso de água da chuva para irrigação do jardim, são sustentáveis. “Toda boa arquitetura é sustentável, desde a oca indígena, passando pelo colonial português, até o modernismo brasileiro”, dizem eles, que acreditam que isso se perdeu quando começamos a adotar os modelos estrangeiros. Essa “boa arquitetura” já tinha soluções de iluminação e ventilação, por exemplo.

Mas a ideia da Opy é ir além da clientela seleta e surfar na onda da mudança recente no código de obras da cidade, de 1976, “elitizado e arcaico”, segundo a dupla. Até então, todo imóvel no Rio de Janeiro deveria ter no mínimo 60 m² de área útil, o que impossibilitava a construção de estúdios ou quarto e sala menores, tão comuns em São Paulo. “Isso estimulava as moradias irregulares e impossibilitava o jovem a comprar o primeiro apartamento”, atestam.

Zonas consideradas “vazios urbanos” como a portuária e o centro estão no radar. “O projeto de revitalização do porto só vai funcionar quando tiver gente morando lá”, aponta Sérgio. “As pessoas querem viver perto do trabalho e usar transporte público. O carioca ainda vive da mesma maneira, apesar das mudanças de comportamento”, concluem.

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Fonte oficial: GQ

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