Está na hora do pai ‘assumir o papel de quem dá carinho’ – GQ

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Em 2014, o estilista Mario Queiroz pensou em fazer uma exposição sobre dos 20 anos de sua marca. O resultado foi mais que isso, com o nascimento do projeto Homem Brasileiro – ciclos de palestras sobre as novas questões ligadas ao universo dos masculino. Questões como o fim do machismo e o design e os produtos para diferentes tipos de homens estavam entre as ideias.

Hoje o evento cresceu e ganhou a participação do Instituto Promundo, organização que atua em diversos países buscando promover a igualdade de gênero. Para entender mais como funciona essa união, conversamos sobre as novas masculinidades com Queiroz e com Sandra Vale, consultora de Gestão e Desenvolvimento Institucional da ONG. Confira abaixo como foi o papo.

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Pais que não abandonam os filhos

Sandra Vale: “Quando falamos do abandono paterno, estamos falando, na verdade, de uma cultura que ainda dita que o papel de cuidar é da mulher. Homens, desde pequenos, ainda são majoritariamente criados com o papel de prover. É preciso criar e reforçar políticas públicas que envolvam homens e mulheres, meninos e meninas, tanto como potenciais cuidadores quanto provedores, para que se estimule uma cultura onde esses papéis não sejam divididos por gênero – o que também irá impactar um estímulo ao vínculo dos homens enquanto pais e cuidadores de crianças.”

Dialogar para criar novos laços afetivos

Sandra Vale: “É importante que a educação sempre nasça de uma abordagem positiva. A prática da escuta é uma via extremamente necessária para que esse diálogo aconteça melhor e se colocar na mesma altura da criança auxilia esse processo. Outra prática importante é a educação pelo exemplo. Além do diálogo, as crianças precisam ver que você segue as posturas que você está buscando ensiná-las. Outra estratégia ainda muito importante é, caso você esteja vivendo algum ambiente de pressão, por exemplo, no trabalho, ao chegar em casa busque se acalmar antes de dialogar com a criança. Caso contrário, é possível que você ‘desconte’ nela um problema com o qual ela não tem nada a ver – o que gera um ciclo de violência. O uso de violência na infância e na adolescência pode gerar uma série de outras questões que não são tão visíveis e que acabam tendo impactos importantes ao longo da vida, como dificuldade de manter diálogo aberto com os pais.”

Sandra Vale, consultora de Gestão e Desenvolvimento Institucional do Instituto Promundo (Foto: Divulgação)

Os princípios do novo pai brasileiro

Mario Queiroz: “Precisa estar por perto, demonstrar afeto, ensinar o respeito e o direito dos outros, incentivar aptidões (mesmo que não sejam as esperadas) e viajar e apresentar o que o mundo tem de melhor: principalmente a natureza e a arte”.

A paternidade como tema

Mario Queiroz: “Estamos pensando os papéis dos homens em todos os setores e é fundamental a família. Seja como responsável pela formação dos homens de hoje quanto na responsabilidade nas gerações futuras. É assunto que vai do amor ao ódio, do homem assumir o afeto no lugar de considerar seu papel de pai apenas como provedor. Na edição de 2018, tivemos Gary Baker [cofundador da Instituto Promundo no Brasil] mostrando como a violência pode diminuir também com o homem assumindo o papel de quem dá carinho, de ver a sensibilidade como valor.”

Sobre a 5ª edição do Homem Brasileiro

Mario Queiroz: “Ela está sendo preparada para ser ainda mais o evento multidisciplinar que discute os papeis das masculinidades em nosso país. A edição deste ano, que acontecerá de 26 a 29 de agosto, trará grandes cabeças das diferentes áreas e trará muitas surpresas. Vamos focar bastante na questão das empresas, produtos e na comunicação. Se não conseguirmos sensibilizar quem produz, o que produz e como são as campanhas, não conseguiremos transformar os estereótipos e preconceitos, maiores responsáveis pela manutenção do machismo em pleno século 21.”

Mais sobre o Instituto Promundo

Sandra Vale: “Acreditamos que trabalhar com homens e meninos para transformar normas e dinâmicas de poder desiguais é um fator estratégico para alcançar a equidade de gênero. Para que o empoderamento das mulheres continue avançando, homens e meninos precisam tornar-se aliados no processo, conscientizando-se de que também são beneficiados quando normas prejudiciais de gênero são questionadas. Nossas pesquisas, programas e ações para influenciar políticas públicas mostram que a promoção de noções positivas sobre o que significa ser homem ou mulher proporciona melhorias para suas vidas.”

Fonte oficial: GQ

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