Esta IA é capaz de mandar bem em uma prova de ciências; por que isso é importante? – GQ

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(Foto: Getty Images/iStockphoto)

Uma inteligência artificial desenvolvida pelo Allen Institute for Artificial Intelligence atingiu ótimas notas em um teste feito para alunos de 13 a 14 anos. O sistema, chamado Aristo, realizou uma versão do New York Regents Science Exam, prova padrão de ciências para jovens alunos. Segundo publicação divulgada pelo instituto, o programa respondeu 90% das questões corretamente.

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Você deve ter lido as informações acima e pensado: ‘ok, e daí?’ Quando o assunto é guardar informações e usar lógica, inteligências artificiais nadam de braçada sobre nós, meros humanos – é um fato, afinal, que serve de base para décadas de computação.

Mas, como bem te lembrava seus professores do fundamental, fazer uma prova é, antes de tudo, ler a prova. E nisso, inteligências artificiais ainda estão patinando – avanços começaram a aparecer apenas nos últimos anos com tecnologias como aprendizado de máquinas (que imita a maneira como nosso cérebro aprende) e linguagem natural (que engloba tarefas como entender sintaxe e interpretação).

Para testar suas capacidades de interpretar linguagem – foco do exercício feito pelo instituto -, Aristo teve acesso a uma versão do teste que conta apenas com questões de múltipla escolha – nada de diagramas, e nada de escrever ‘a punho’ suas respostas. São perguntas que testam raciocínio conceitual, interpretação de texto, nada terrivelmente complexo. Como, por exemplo:

Qual equipamento é ideal para separar uma mistura de limalha de ferro e pimenta do reino? a) um imã; b) um filtro de papel; c) uma balança; d) um voltímetro.

O pulo do gato, então, não é se as questões são exigentes para a máquina, mas sim se ela é capaz de interpretar o que a prova pede. Para os especialistas do Instituto, o resultado traz uma outra maneira de encarar o conceito do raciocínio: Aristo não usa linguagem para ‘pensar’ como nós humanos. Ele depende apenas de modelos computacionais – sistemas que relacionam conceitos como valores numéricos. “Isto sugere que a máquina de fato aprendeu algo sobre linguagem, sobre o mundo, e como manipular este conhecimento, mesmo que não o faça de forma simbólica”, resume os estudiosos responsáveis pelo sistema.

Aristo aponta então que, se o futuro será de máquinas pensantes, é bem provável que elas resolvam problemas de uma maneira bem diferente da nossa.

Vale lembrar que, até 2016, nenhum software superou os 60% em provas similares – há um grande avanço aí em apenas 3 anos. Também é bom ressaltar as limitações do sistema: o Aristo pode muito bem ostentar sua nota 9 na porta de geladeira da evolução tecnológica. Mas o feito ainda não significa que ele seja uma máquina capaz de gerar respostas em escrito para perguntas diretas, ou que ele possa explicar seu raciocínio para alguém de forma clara. Em outras palavras: ele não é exatamente mais esperto que um aluno de 13 a 14 anos.

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Fonte oficial: GQ

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