Está na hora de encarar: o Facebook talvez esteja ficando grande demais para o próprio bem – GQ

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Nas últimas semanas, o Facebook se viu em uma senhora montanha russa. No último dia 20, a companhia bateu recorde em Wall Street; cinco dias depois, em poucas horas de pregão, a empresa perdeu vertiginosos US$ 123,4 bi. Crise montada da noite para o dia. E quase não é força de expressão: vocês já viram o gráfico dessa parada?

 (Foto: Reprodução/Yahoo! Finances)

Como ele sugere, o valor da ação da gigante social caiu quase 21% no final da semana passada e segue uma certa trajetória de depreciação desde então. E por mais que o primeiro instinto seja apontar para todos esses episódios questionáveis e problemáticos que a empresa tem se metido nos últimos tempos, a realidade pode ser bem diferente.

O Facebook é um caso de sucesso de um tipo que nunca se viu na web. É uma rede social multimídia que rompeu de vez com a dinâmica dos fóruns a favor do que hoje conhecemos por timeline: um elencado dinâmico que aceita tanto conteúdo dos seus amigos como posts patrocinados, destaques do noticiário, vídeos, fotos e afins, tudo com o mesmo espaço e importância, tudo na tela inicial, assim que você abre o Facebook. O mundo a um rolar do mouse. 

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Essa realidade, somada ao tamanho das operações da empresa e o seu alcance – afinal 2,5 bilhões de pessoas usam ao menos um produto Facebook, entre Instagram, WhatsApp e a própria rede – é o que colocam-na nessa posição estranha de ’empresa privada, mas também praça pública e ator social’. Apesar desse número oficial ser meio vago – conte aí bots, usuários falsos e a inexatidão de quem entra no que – ele ao menos sugere que uma boa fatia da população mundial (atualmente na casa dos 7,9 bilhões) interage com seus serviços.

O Facebook reportou na semana passada tanto uma queda na receita quanto no número de novos usuários. São número que apontam uma realidade meio maluca: o Facebook talvez esteja ficando sem espaço para crescer como costumava. 22 milhões de novos usuários diários é um senhor dado, mas também o pior número da empresa desde que ela começou a reportá-lo, lá em 2011; nos EUA e Canadá, a quantidade de pessoas usando o Facebook dia a dia estagnou, e caiu em 3 milhões na União Europeia.

Facebook (Foto: Getty Images)

Olhe de novo para o gráfico acima. O Facebook sugere que pelo menos uma parte dessa queda tenha sido o simples fato de que tem gente demais atraída pelo Stories, plataforma de vídeos efêmeros que englobam praticamente todas suas marcas. Leia-se: usando sim suas plataformas, mas gastando um tempo maior com um formato ainda muito novo e sem tanta demanda de anunciantes quanto o Feed de Notícias. Isso num cenário que o Facebook gasta 14% a mais por mês com operação. Novamente, o tamanho do Facebook é um problema, mesmo quando o assunto é uma mudança de hábito pequena dentro de suas plataformas.

É claro que temas do noticiário pesam: em particular, novas legislações sobre segurança de dados tiveram peso “moderado” nos resultados trimestrais, de acordo com representante da empresa em conversa com acionistas, porque limita o alcance da plataforma a pessoas que optam por não disponibilizar suas informações. A nálise considera apenas o primeiro mês sob o peso destas novas leis na União Europeia, então ainda é cedo para dizer.

Mas este pode ser o primeiro sinal que o Facebook é simplesmente um bicho pesado demais para seu próprio bem: a companhia já anunciou que  deve voltar a reportar desacelerações entre 1 e 9% nos próximos trimestres e também já avisava há um bom tempo que o crescimento de usuários deveria diminuir. O Facebook é grande, mas não tem corpo fechado.

Fonte oficial: GQ

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